Quadrantes dos Quadrinhos, 21/10/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos


 
 
O humor em Alcalá
 
No dia 17, foi inaugurada a XII Muestra Internacional de Humor Gráfico de Alcalá de Henares, com 132 trabalhos selecionados de artistas do humor de traço da Iberomérica e da Espanha. A mostra tem, este ano, por tema 'humor e edição', que foi debatido num encontro de artistas ontem e hoje. Entre alguns dos mais destacados artistas com trabalhos presentes à mostra, os campeões de leitura diária nos jornais espanhóis se fazem presentes: Forges, Gallego y Rey, Idígoras e Mingote.
 
O vencedor do prêmio da mostra, chamado o Premio Iberoamericano de Humor Gráfico Quevedos - que está sendo atribuído pela quarta vez - foi Andrés Rábago, conhecido pelo mundo do humor de traço como El Roto um dos artistas que defende com mais força a distinção entre humor e sátira, à qual se afilia, e que como pensador coloca 'em risco' a intelectualidade que se acomoda com a sociedade do espetáculo.   
 
A mostra, que segue até 27 de novembro, é apenas o ponto de maior visibilidade da trajetória de 13 anos de apoio da Universidad de Alcalá, que também sedia, por estes dias, um das maiores mostra de artistas plásticos mexicanos já realizada na Espanha, com obras de mais de 50 criadores contemporâneos, e que foi inaugurada no dia 18 e segue até 11 de janeiro. A FGUA, o programa para desenvolvimento do humor gráfico mantido pela universidade, criou um museu virtual do humor gráfico, com dezenas de biografias de artistas como Ares, Xaquín Marín, Más, Mingote, Mordillo, El Perich, Lailson de Holanda, Fontanarrosa, Forges... e mais do que isso, revistas de difusão e debates sobre a arte do humor de traço, como a Quevedos. e a coleção 'Historia del Humor Gráfico Iberoamericano', da qual já saíram 4 volumes, consagrados a Portugal, Espanha, México e Venezuela, sob a supervisão do pesquisador Juan García Cerrada. O próximo volume desta coleção deve ser consagrado ao Brasil.
 
Aproveite para fazer um passeio virtual pela bela cidade patrimônio da humanidade, que realiza seu festival de cinema, o Alcine, já em novembro, com uma considerável marca: pela 35ª vez, e que terá um ciclo de filmes de animação realizado por mulheres. 

 
Com o carinho da Marvel
 
A Marvel vai voltar a publicar uma revista que tem o propósito exclusivo de homenagear quadrinhistas, a Marvel Spotlight, cujo conteúdo é constituído por entrevistas, biografia, ilustrações e muitos mais detalhes que aproximam o artista da sua real condição e carreira. O primeiro número traz o desenhista John Cassaday (X-Men e Planetary) e o roteirista Sean McKeever, que está sendo o responsável pela volta da série Sentinel, a partir deste mês. A data prevista para a chegada da revista às lojas tem cara de presente: 21 de dezembro. A revista, de 32 páginas, segue o preço dos gibis americanos: 3 dólares. Esperamos que outros números venham a ser confirmados logo.
 

 
Sintra, centro do humor
 
Já foram divulgadas as bases para que os artistas do humor do traço participem do maior certame de língua portuguesa na Europa, o World Press Cartoon 2006, que vai premiar trabalhos publicados em veículos de imprensa ao longo do ano de 2005. Assim, o certame é, também, uma fonte de referência para o que se anda publicando, principlamente, no campo da charge editorial.   
 
A exposição das obras selecionadas acontece em Sintra na primavera de 2006, no Sintra Museu de Arte Moderna e também no Centro Cultural Olga Cadaval. O prazo para que os trabalhos cheguem ao secretariado é 31 de janeiro de 2006. O vencedor deste ano foi Crist, cartunista do jornal argentino Clarin. Aliás, foi a notícia 'caseira' que mais demorou para ser publicada neste ano: o fato demorou nada menos que 6 semanas para ser publicado pelo próprio Clarin... que se tornou um forte concorrenete ao prêmio de mico jornalístico do ano.

 
A nova pérola da Petit à Petit
 
O selo francês Petit à Petit produz, relativamente, poucos volumes de quadrinhos, ao lado de um grande número de livros para a juventude. Mas, normalmente, o que sai com seu selo merece uma atenção e um carinho redobrados. Depois de '13 Poèmes de Victor Hugo en Bandes Dessinées', que foi destacado entre centenas de títulos do mundo das bandes dessinées pelo The Comics Journal em sua edição de número 268, a editora se valeu de seu grande conhecimento e cuidado na área da literatura infantil para lançar a primeira versão quadrinhizada de 'La Guerre des Boutons', romance infantil de Louis Pergaud que foi um dos maiores clássicos do gênero na primeira metade do século XX e que já foi adaptado para o cinema em 1962, por Yves Robert, e por John Roberts, em 1994 (A Guerra dos Botões, em português) e já teve uma versão ilustrada pela quadrinhista francesa Florence Cestac. O álbum, idealizado por Olivier Petit, diretor da editora, tem apenas 32 páginas e preço de 10 euros. A Petit à Petit contou com as ilustrações da estreante Valérie Vernay (que já teve outros trabalhos como colorista) e com o roteirista Mathieu Gabella, autor de um álbum BD - 'La Chute: les Prisons de Chair', sobre um dos episódios mais ricos da história medieval da França a rebelião religiosa dos cátaros. O resultado do novo álbum, lançado em setembro, e expresso por resenhas publicadas este mês é muito mais que satisfatório. Claro, 90 anos depois, a humanidade não se espanta mais com a 'absurda' adição que Pergaud trouxe à literatura: o linguajar do povo, sem adaptações para a forma culta. Mas a força de sua parábola sobre o belicismo na figura de garotos que inventam a guerra onde todos ficam nus ao final da batalha onde o objetivo é arrancar botões da roupa dos contendores se manteve presente e com acerto na transposição de suportes. E está de volta para as mãos de mais alguns milhares de jovens. Quem sabe, em outros idiomas.

 
A volta de Creepshow
 
Nem só pela mão da Marvel Stephen King volta a dialogar com os quadrinhos. 'Creepshow', filme de Stephen King e George Romero, realizado em 1982, ganhará uma nova montagem em 2006. Em Creepshow, a ingenuidade de dois  gêneros dos quadrinhos dos anos 50, o terror e o pulp são o tema sobre o qual King roteirizou um dos melhores filmes de Romero, um absoluto craque do gênero. No total, são 5 estórias que são baseadas neste tipo de HQs. Para mais, o filme deve trazer novos leitores e trazer outros de volta aos quadrinhos. Vamos esperar pois, dentro do gênero, muitas revisões importantes estão sendo feitas, e pode ser um apoio extra para que este tipo de quadrinhos seja conhecido em sua real dimensão, para além da censura e do desconhecimento: o retrato de um América ingênua que gostava de apimentar estórias. No caso de Romero e King, eles sabem usar bem estes ingredientes há décadas.

 
O 1º DVD para crianças com deficiência auditiva
 
Um DVD de desenhos animados para crianças surdas foi lançado ontem, em Portugal, e apresentado como sendo o primeiro DVD para crianças surdas do mundo. O DVD adpata os desenhos animados da série inglesa de TV 'Bob, o Construtor', destinado a crianças em idade pré-escolar, que é transmitida pelo canal 2 da RTP. A tradutora de linguagem gestual, Paula Teixeira, acedeu a um convite de Paulo Martinez, da empresa PSB, para mostra em linguagem de sinais o que acontece no desenho: tanto diálogos quanto música. A Associação Portuguesa de Surdos saúdou a iniciativa na pessoa de seu presidente, que gravou uma mensagem que está incluída no DVD reproduzida no início do filme.

 
Aprendendo com Robert Kirkman
 
No dia 5 de janeiro, a Image Comics estará pondo à venda, nos Estados Unidos, uma compilação que vai tornar acessível uma parte fundamental de um dos mais bem recebidos personagens do universo de super-heróis dos últimos anos, Invincible, criado por Robert Kirkman. Depois do primeiro compilatório dos gibis, em julho, os roteiros que Kirkman usou nos 6 primeiros números da revista estarão reunidos em 'Invincible Script Book 1'. Em 40 páginas em preto e branco e preço de 4 dólares, Invincible Script Book 1 terá capa do colega de Kirkman na série, Cory Walker. Um bom título para os jovens roteiristas de todo mundo começarem o ano aprendendo muito por um preço mais que razoável.

 
Resenha: Xaxado Ano 2
 
Xaxado Ano 2, um novo livro de 104 páginas que traz mais 365 tiras em preto e branco com as estórias e história de Xaxado, o menino sertanejo de Antonio Cedraz, foi lançado na Bienal de Livros da Bahia, em setembro. As tiras deste segundo volume foram publicadas nos anos de 1998 e 1999. As estórias continuam sendo criadas por Cedraz, com desenhos de Sidney Falcão, que mantem uma incrível fidelidade ao traço original do mestre baiano dos quadrinhos (nem tão) infantis.
 
A apresentação do livro traz um duplo detalhe revelador da relação das HQs com a imprensa baiana: em primeiro lugar, é um jornalista quem prefacia a obra, meu colega João Carlos Sampaio, que desde os bancos da faculdade já ajudava os diversos segmentos da cultura baiana a se ver melhor. O texto de João é muito feliz em apresentar a leitores mais exigentes as exatas dimensões das tiras de Xaxado, Zé Pequeno, Marieta, Arturzinho e muitas companhias, e ressalta seu profundo humanismo. NA apresentação da obra, o próprio Cedraz nos conta que foi através da editoria de municípios do jornal A Tarde (que era uma das glórias não re-conhecidas do jornalismo geral até pouco tempo atrás, sendo o mais fiel espelho que um jornal brasileiro trazia da totalidade dos fatos de seu estado, de longe. A Bahia é do tamanho da França, ressalte-se) que as tiras começaram a chegar todos os dias a dezenas de milhares de pessoas.

Bem, uma palavra da apresentação do Cedraz é chave para entender por que Xaxado não é somente mais uma tira: 'matutar'. Cedraz tirou desse exercício, tão salutar ao homem e tão em descrédito neste mundo dito pós-moderno, a origem e os contornos deste pequeno grande mundo. Não somos convidados apenas a nos deleitar com algumas boas risadas. O menino do interior resolveu ser generoso com a terra que o viu nascer, e desfia, tira após tira, um retrato muito comprometido da realidade de sua gente: dos párocos, do coronelato, da seca, das crenças e claro, das brincadeiras de menino que os garotos que vivem entre o video-game e o playground nem imaginam como sejam boas. Como bom matuto, Cedraz decanta suas estórias.
 
Para nossa sorte, a generosidade vem associada a uma mão segura e a um exercício de mais de 30 anos. Assim, temos uma variação bem-amarrada sobre os temas, e um domínio da técnica da tira, que exige o anticlímax rápido e certeiro que o mestre realiza tão bem, nestas sequências de 3 quadrinhos (quase todas) e umas poucas charges-cartuns de um quadro só. Assim, algumas sequências como a da morte da galinha (páginas 28 e 29) funcionam maravilhosamente em conjunto, mas que separadamente, também tem um efeito mais que satisfatório. Em outras tiras, Cedraz consegue faz das tiras poesia e não prosa, para falar da situação de sua gente, como na última tira da página 22.
 
A reunião em livro das tiras é um presente para quem possa pagar os R$ 15,00 que a obra vale por mesclar como poucas, fantasia, estória, história e reflexão.
 
Xaxado Ano 2 pode ser adquirido diretamente através da página eletrônica da Turma do Xaxado, onde há jogos, brincadeiras, tiras, a história de Cedraz e muito mais.

 
 
 
2 prêmios para MirrorMask
 
Os jurados do Festival Internacional de Cine Fantástico de Sitges 2005 , encerrado no dia 18, deram dois prêmios (entre 10) para MirrorMask, o filme dos quadrinhistas Dave McKean e Neil Gaiman em parceria com os Estúdios Jim Henson que mistura animação digital, boas doses das invenções de McKean e atores reais: um para maquiagem, e outro, muito mais relevante, para a direção artística. O visual, o forte de McKean, e o roteiro, de Neil Gaiman, continuam não sendo unanimidade entre os analistas, inclusive, nos Estado Unidos. A estória de Helena, menina que já mora circo e portanto não pode fugir dele, como é o sonho de outras crianças, chegou aos cinemas americanos este mês.

 
Miécio Caffé: o homem que primeiro caricaturou Pelé
 
Mais um artigo de nosso amigo Ruy Jobim Netto, qua acaba de ser escrito, pelo qual agradecemos a autorização de ser republicado. 
 
Para o baiano de Juazeiro, que morava frente a frente com o São Francisco (hoje, um rio às portas da UTI), que curtia atravessar as caudalosas águas a nado, desenhar a carvão em paredes branquinhas, o homem que primeiro caricaturou Pelé e José Vasconcelos, o criador imortal das Balas Futebol, qualquer crônica é pouca.
 
Muitas matérias saíram sobre o grande caricaturista em razão de sua morte, em março de 2002, aos 82 anos de idade. Várias foram as entrevistas ou por ele concedidas ou que ele mesmo empreendeu, durante os mais de 40 anos de residência em São Paulo, com os maiores nomes da MPB, de quem era amigo pessoal, com quem bebia whisky. Nem tão complicado é falar de Miécio, nem tão simples assim.
 
Fui o curador de sua última exposição. Ocorreu em São Vicente, no litoral sul paulista, mui singelamente, no espaço climatizado do CCBEU. Foi quando tive os primeiros contatos com o passe-patourt. Só que desta vez eles eram para emoldurar a obra do caricaturista que, inclusive, esteve no local para prestigiar a si mesmo.
 
Miécio teve três momentos em vida, muito bem separados. Um, da infância na Bahia, a juventude boêmia no Rio e os tempos da soldadesca. O segundo, ao lado da amada esposa, a gaúcha Hedy, com quem viveu até a morte dela, em 1992. E, finalmente, depois disso tudo. O terceiro desses 'movimentos', em adágio, foi o mais prolongado, o mais doloroso. Custou-lhe dez anos. Quase um réquiem.
 
Eu o conheci em 1986, na USP, nas colméias da Faculdade de Letras, numa palestra sobre quadrinhos, algo promovido pela Circo Editorial (de Luiz Gê e Toninho Mendes), algo para promover os artistas da casa. Miécio foi ao lado de Paulo Caruso. Miécio, de óculos escuros, sorridente, e Paulo, todo reverente ao mestre, fazia-lhe escada. Eu era um ouvinte, entre tantos.
 
Dez anos separaram esse momento do outro nosso encontro, quando eu, já professor de Histórias em Quadrinhos, fui-me perguntado por uma funcionária da Prefeitura de Praia Grande, a querida Carmen (filha da não menos querida e de grande lembrança, a professora Graziela Dias Sterque). A pergunta era se eu tinha notícia de que morava, naquelas paragens, um grande nome da caricatura brasileira. Logo quis saber quem era. Miécio Caffé de Oliveira. Propus-me a um telefonema para o artista.
 
Dele fiquei amigo, comecei a freqüentar sua casa. Acompanhei-o a Piracicaba, naquela fatídica passagem de agosto para setembro em que Lady Di morreu em Paris. No hotel, pela TV por assinatura, víamos as notícias sobre o fim trágico da princesa. No saguão, apenas a nata do nanquim brasileiro se tropeçava, encontrava, cumprimentava, saía e entrava de vans em direção aos variados eventos do Salão de Humor, em 1997. Miécio havia subido ao palco (com apresentação de Luis Fernando Guimarães) ao lado de outros dois monstros sagrados, Rodolfo Zalla e Lan. Os três foram homenageados.
 
Uma vez escrevi um artigo para o site Agaquê, do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos da USP sobre esses dias ao lado de Miécio. Um filme foi feito sobre ele, um curta-metragem. Afinal, em 35mm, nas telas, Miécio estará retido na memória dos que assistiram e dos que irão assistir a esse curta. Miécio, por sua vez, não está em muitos compêndios alfabéticos sobre a Caricatura nacional, o que não deixa de ser um deslize desses livros. Tempos de correções e erratas, por favor.
 
A coleção de discos de Miécio era algo de encher os olhos, mesmo sendo o rescaldo daquilo que outrora foi, e que foi entregue aos cuidados do MIS, em São Paulo. As capas com desenhos do artista eram briosas, as páginas antigas de jornal - todas muito bem catalogadinhas pela companheira Hedy, ao longo de minuciosos anos - eram de um cuidado só. Andar pelos quadros e fotos de Miécio ao lado dele era um privilégio, inclusive o quadro de dona Hedy, sobre a cama dele, um quadro com o efeito de enxergar, através dos doces olhos dela, quem quer que fosse, em qualquer ponto do quarto. Miécio se sentia protegido por um desenho que ele fez da esposa.
 
Ouvir música ao lado dele, não importasse o quê, era outro privilégio. Vê-lo chorar ao lembrar a querida esposa, e de como pretendia fazer-lhe companhia, era tocante. Ver as imensas galerias de fotos que ele possuía de seus 'personagens' era passagem obrigatória. Lembro de Elis Regina, aos montes, num de seus gavetões metálicos. Lembro de ele falar como o pincel resolvia tudo, não ele. Tínhamos que perguntar ao pincel sobre a obra do caricaturista. Trabalhadores incansáveis, os dois.
 
Um Pierrô no traço de Miécio
 
Outro momento que me ficou retido na memória foi um leilão promovido em São Paulo, em prol da saúde do grande artista. Muitos famosos foram, um e outro canal de televisão também o fizeram, e é o tipo de coisa que nos faz pensar que esses dias nossos de hoje são realmente muito estranhos - passam pessoas pela nossa herança cultural, pessoas às centenas, gente boa, feito Miécio, e os meios de comunicação em geral dedicam-lhes uma ou duas linhas, um obituário (se for o caso), uma matéria de uma ou duas colunas, um box pra preencher espaço - o famoso calhau - e no dia seguinte isso tudo é assoberbado por um atentado terrorista aqui ou acolá e fatalmente enrolará bananas ou peixes, dias depois.
 
Herança, enfim, está e fica retida em nós, em cada momento. Somos inexoravelmente o resultado, para melhor ou para pior, do que outros, anteriores, já experimentaram às expensas. Um acervo artístico e humano como o de Miécio fica guardado na nossa memória, exatamente como uma boa peça teatral. E, neste exato momento, entre uma roda ou outra de whisky, uma roda bem boêmia, ao lado de Vinícius, Orlando Silva, alguns jogadores famosos do passado - e a mais nova ingressa da turma, Emilinha Borba -, estão lá Miécio e sua amada Hedy, juntos. Mesmo que ele esqueça o nome de alguns ao cumprimentar, como era de costume. Mesmo que a esposa passe por trás dele, infinitas vezes, e com toda a paciência do mundo continue a dizer, eternidade afora: 'Miécio, esse é fulano de tal'.
 
Essa crônica me foi encomendada por Eloyr Pacheco(*), o sujeito para quem certa vez mostrei uma obra de Miécio, verdadeira raridade, de 1945, uma História em Quadrinhos do grande caricaturista - algo bem no estilo Lee Falk - chamada Fu Manchu. Um grande abraço, Miécio. E obrigado por ter conduzido o seu pincel com sua baianidade tão universal. 
 
(*)Entre outros pontos de sua carreira, editor do portal Bigorna, onde tanto Ruy como eu próprio temos tentado colaborar para criar um centro de referência sobre a Nona Arte no Brasil.
 

ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos