Quadrantes dos Quadrinhos, 11/11/05
5 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
 
 
 
Foi-se Lucho Olivera
 
A sexta-feira trouxe a notícia do passamento do quadrinhista argentino Luis 'Lucho' Olivera. Nascido em 1942 em Corrientes, Olivera já começou sua carreira em 1963 associando seu nome ao de publicações que são verdadeiros mitos da trajetória da Nona Arte argentina: Hora Cero, Frontera e Misterix. Em 1968, passa a desenhar Nippur de Lagash, a partir de roteiros de Robin Wood. Seguem-se, como marcos de sua carreira Gilgamesh (1971) e Dico, o Artilheiro, sua série mais conhecida no Brasil (onde foi publicada ainda nos anos 70, pela RGE, com uma editoração bastante razoável, afora o fato de - como era comum à época - apresentar pouco seus próprios artistas), com roteiros de José Luis Salinas, dedicando-se, a partir daí, cada vez mais aos quadrinhos de fantasia. Apesar de - aparentemente - lidar com temas pouco elaborados, Olivera, que iniciou (sem concluir) cursos superiores de arquitetura, medicina, sociologia, direito e história semeou em suas HQs -especialmente em Gilgamesh, sua obra solo, que é ambientada na Mesopotâmia - inúmeras preocupações humanistas. O comentário mais feliz que vimos postado ao longo do dia, para saudar a memória do quadrinhista, veio da lista Rebrote, assinado por Marcelo Piñeiro, que transcrvemos qui: Hay que verlo como que el tipo fue un privilegiado. Uno de los pocos. Pensemos en qué suerte tuvo. No porque la suerte haya forjado su destino, sino porque tuvo la suerte de ser quién fue. De nacer con ese talento y de saberlo plasmar. Después vino el esfuerzo. Que habrá sido enorme. Porque sin esfuerzo no se consigue lo que él consiguió. Está en el Olimpo de los grandes. Recémosle y agradezcamos a él y a Dios por compartir el tiempo con semejante persona. No mundo virtual, Nippur de Lagash é - muito provavelmente - a criação argentina de quadrinhos que tem uma comunidade mais atenta e participativa, comandada por Rolquiem (Javier Ignacio Rago), e que deve manter e ampliar, por muito tempo, este legado de Olivera, que foi, a bem da verdade, o artista que deu os contornos mais conhecidos do gigante incorruptível; além de ser o primeiro de uma série que inclui os internacionalmente reconhecidos Eduardo Barreto e Walther Taborda, Olivera foi o que mais influenciou seus seguidores nesta série que entre suas singularidades, aproxima a riquíssima cultura dos hititas dos leitores de quadrinhos.
 
 
Kirkman imparável
 
O talento de Robert Kirkman em inovar o aparentemente saturado universo dos quadrinhos com seu personagem Invincible vem - merecidamente - tendo muitas novas portas abertas. Nos EUA, a Marvel colocou nas gibiterias este mês o esperado 14º número de sua coleção Marvel Team Up que reúne Invincible ao Homem Aranha, no qual Kirkman é acompanhado por Cory Walker (seu parceiro de Invincible). Ainda nos EUA, o personagem chegou este mês, a um número mais que expressivo, se pensado desde a sua origem, o 25º, com direito a ótimas resenhas. The Walking Dead, outra série sua com o selo da Image, chegou ao 23º número, (com desenhos de Charlie Adlard, nos gibis mais recentes), recolocando as HQs de zumbis no patamar das formas de quadrinhos que - sim- podem ter um tratamento interessante como desenvolvimento temático. A reedição de sua série Battle Pope, iniciada em junho, também pela Image (com desenhos de Tony Moore) vem incomodando muitos setores por sua forma de abordar assuntos religiosos, mas vai muito bem de leitores, chegando este mês ao 1º compilatório da nova série, com 4 gibis reunidos em 120 páginas. Pela Marvel, Robert Kirkman vai participar da nova série de gibis What if (a ser lançada em dezembro), que reinventa HQs de super-heróis com muito bom humor, escrvendo uma estória de Thor desenhada por Michael Avon Oeming. Para janeiro, já está preparado o scriptbook de Invincible (um guia de roteiros para jovens quadrinhistas). No Brasil, a chegada de Invincible vai se dar por meio de uma nova equipe editorial que vem preparando a adapatção com muito gosto e empenho (embora ainda não possamos revelar de quem se trata). Na Espanha, a Aleta, que também publica Invincible, colocou à venda em outubro o 3º volume de sua sátira aos comics, Superpatriot.  Toda esta movimentação parace não embotar o raciocínio do criador, que em sua coluna semanal Buy my Books desta semana brindou a todos com um artigo muitíssimo bem escrito sobre as reedições de números 1 de gibis no mercado americano.
 
 
Black Hole no cinema
 
A saída do volume compilatório pelos 10 anos de Black Hole (que comentamos recentemente) a HQ de Charles Burns que revela com muita originalidade temática e de traços a juventude americana de 30 anos atrás continua rendendo frutos: um deles é a resenha que foi publicada esta semana pelo Broken Frontier, a nosso juízo, uma das melhores fontes de informação sobre vários tipos de quadrinhos, nos EUA, que conclui com uma frase muito feliz: 'Nem todos vão gostar, mas todos deveriam ler'. Uma notícia ainda mais auspiciosa é que o diretor de cinema Alexandre Aja, que venceu o prêmio de melhor diretor do festival de Sitges por 'Haute Tension', em 2003 e que está dirigindo, com produção de Wes Craven uma nova edição do clássico 'The Hills Have Eyes', vai realizar a adaptação de Black Hole para o cinema, sob a chancela da Paramount. Aja, que é um cineasta autoral, tem tudo para realizar um excelente filme e somar algumas dezenas de milhares de leitores novos aos bons quadrinhos (para) adultos.
 
 
Históricas HQs italianas
 
A história e as histórias em quadrinhos vivem se cruzando, na Itália. Quase sempre, com excelentes resultados para a Nona Arte e para os leitores. Esta semana, tivemos oportunidade de colher dois novos casos bastante exemplares. Para um público mais adulto, a pequena e enriquecedora Becco Giallo volta à cena. Depois de 'Unabomber' e 'I Delitti di Alleghe', que comentamos após a leitura do que escreveram nossos colegas da Itália, nos antecipamos, desta vez, em anunciar o 4º volume da coleção Cronaca Nera, que trata da morte do cineasta Pier Paolo Pasolini, com um gancho muito oportuno: foi há 30 anos mais exatamente em 2 de novembro de 1975 - que Pasolini foi assassinado, em Roma. Com o título de Il Delitto Pasolini, a Becco Giallo publica uma brochura de 96 páginas, ao preço de 12 euros, assinada por Gianluca Maconi, responsável pela maravilhosa inovação temática que foi 'I Delitti di Alleghe'. Esperamos que Maconi esteja repetindo a mão ao abordar um tema que tem tudo para enriquecer a cena dos quadrinhos ao apontar as dúvidas que pairam sobre a morte de Pasolini (que no Brasil foi muitíssimo bem enunciada por Luiz Nazário no volume da Coleção Encanto Radical dedicado ao mestre do cinema). De todo modo, a feliz lembrança da Becco Giallo e de Gianluca Maconi nos permite também saudar as inúmeras aulas que Pasolini legou a quem pensa e cria quadrinhos; especialmente, em cortes de cena e enquadramentos.
 
Para um público mais jovem, a revista Il Giornalino, uma das mais lidas pelos garotos e garotas italianos, resolveu melhorar a qualidade das suas edições atuais ao trazer, no encarte de quadrinhos que acompanha a edição que chega aos quiosques e bancas neste final de semana, a vida do pai da física, Arquimedes, em quadrinhos desenhados por ninguém menos do que Sergio Toppi. Para além de um presumível deleite visual, a garotada estará sendo apresentada a um dos maiores gênios de toda a história da melhor forma possível, incorporando Arquimedes ao seu ideário de uma forma muito eficaz (melhor do que nos livros positivistas de história, com certeza).
 
Além disso, um pouco da história do Brasil também está de volta às melhores lojas especializadas: o clássico L'Uomo del Sertao, do mestre Hugo Pratt, ganhou nova edição, pela Lizard Edizioni, numa brochura de 54 páginas em cores ao preço de 13, 50 euros. Na nossa opinião, com uma capa muito mais bonita que as históricas edições anteriores da CEPIM, nos anos 70, e da Bompiani.
 
 
A hora dos sátiros
 
A revista satírica Batracio Amarillo, sediada em Granada, é uma das mais gratas contribuições andaluzas ao humor se muitas peias, e tem uma origem que infelizmente é rara, hoje em dia: a boa e (já?) velha inquietação estudantil. Para uma publicação com este batismo, chegar a 11 anos já é um marco importante, ainda mais, com um crescente respeito de seus colegas na Espanha e fora dela, que ultrapassa em muito fato da Batracio ter batido o recorde mundial de maior tira realizada em todo o mundo, em 2004 e da publicação dos álbuns de seus colaboradores. Agora, a turma de batráquios amarelos lança uma convocatória de um concurso mundial que pode e deve atrair criadores de duas formas de expressão que são muito caras ao mundo da Nona Arte: a poesia e o texto satíricos. Difundimos a seguir as bases deste concurso internacional para o qual os criadores de língua portuguesa têm bastante tempo de adaptar seus pensamentos e vertê-los ao idioma espanhol. Aos que já criam na língua de Cervantes, fica nosso convite para que redifundam amplamente esta convocatória de quem merece - sempre - a nossa atenção; especialmente quando cria novas pontes.
 

BASES

1. Podrán presentarse a este certamen todas aquellas personas que lo deseen, siempre que la obra presentada esté escrita en español y sea original e inédita.
2. Se establecen dos modalidades: poesía satírica y artículo burlón.
-Poesía satírica: constará de un poema (o grupo de poemas con unidad temática) de entre 30 y 100 versos. Se establece absoluta libertad de contenido y forma.
-Artículo burlón: columna de opinión de entre 1 y 4 folios (mecanografiados a doble espacio y por una sóla cara), con absoluta libertad de contenido.
3. Deberán presentarse tres copias de la obra bajo el sistema de plica, es decir: un sobre en cuyo remite constará el título de la obra y el pseudónimo -sin ninguna otra señal que permita la identificación del participante-, y otro adjunto repitiendo remite y en cuyo interior se incluyan los datos del autor (nombre y apellidos, fotocopia del DNI., dirección y teléfono o e-mail).
Cualquier trabajo que no se ajuste a estas normas será desestimado por el jurado.
Estas bases pueden solicitarse por correo electrónico a info@elbatracioamarillo.com
4. Los originales se enviarán por correo postal, indicando en el sobre el nombre del certamen, a:
 
El Batracio Amarillo
C/ Tejeros, 13
18600 Motril
(Granada)

Por motivos de confidencialidad no se admitirán entregas personales.

5. El plazo de admisión de originales concluye el día 31 de Marzo de 2006. Cualquier trabajo recibido con fecha en matasellos posterior, no entrará en concurso.
6. Se establece un primer premio indivisible por cada categoría, dotado con 1.200 €. Además, el jurado otorgará una mención especial a otros 3 trabajos por modalidad.
7. El jurado estará compuesto por:

" D. Andrés Sopeña Monsalve  (Escritor y Catedrático de la U. de Derecho de Granada)
" D. José María Pérez Zúñiga  (Escritor y columnista del diario IDEAL de Granada)
" D. Antonio José Martín Merlo "Gato" (Escritor, creador y director de la revista satírica  El Batracio Amarillo)
" D. Isácio Rodríguez  (Escritor y cronista satírico del Batracio Amarillo)

8. El fallo se hará público el día 28 de Abril de 2006, a través de rueda de prensa en algún lugar aún por determinar. A los ganadores se les comunicará personalmente el fallo del jurado.
No se mantendrá correspondencia con el resto de los participantes, que podrán retirar sus trabajos en el plazo de un mes de emitido el fallo. Transcurrido ese tiempo, los trabajos no reclamados serán destruidos.
La entrega de premios y menciones especiales se harán en las instalaciones de la Feria del Libro de Granada 2006, o en otro lugar si fuese más oportuno, a mediados del mes de Mayo de 2006.  Todos los finalistas recibirán cumplida información.
9. Los autores premiados y los finalistas ceden los derechos de edición de sus obras a la organización del certamen.
10. El hecho de participar supone la plena aceptación de estas bases

 

 
 
ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos