Quadrantes dos Quadrinhos,
4/11/05
5 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material
publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
A maior HQ do
mundo
Paperopoli Oltre
lo Specchio é o nome da maior HQ do mundo: 35 artistas da Disney italiana
se reuniram durante o festival de Lucca e realizaram uma HQ de Tio Patinhas
e Pato Donald de 242 metros, batendo largamente o recorde anterior (que
deve continuar por muito tempo como maior HQ do mundo realizada por um
único artista) de Robert Dixon, que realizou uma tira de 192 metros, em
2003. 240 desenhos foram realizados por
um time de realizadores que contou, entre outros, com
Silvia Ziche e Giorgio Cavazzano.
Avanços de
Amadora
Em 2004, os
organizadores do FIBDA, o Festival
Internacional de Banda Desenhada de Amadora, meteram os pés pelas mãos ao tentar
realizar uma mostra de 100 melhores quadrinhos do século XX, fato considerado
inconteste, mesmo por seus dedicados organizadores, como escrevemos em artigo a respeito. Desde
então, ficamos na torcida por melhores notícias este ano. Uma análise do FIBDA que
consideramos honesta, do jornalista César Santos, foi publicada pelo Jornal
de Notícias, da cidade do Porto, que sempre será para nós uma grata indicação de
bom jornalismo (entre outros detalhes, resistiu até recentemente e foi o último
jornal diário de língua portuguesa a não publicar despachos de agências e sim
artigos assinados em sua editoria de internacional). Colocado o que
consideramos do JN, nos damos o direito de ver, exatamente em alguns pontos
apontados por Santos, importantes avanços do maior festival de quadrinhos
de língua portuguesa: uma frase que muito nos alegrou foi a ilação de
que 'a época das exposições-espetáculo já passou'. Nada mais animador
para quem encara os quadrinhos como arte. Arte, como fato de cultura, é acúmulo,
e não sucessão de flashes passageiros (ou de notícias mancheteiras). A
aludida ausência de um 'nome forte' foi uma escolha acertada - ao lado da
descentralização das atividades -, a nosso ver; temos que levar em consideração, acima de
tudo, que o 16º FIBDA começou a ser pensado a partir de erros de 2004,
que foram de tal monta que - naturalmente - tornaram menos arrojadas as decisões
dos organizadores. A escolha por um 'nome forte' se 'bem sucedida' do ponto de
vista de afluência de público, poderia ser, neste momento, um estímulo a
espetacularização do certame. Como pudemos ver (e
trocar idéias com pessoas que lá estiveram) em Lucca (e também nesta aula de
evento plural que é a San Diego Comic Con, maior evento do gênero no mundo), a
fórmula de vários artistas de peso pode sim dar certo, mas ancorada a
outras iniciativas e a partir de uma trajetória sem percalços maiores. De mais,
como diz o próprio Santos em sua análise, a prova de fogo maior foi
vencida. Restaurada a confiança de todos os agentes e amigos da
Nona Arte, é de se esperar que Amadora 2006 tenha sonhos mais altos do que
os expostos este ano. Portugal tem sido palco de inúmeras iniciativas
que são muito mais importantes que o 'espetáculo': as que dão
frutos duradouros. Esperamos estar certos e contar este capítulo. Como
apontou Nelson Dona, diretor do CNBDI, em uma outra
ocasião, a falta de uma visão governamental sobre as possibilidades da Nona
Arte é um empecilho muito maior do que tropeços dos agentes que fazem a Nona
Arte portuguesa. Para mais, Portugal esteve a viver sob um governo dos que mais
defendeu a tese do 'estado mínimo' (ou, a nosso juízo, minimamente preocupado
com o cidadão). Avançar, sob estas condições, como a Banda Desenhada
portuguesa tem avançado é uma lição maior que precisamos aprender e difundir.