Quadrantes dos Quadrinhos, 05/12/05
6 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos

Os 'melhores do ano', parte 1
 
 
Segue a primeira parte dos registros que consideramos que pontuaram o ano de 2005, principalmente do ponto de vista que procuramos imprimir ao Quadrantes dos Quadrinhos: o crescimento com qualidade dos horizontes da Nona Arte: 
 
Melhor aporte ao humor do traço, no Brasil: 1º Espraiar do Cartum Gaúcho
Cartunista revelação: Fadão
Cartunista que mais projetou o Brail lá fora: Ronaldo Cunha Dias
Quadrinhista que mais projetou o Brasil lá fora: Wander Antunes
Melhor revista independente do Brasil: Graffiti 76% (Belo Horizonte)
Melhor portal de divulgação de quadrinhistas do Brasil: Nona Arte
Melhor surpresa editorial no Brasil: 'Modotti', de Ángel de la Calle.
Melhor novo portal do Brasil: Bigorna
Melhor editora em Portugal: Asa
Melhor iniciativa virtual: Tebelogs (Espanha)
Melhores portal de resenhas / EUA: The 4th Rail
Melhores portal de resenhas / França: Planète BD
Melhor editora / França: Delcourt
Melhores portal de resenhas / Alemanha: Splashcomics
Iniciativa editorial de jornal: Frankfurter Allgemeine (pela coleção Klassiker der Comic-Literatur)
Fim de site mais lamentável: iBulle (França)
Melhor revista geral de cultura a abordar quadrinhos: Esesnja (Polônia)
Melhor surpresa do ano: Aargh! (Brno, Rep. Tcheca)
Melhor editora de revistas sobre quadrinhos: TwoMorrows 
Melhor festival de quadrinhos: San Diego Comic Con 
Melhor biografia de um quadrinhista: 'Oesterheld en Primera Persona'
Melhor desenhista: Juanjo Guarnido (Blacksad)
Melhor quadrinhista: Craig Thompson
Melhor articulista: Andrew Arnold (Time)
Nossa melhor matéria do ano: 17ª Bienal de Humor e Sátira de Gabrovo
Tiro no pé do ano: Pierre-Alain Hug
 
 
 
As novas pérolas da Epsilon
 
A editora especialista em quadrinhos alemã Epsilon anunciou a sua lista de lançamentos para 2006, que inclui nada menos do que 2 álbuns (os últimos) da série Betelgeuse e o primeiro album do ciclo Aldebaran, do brasileiro Leo (que chegou ao fim na versão original sem ter sido publicado no Brasil),  além de Kenya, também de Leo. A Epsilon também programa títulos da ótima série de humor infanto juvenil Pittje Pit, que na verdade é o nome local da série da linha clara da escola francesa Colin Colas (que teve entre outros artistas em seu desnvolvimento o mestre Yvan Delporte) e que já foi muito difundida na Alemanha pelas revistas Zack e Zack Paraden e de Monika Morell, a versão local de Jeannette Pointu, de Marc Wasterlain (que antes era publicada pela Carlsen), que os espanhóis conhecem como Rita Reporter. Mais imediatamente, a Epsilon publicou um primor de hotiste para o já lançado primeiro álbum da série 'Der Feind' (Inimigo), que traz as aventuras da jovem criminóloga Yasmine Giggs, com roteiros de Thierry Robberecht, e que na França leva o selo da Casterman. Até onde pudemos pesquisar o site especial da Epsilon é, na verdade, o melhor nicho virtual para se conhecer o traço do italiano Alberto Pagliaro, com direito a animação: confira.
 
 
Davodeau, o melhor do ano
 
A ACBD (Association des Critiques et Journalistes de Bandes Dessinées, ou Associação de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos) confirmou uma das apostas do Quadrantes dos Quadrinhos deste ano: o melhor álbum de 2005, na França, pelos critérios - sérios - da ACBD, foi 'Les Mauvaises Gens', de Etienne Davodeau, que apresentamos assim, em nossa edição de 29/08: O 18º álbum assinado por Étienne Davodeau - realizador que vem se saindo muito bem tanto quanto como roteirista quanto como ilustrador - é sobre a região em que cresceu: os Mauges, no antigo condado de Anjou, de predominância católica e operária, no período que vai do pós-guerra até a Era Miterrand, muito calcado na experiência de sua própria família. Mauges é famosa pela rebeldia de seus trabalhadores desde 1793, quando o levante na região deu início à Guerra da Vendéia.  Em 'Les Mauvaises Gens' - publicado pela Delcourt-, Davodeau (nascido em 1965) mostra a participação dos trabalhadores na cena política e sindical com um traço que pouco lembra a maioria das obras do gênero. Para mais, o quadrinho-verdade de Davodeau acaba tendo sua força exatamente por se distanciar dos discursos de sindicalistas de todos os tipos, cada vez mais em descrédito, na França, especialmente depois que pegaram a direção da maior central sindical do país cometendo atos, digamos, pouco recomendáveis, este ano.  Com sua arte, Davodeau coloca em evidência os verdadeiros sonhos e motivações de gente que quer um futuro melhor para seus filhos, como ele. 5 pranchas deste álbum, lançado no dia 24/-8, podem ser vistos na ficha oficial
 
Auto-retrato de Miguelanxo Prado
 
Miguelanxo Prado, cineasta
 
Miguelanxo Prado, que já deu ao Brasil o volume ilustrado de Belo Horizonte da coleção Cidades Ilustradas, vai estar cineasta em 2006: ele deve colocar nas melhores dalas de cinema. 'De Profundis', em coprodução com a empresa de animação digital 'Continental', criada em 2004, e com o apoio da câmara (ayuntamiento) de La Coruña, onde Prado apresentou o projeto do filme no final de novembro, com um acréscimo fundamental ao que já se sabia: a Orquestra Sinfônica da Galícia vai se ocupar da trilha sonora. No filme, cujo roteiro é assinado pelo melhor quadrinhista galego em décadas, o mar, desde um ponto de vista lírico, é o principal protagonista, e se sabe que teremos um uso bastante intenso de efeitos especiais. Eleemntos mais do que suficientes para que o genial criador realize um bom filme. 'De Profundis' deve estrear em outubro de 2006, com première em La Coruña e terá 70 minutos. 
 
Mostra de Katsushika Hokusai no Smithsonian
 
 
Katsushika Hokusai (1760-1849) - o xilogravador que primeiro usou a palavra mangá, em 1814, dando início aos 'Hokusai Manga', série de 13 cadernos com seus desenhos que se tornaram um marco absoluto dos mangás - terá direito a uma grande mostra em um espaço nobre dos Estados Unidos em 2006. O Museu Nacional de Tóquio esteve sediando uma mostra de proporções sem precedentes do precursor dos mangás até o domingo, dia 4. Em março, uma parte desta mostra será levada à
Galeria Freer, na capital americana, que compõe um dos templos do conhecimento nos Estados Unidos: o Instituto Smithsonian.
 
'Apenas um pouco' das 30.000 peças que o gênio criador de Hokusai produziu em vida estará em exposição, mas trata-se de uma oportunidade única de mostrar que o mangá começou com um artista que, com sua espontaneidade marcada por décadas de trabalho, foi o o máximo expoente da importante escola de gravuras Ukiyo-e, realizando obras de até 240 m2, onde seu trato com as curvas e sua preocupação com a vida do homem quotidiano denotavam uma direção inicial completamente diferente dos mangás comerciais de hoje em dia. Entre outros, Katsushika Hokusai influenciou Monet, Degas e Toulouse-Lautrec. Vale sempre lembrar que, mais do que tudo, Hokusai era um mestre na acepção do termo: em 1814, ele já era um artista de amplo reconhecimento no Japão, e iniciou seus cadernos exatamente para que outros aprendessem a desenhar como ele...
 
Sergio Más na Mostra Trinacional da Nona Arte de São Vicente

 
A inclusão de Sergio Más na Mostra Trinacional da Nona Arte de São Vicente, através da presença de um exemplar do número 16 da revista alternativa brasileira Top! Top! marca uma importante ponte entre a Nona Arte do Brasil e da Argentina. A Top! Top! 16, dedicada a este cartunista e chargista argentino, mostra a sua preocupação em aproximar os artistas de ambos os países. Não por caso, a Top! Top! é editada pela Marca de Fantasia, a editora independente de quadrinhos capitaneada por Henrique Magalhães, lá da Paraíba, e que é um marco absoluto na edição de quadrinhos autorais e da publicação de bons quadrinhos do Brasil e de Fora. Em novembro, por conta do inovador e bem sucedido 1º Festival Internacional de la Historieta de Morón (na Grande Buenos Aires) no qual Más também participou com uma mostra individual, Henrique Magalhães anunciou que a sua editora vai produzir novas obras binacionais, juntamente com a La Productora , o coletivo editorial que realizou o festival.
 
Na Argentina, Más tem trabalhos publicados em vários jornais e revistas, como Hortensia Nueva Generación, Hola Tio, Umbrales, Aqui Vivimos, La Luciernaga, Papeles de Córdoba. Más publicou o livro de cartuns Futbol de Más (1998), a revista de quadrinhos El Rocha, em 2001 e participou do livro '2001: Odisséia de Humor', com 20 cartunistas brasileiros, organizado por Mario Mastrotti e publicado pela Virgo.
 
 
Sergio Más retrata o quotidiano também em 'Más Humor', lançado pela Marca de Fantasia em 2004. 'Más Humor' tem 56 páginas
formato 14 x 20 cm e custa R$ 8,00

ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos