Quadrantes dos
Quadrinhos, 20/10/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
Morreu Tom
Gill
Tom Gill, o maior
desenhista da série western Lone Ranger (o Cavaleiro Solitário /
el Llanero Solitario), morreu neste dia 18, aos 92 anos, no estado de
Nova York. Tom Gill também foi o ilustrador de Bonanza e de Billy the Kid,
em quadrinhos. Gill desenhou Lone Ranger entre os anos 50 e 70, apesar de
não sair de Nova York. Nos anos 40, Gill realizava tiras diárias, que não
chegaram nem perto do sucesso de seus personagens de western, onde seu traço
firme acabou por tornar extremamente popular, também o índio Tonto. A série de
Lone Ranger foi continuada, em 1957, por Charles Flanders, que não teve o
mesmo desempenho de Gill. Ainda esta semana, o mestre contou, com todo bom humor
e humildade do mundo, numa visita a Albuquerque (no Texas) como tudo começou:
coma a compra de um manual de 1 dólar que ensinava a desenhar cavalos,
sabidamente, o maior desafio de qualquer desenhista no mundo. Com certeza, a
esta hora, o céu está mais cheio de estórias para contar. NOTA:
No Brasil, por influência do
filme do 'Zorro' de 1940, Lone Ranger acabou sendo rebatizado como
Zorro.

Mais uma vez,
quadrinhista do ano
A maior feira de
livros do mundo, em termos comerciais, a de Frankfurt, além de patrocinar o
evento 'Faszination Comics' (conforme noticiamos no Quadrantes dos Quadrinhos de 30 de setembro), também é palco para a atribuição, a cada ano do prêmio de
melhor quadrinhista do ano, através da escolha de um júri indicado pelo portal
Comic.de. Mais uma vez, o laurel foi para Craig Thompson, por
Blankets. Particularmente na Alemanha, o prêmio acabou sendo um incentivo
muito grande ao pequeno e autoral selo que editou a obra em alemão, a
Tilsner.
O 1º
Superman
A DC Comics fez chegar
às gibiterias americanas, neste dia 19, um grande presente para a memória do
Homem de Aço: 'Superman in the Forties', um encadernado de 192 páginas que traz
a reprodução de algumas das primeiras HQ de Superman, inclusive, de seus
criadores, Jerry Siegel, e Joe Shuster, além de artistas como Bill Finger, Don
Cameron, Wayne Boring e Jack Burnley. O desenho da capa de é de Joe
Shuster. Entre as preciosidades do volume, que custa 20 dólares, as Action
Comics e 1, 2, e o primeiríssimo gibi de Superman 1, de 1938.
O cosplay, em
livro da Tunué
A Tunué, editora
que se
originou do portal especialista de quadrinhos Komix.it, acaba de lançar uma
obra de referência sobre o cosplay, um dos costumes mais originais dos jovens
otakus em todo o mundo (o de se exibir em eventos e feiras com trajes e
fantasias de seus personagens prediletos de mangás e animês). O livro se chama
'Cosplay Culture: Fenomenologia dei Costume Players Italiani', tem 160
páginas e preço de 14,50 euros. O livro é assinado pelo
pesquisador e também quadrinhista Luca
Vanzella. e seguir a seriedade e o bom senso que tem ditado as produções da
Tunué, não só vai ser uma obra útil para se conhecer a realidade dos otakus da
Itália, mas, também, servir como um apoio para outros livros no mesmo
sentido.
Che Guevara à francesa e à americana
Na falta de
ídolos ou de pessoas que sejam exemplos na sociedade que nos
deram, é natural que Ernesto Ramon Guevara seja tema de
quadrinhistas. Em janeiro de 2006, Maryse Charles, Jean-François
Charles e Olivier
Wozniak inauguram uma nova coleção da Casterman, chamada Rebels, com o
álbum Libertad, que será publicado simultaneamente em francês e em holandês. O
álbum de 48 páginas - e preço anunciado de 10 euros - vai trazer não só a
trajetória do guerrilheiro Che Guevara, mas - também - os primeiros passos do novo governo
cubano, o que iclui os espisódios da Bahia dos Porcos e a Crise dos Mísseis. Já
nos EUA, um espertalhão de nome Ian Harker lançou um pastiche da pior qualidade,
unicamente para explorar o interesse despertado pelo filme 'Diários de
Motocicleta', do brasileiro Walter Salles, O gibi de 3 dólares é uma
colagem de pastiches para que um garoto semi-letrado do interior do Kansas ache
que leu uma HQ inteligente.
Katsuya Terada
à francesa e à americana
Agora, em
outubro, Katsuya Terada está tendo a oportunidade de se associar a dois nomes
que são referentes das Bandes dessinées: a editora Dargaud e o roteirista
Jean-David Morvan, com a publicação de 'Vamos, Vamos', o 1º álbum de uma série
que tem por nome 'Le Petit Monde', álbum que anunciamos no Quadrantes dos
Quadrinhos, dentre da tentativa da tradicional casa editora de BDs de
aproximar os mangás dos quadrinhos europeus. Agora, já é possível conferir, aqui, uma prancha e aqui, um especial online deste novo trabalho do desenhista que ganhou seu espaço, principalmente
pela sua releitura visual das capas de Wolverine. Já nos EUA, o ilustrado
japonês está tendo a oportunidade de mostrar suas qualidades a solo, pelo selo
da Dark Horse, com O 1º volume de The Monkey King, que é apresentado
como o 1º mangá em inglês de Terada. A estória, originalmente publicada no
Japão através da Ultra Jump, e retoma a lenda chinesa (que já deu
origem ao conhecido mangá Dragon Ball, criado por Akira Toriyama) Viagem ao
Ocidente, sobre um rapaz com uma cauda de macaco que teria sido artista marcial
mais forte e seu tempo, e que recebe uma incumbência do próprio Buda.
Lançado no final
de setembro, o tankubon tem 136 páginas e preço anunciado de 15
dólares. A editora disponibilizou 4
páginas para ser conferidas online.

O fim de
uma ponte entre França e EUA
A semana
trouxe o comunicado oficial de que o iBulle, uma das melhores pontes
entre os quadrinhos americanos e o público francês (mas não só) deixará de ser
atualizado. Assim, o site que dava conta de publicar com mais constância e
qualidade os chamados previews de gibis dos EUA na Europa deixa de ser uma boa
referência para todos. Na verdade, as apresentações das canjas não só eram
constantes como também muito bem apresentadas. Esperamos que o comunicado
publicado no portal, de que os remanescentes do projeto original estão aceitando
projetos de apoio ao site venha a ter uma resposta positiva. De nossa parte,
fica o agradecimento ao trabalho de anos destes colegas.
10 anos sem
Jesús Blasco
Em 21 de outubro de
1995, Deus levou para perto de si uma dos maiores nomes de todos os tempos dos
tebeos, o catalão Jesús Monterde Blasco. Poucos artistas
realizaram em vida tantos tipos de quadrinhos com tanto sucesso quanto ele. Além
de Cuto (publicada em português), criação sua e que é um verdadeiro marco
da Nona Arte na Espanha, Jesús Blasco trabalhou, o mais das vezes, como
ilustrador, em séries e revistas tão diferentes como a mítica Capitan
Trueno, Tex e Spirou.
Blasco também realizou uma versão da Bíblia assinada por
ninguém menos que Claude Moliterni e uma adaptação das aventuras
de Marco Polo para quadrinhos, 'As Viagens de Marco Polo', publicadas em
Portugal nos semanários juvenis da Fomento, nos anos 50. Uma pequena amostra da
variedade de seus traços pode ser conferida aqui.
Uma
boa revista ilustrada de R$ 1
Revistinha Papel
Carta foi uma surpresa brasileira que encontramos em banca, esta semana. A começar pelo
preço: R$ 1,00(*), para uma publicação colorida de 12 páginas. A Revistinha Papel
Carta traz, como o nome sugere, papéis de carta que podem ser destacados para se
ofertar algumas palavras românticas para outra pessoa, além de 2
passatempos (palavras cruzadas e caça-palavras). Para nós, a revista vale por
dois aspectos fundamentais: as ilustrações, a cargo do Estúdio Nuvem Azul (Caixa
Postal 16.352, CEP 02599-970) não ficam em nada a dever às melhores publicações
do gênero, nacionais ou não. Segundo, se levarmos em conta que a responsável
pela revista, a Editora
Minuano, que aposta em pequenos porém
consolidados segmentos como o artesanato e outras variações das artes
manuais, não tem o porte de uma Editora Abril (que publica também gibis a R$1)
consegue por nas bancas uma revista a este preço (pagando a comissão à
distribuidora e aos donos de bancas), pode-se sugerir que eles tem o que nos
ensinar neste particular e, acrescentamos, mostra que é possível se fazer boas
publicações institucionais, se forem realizadas em pacotes como
produto para fixação de imagem a preços muito baratos. A Minuano também
publica algumas revistas infantis, que você pode cohecer aqui.
(*) Algo como U$ 0,40

Halloween
no site de Daryl Cagle
O Daryl Cagle's Professional
Cartoonists Index, portal dirigido pelo
cartunista americano Daryl Cagle é um dos melhores nichos virtuais para se
acompanhar alguns dos melhores cartunistas dos EUA e do mundo. Normalmente, os
assuntos da semana são apresentados tematicamente, com charges de vários
artistas diferentes. A nova seleção de trabalhos tem como tema a presença
de Saddam Hussein numa corte americana. No mês do Halloween, o portal abriu
espaço para uma brincadeira online do cartunista político Steve Sack,
que sai um pouco de sua linha de cronista social e criou uma
bem-humorada casa assombrada
interativa.