Os 'melhores do ano', parte
1
Segue a primeira parte dos registros
que consideramos que pontuaram o ano de 2005, principalmente do ponto de
vista que procuramos imprimir ao Quadrantes dos Quadrinhos: o crescimento
com qualidade dos horizontes da Nona Arte:
Cartunista revelação: Fadão
Melhor revista
independente do Brasil: Graffiti 76% (Belo Horizonte)
Melhor portal de divulgação de
quadrinhistas do Brasil: Nona
Arte
Melhor surpresa editorial no Brasil:
'Modotti',
de Ángel de la Calle.
Melhor novo portal do Brasil: Bigorna
Melhor editora em Portugal: Asa
Melhor iniciativa virtual: Tebelogs (Espanha)
Melhor editora / França:
Delcourt
Fim de site mais lamentável: iBulle (França)
Melhor revista geral de cultura a
abordar quadrinhos: Esesnja
(Polônia)
Melhor surpresa do ano: Aargh! (Brno, Rep.
Tcheca)
Melhor editora de revistas sobre
quadrinhos: TwoMorrows
Melhor desenhista: Juanjo Guarnido
(Blacksad)
Melhor quadrinhista: Craig
Thompson
As novas pérolas da
Epsilon
A editora
especialista em quadrinhos alemã Epsilon anunciou a sua lista de
lançamentos para 2006, que inclui nada menos do que 2 álbuns (os últimos)
da série Betelgeuse e o primeiro album do ciclo Aldebaran, do
brasileiro Leo (que chegou ao fim na versão
original sem ter sido
publicado no Brasil), além de
Kenya, também de Leo. A Epsilon também programa títulos da ótima série de humor infanto juvenil Pittje Pit,
que na verdade é o nome local da série da linha clara da escola
francesa Colin
Colas (que teve entre outros artistas em seu desnvolvimento o mestre Yvan
Delporte) e que já foi muito difundida na Alemanha pelas revistas Zack
e Zack Paraden e de Monika Morell, a
versão local de Jeannette Pointu, de Marc Wasterlain
(que antes era publicada pela Carlsen), que os espanhóis conhecem como Rita
Reporter. Mais imediatamente, a Epsilon
publicou um primor de hotiste para o já lançado primeiro álbum da série
'Der Feind' (Inimigo), que traz as aventuras da
jovem criminóloga Yasmine Giggs, com roteiros de
Thierry Robberecht, e que na França leva o selo da Casterman. Até onde pudemos
pesquisar o site especial da Epsilon é, na verdade, o melhor nicho virtual para
se conhecer o traço do italiano Alberto Pagliaro,
com direito a animação: confira.

Davodeau, o melhor do
ano
A ACBD (Association des
Critiques et Journalistes de Bandes Dessinées, ou Associação de Críticos e
Jornalistas de Quadrinhos) confirmou uma das apostas do Quadrantes dos
Quadrinhos deste ano: o melhor álbum de 2005, na França, pelos critérios -
sérios - da ACBD, foi 'Les Mauvaises Gens', de Etienne Davodeau, que
apresentamos assim, em nossa edição de 29/08: O 18º álbum assinado por Étienne Davodeau - realizador
que vem se saindo muito bem tanto quanto como roteirista quanto como ilustrador - é sobre a região em que cresceu:
os Mauges, no antigo condado de Anjou, de predominância católica e operária, no período que
vai do pós-guerra até a Era Miterrand, muito calcado na experiência de sua
própria família. Mauges é famosa pela rebeldia de seus trabalhadores desde
1793, quando o levante na região deu início à Guerra da Vendéia. Em 'Les
Mauvaises Gens' - publicado pela Delcourt-, Davodeau (nascido em 1965) mostra a
participação dos trabalhadores na cena política e sindical com um traço que
pouco lembra a maioria das obras do gênero. Para mais, o quadrinho-verdade de
Davodeau acaba tendo sua força exatamente por se distanciar dos
discursos de sindicalistas de todos os tipos, cada vez mais em descrédito,
na França, especialmente depois que pegaram a direção da maior central
sindical do país cometendo atos, digamos, pouco recomendáveis, este ano.
Com sua arte, Davodeau coloca em evidência os verdadeiros sonhos e
motivações de gente que quer um futuro melhor para seus filhos, como ele. 5
pranchas deste álbum, lançado no dia 24/-8, podem ser vistos na ficha
oficial

Auto-retrato de
Miguelanxo Prado
Miguelanxo
Prado, cineasta
Miguelanxo Prado, que já deu ao Brasil o volume ilustrado de Belo
Horizonte da coleção Cidades Ilustradas, vai estar cineasta em 2006: ele
deve colocar nas melhores dalas de cinema. 'De Profundis', em coprodução
com a empresa de animação digital 'Continental', criada em 2004, e com o
apoio da câmara (ayuntamiento) de La Coruña, onde Prado apresentou o projeto do
filme no final de novembro, com um acréscimo fundamental ao que já se
sabia: a Orquestra Sinfônica da Galícia vai se ocupar da trilha
sonora. No filme, cujo roteiro é assinado pelo melhor
quadrinhista galego em décadas, o mar, desde um ponto de vista lírico, é o
principal protagonista, e se sabe que teremos um uso bastante intenso de
efeitos especiais. Eleemntos mais do que suficientes para que o genial
criador realize um bom filme. 'De Profundis' deve
estrear em outubro de 2006, com première em La Coruña e terá 70
minutos.
Mostra de Katsushika Hokusai
no Smithsonian
Katsushika
Hokusai (1760-1849) - o xilogravador que primeiro usou a palavra
mangá, em 1814, dando início aos 'Hokusai Manga', série de 13 cadernos com seus
desenhos que se tornaram um marco absoluto dos mangás - terá direito a uma
grande mostra em um espaço nobre dos Estados Unidos em 2006. O Museu
Nacional de Tóquio esteve sediando uma mostra de proporções sem
precedentes do precursor dos mangás até o domingo, dia 4. Em março, uma parte
desta mostra será levada à
Galeria Freer, na capital
americana, que compõe um dos templos do conhecimento nos Estados Unidos: o
Instituto Smithsonian.
'Apenas um pouco'
das 30.000 peças que o gênio criador de Hokusai produziu em vida estará em
exposição, mas trata-se de uma oportunidade única de mostrar que o mangá começou
com um artista que, com sua espontaneidade
marcada por décadas de trabalho, foi o o máximo expoente da importante escola de
gravuras Ukiyo-e, realizando obras de até 240 m2, onde seu trato com as curvas e
sua preocupação com a vida do homem quotidiano denotavam uma direção
inicial completamente diferente dos mangás comerciais de hoje em dia. Entre
outros, Katsushika Hokusai influenciou Monet, Degas e Toulouse-Lautrec. Vale sempre
lembrar que, mais do que tudo, Hokusai era um mestre na acepção do termo: em
1814, ele já era um artista de amplo reconhecimento no Japão, e iniciou seus
cadernos exatamente para que outros aprendessem a desenhar como
ele...
Sergio Más na
Mostra Trinacional da Nona Arte de São Vicente
A inclusão de
Sergio Más na Mostra
Trinacional da Nona Arte de São Vicente, através da presença de um exemplar
do número 16 da revista alternativa brasileira Top!
Top! marca uma importante ponte entre a Nona
Arte do Brasil e da Argentina. A Top! Top! 16, dedicada a este cartunista e
chargista argentino, mostra a sua preocupação em aproximar os artistas de ambos
os países. Não por caso, a Top! Top! é editada pela Marca de Fantasia, a
editora independente de quadrinhos capitaneada por Henrique Magalhães, lá da
Paraíba, e que é um marco absoluto na edição de quadrinhos autorais e da
publicação de bons quadrinhos do Brasil e de Fora. Em novembro, por conta do
inovador e bem sucedido 1º Festival Internacional de la
Historieta de Morón (na Grande Buenos Aires) no qual Más
também participou com uma mostra individual, Henrique
Magalhães anunciou que a sua editora vai produzir novas obras binacionais,
juntamente com a La Productora , o coletivo editorial que realizou o
festival.
Na Argentina, Más
tem trabalhos publicados em vários jornais e revistas, como Hortensia Nueva
Generación, Hola Tio, Umbrales, Aqui Vivimos, La Luciernaga, Papeles de Córdoba.
Más publicou o livro de cartuns Futbol de Más
(1998), a revista de quadrinhos El Rocha, em 2001 e participou do livro '2001:
Odisséia de Humor', com 20 cartunistas brasileiros, organizado por Mario
Mastrotti e publicado pela Virgo.
Sergio Más retrata o
quotidiano também em 'Más Humor', lançado pela Marca de Fantasia em 2004. 'Más
Humor' tem 56 páginas
formato 14 x 20 cm e
custa R$ 8,00
ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos