A Vertigo relança V for
Vendetta
Um dos mais
importantes títulos dos quadrinhos americanos nos últimos 20 anos, V for
Vendetta (V de Vingança) está prestes a virar filme (apesar de sérias restrições
de seu roteirista, Alan Moore). Mas parece que a briga entre o quadrinhista e a
editora DC Comics por conta do filme não chegou ao ponto de impedir que suas
contribuições únicas deixem de chegar às mãos dos leitores, principalmente os
mais jovens. A Vertigo, o selo adulto da DC, tem mais um presente este
mês: chegou ontem às gibiterias americanas a reedição da obra, em um único
volume de 296 páginas, em capa dura, ao preço anunciado de 24 dólares. A
nova versão desse libelo contra o totalitarismo traz 8 páginas adicionais
de desenhos de David Lloyd e segue a segunda versão da HQ, a colorida. Para quem
ainda não conhece a obra, indicamos este texto
do site brasileiro dedicado a Alan Moore.
A arte de Stan
Sakai
Provavelmente,
nenhuma outra série contribuiu tanto como Usagi Yojimbo, de Stan
Sakai, para que o resto do mundo descobrisse que o manga é uma forma de
expressão dos quadrinhos que permite muito mais do que grandes
olhos e bocarras. Criada em 1985, e rapidamente 'pescado' pelos olhos
atentos da Fantagraphics em 1986, a série foi publicada em todos os países
que têm um mínimo de estruturação do mercado de quadrinhos. Em
fevereiro, na mesma linha de 'The Art of Sin
City' e 'The Art of Hellboy', a Dark Horse vai lançar uma versão encadernada do
livro em capa-dura que ganhou 2 prêmios Eisner pelo cuidado
editorial: The Art of Usagi Yojimbo, que terá 200 páginas ao preço de
30 dólares, tornando mais acessível a arte e os ensinamentos Stan
Sakai. O volume ainda traz ilustrações de fãs do coelho ronin do porte
de Frank Miller, Jeff Smith, Sergio
Aragonés e Matt Wagner.
A nova série do
Homem-Aranha
Os
primeiros gibis de 'Friendly Neighborhood Spider-Man' (com o
identicamente bem marketeado subtítulo de
'Spider-Man: The Other: Evolve or Die, Part One: Shock') , que
tem roteiro de Peter David e desenhos de
Mike Wieringo, às mãos dos resenhistas americanos, tornando mais fácil
saber as possibilidades e o sentido da (mais uma - a quinta, se não nos
perdemos) nova série do Homem-Aranha. Os dois já tinham assumido o
personagem antes, mas nunca em conjunto. Wieringo se esforça em manter o
Cabeça-de-Teia dentro do perfil que dezenas de milhões de pessoas conhecem em
todo o mundo, enquanto David criou um roteiro que também é - digamos -
convencional, no qual Peter Parker têm alguns pesadelos próprios de sua condição
de meio-aracnídeo (o que caba gerando algumas sequências
interssantes) quando entra em cena um novo super-vilão, Tracer. Mas a trama
vai demorar para aquecer, até por que, mais uma vez, uma série da Marvel está
condicionada aos chamados crossovers com outras séries. Mas deve
trazer de volta muitos leitores do Homem-Aranha. Uma edição especial,
com capa de John Romita Sr. e
preço de 20 dólares vem tendo excelentes vendas.

Geoff Dunbar
ilustra livro de Paul McCartney
O primeiro livro
de Paul McCartney chegou aos EUA esta semana: High in the Clouds (traduzido no Brasil como ''Lá no Alto das Nuvens'), que tem como protagonista um esquilo e é ilustrado por Geoff Dunbar. O Beatle teve o cuidado
de procurar o apoio de um autor especializado em literatura infantil, Philip Ardagh. O bom e exigente jornal londrino The
Guardian destacou Philip Ardagh como autor infantil do mês de julho na
Grã-Bretanha, pela obra. Se bem que o próprio Ardagh diz que a
presença do ilustrador e animador Geoff Dunbar com vários
desenhos não faz de High in the Clouds um livro ilustrado, a
rigor, a escolha de Mc Cartney repete o cuidado que Madonna teve com este
aspecto. Dunbar está no setor da animação há 31 anos, e já faz parte da carreira
de Paul há mais de 20 anos, desde os tempos em que a estória
infantil 'Rupert and the Frog Song' foi
para a TV, em 1985, criada por Paul e realizada por Dunbar. Bom saber que um dos
maiores nomes da cultura mundial mantem boas parcerias antigas e
acerta a mão em novas misturas entre as artes. Melhor para o leitor

A IWW segundo
Harvey Pekar
A IWW (Industrial
Workers of the World) é talvez a maior das organizações operárias dos
Estados Unidos que conseguiu fugir ao peleguismo da central sindical
americana AFL-CIO (que por sinal, rachou ao meio, este ano). Agora, a sua
trajetória de lutas e de solidariedade com vários povos ao longo de mais de 100
anos - em especial de um de seus setores mais aguerridos, os Wobblies - é
mostrada em um álbum de 306 páginas, que conta com HQs de autores do porte
de Harvey Pekar, Peter Kuper, Trina Robbins,
Seth Tobocman
(que não é o Seth vencedor do Eisner, e sim, um quadrinhista independente de
Nova York), além de cartuns dos próprios artista da IWW (muitos dos quais podem
ser vistos na página eletrônica da
entidade), chamado 'Wobblies!: A Graphic History
of the Industrial Workers of the World'. Assim, a Nona Arte traz uma contribuição para que a trajetória
da IDW, dos discursos de Emma Goldman (brilhantemente biografada no
Brasil por Elisabeth Souza
Lobo) à solidariedade com os trabalhadores mexicanos seja conhecida e -
esperamos - passada de mão em mão. Não 'por
caso', a obra lançada em abril só veio a ser divulgada agora, pelo portal Last
Gasp, tendo tido um tratamento totalmente diverso de HQs que foram encomendadas
para incensar gente que além de não ter nada a ver com a Nona Arte, ainda se
mostrou dócil aos poderosos do mundo, uma vez no poder.
Astérix: o bom
fim?
Apesar do Le
Nouvel Observateur contar com uma das melhores jornalistas de
quadrinhos que uma revista mantem no mundo - Laure Garcia - foi a
editoria de economia do semanário quem trouxe uma notícia que consideramos
confortante. Ao final de uma matéria que esmiúça as cifras o 33º álbum de
Astérix, vem uma declaração do desenhista Albert Uderzo (que continuou a solo os
álbuns depois do falecimento do roteirista René Goscinny, em 1977): se depender
dele, a série não terá outros desenhistas ou roteiristas após o seu falecimento,
seguindo o que Hergé fez com Tintin. Como no caso
de Astérix, Albert Uderzo tem o poder, em boa medida, para definir sobre a
continuação ou não da série, esperamos que ele não mude de idéia, pis a simples
sequência que ele assinou sozinho já diminuiu imensamente a qualidade artística
da série. Com a exceção (que confirma a regra) de Franquin em 'Spirou', ainda
não houve caso de série de bandes dessinées em que os seguidores
mantivessem a qualidade do original. Aliás, o último caso foi o retorno de
Cubitus, que anunciamos em
maio. Pelas primeiras resenhas, era melhor não ter
acontecido...

O
novo blog do Neorama dos Quadrinhos
Nós já criamos um
blog para poder participar do Tebelogs, a maior central mundial de blogs de
quadrinhos do mundo, para publicar, principalmente, notas em
espanhol. Agora, aproveitando a nossa própria dica de ontem, criamos
um blog
no Voy, no qual pretendemos tornar mais ampla e ágil a nossa
publicação, principalmente de releases recebidos e de comunicados oficiais
para o Neorama dos Quadrinhos e também para o Neorama da Cultura.
Apesar do Voy não ter tantos recursos como
outros geradores de blogs, a sua atualização é mais rápida e permite que a
visibilidade do nosso trabalho ganhe mais um ponto onde ele é condensado.
Portanto, pedimos a quem tenha releases que nos enviem, mas sem imagens ou
anexos (esperamos não receber os típicos in-comunicados do
tipo 'aê, tem umas ilustras novas no meu site'). Lembrando
que, claro, links com notícias, comentários e análises sobre a Nona Arte
sempre continuam bem-vindos.
40 anos do
1º fanzine brasileiro
O Neorama dos
Quadrinhos pediu autorização para publicar este artigo, de autoria do jornalista
Edson Rontani Jr.
Uma das formas
considerada manufaturada de ser fazer uma publicação completou nesta
quarta-feira seus 40 anos de lançamento no Brasil. Foi em 12 de outubro de 1965
que o desenhista de Piracicaba (SP) Edson Rontani criou o primeiro fanzine
nacional. Na época, o informativo nem era denominado de fanzine, tanto que o
'Ficção' foi lançado com o nome de boletim informativo para amantes das
histórias em quadrinhos.
O termo fanzine foi
muito utilizado nos Estados Unidos incorporando-se à linguagem brasileira no
início dos anos 70. Ele deriva das palavras 'fan' (fanático) e 'magazine'
(revista), entendendo-se por ela como sendo a revista do fã.
O fanzine era, quando
criado, uma publicação alternativa e de baixo custo, utilizando-se de poucos
recursos numa época em que máquinas copiadoras (como a Xerox) ainda eram objetos
caros e sua utilização não havia sido tão disseminada quanto hoje. O computador
pessoal (PC) nem havia sido criado. Restava então a opção de impressão em
clicheria, mas o alto custo das gráficas impedia qualquer projeto desenvolvido
pelos pequenos inovadores. O recurso de cópias na época era, então, o mimeógrafo
a tinta e mais tarde o mimeógrafo a álcool onde o estêncil reproduzia uma
quantidade limitada de reproduções.
Foi assim que sem
setembro de 1965, Edson Rontani usou de sua habilidade de desenhista e uma
máquina de escrever para lançar o 'Ficção' que teve duração de pouco mais de uma
dúzia de edições. A impressão era feita em mimeógrafo a tinta, portanto, preto e
branco. Nele, foram divulgadas curiosidades sobre personagens de histórias em
quadrinhos (Batman, Superman e outros), editoras da época (Rio Gráfica, Editora
e EBAL, entre outros) e publicações (O Lobinho, O Tico-Tico entre outros).
Rontani catalogou nas edições deste fanzine tudo o que era de seu conhecimento
pois até esta época não havia sequer um levantamento das revistas em quadrinhos
publicadas ou quais editoras foram fundadas no país. Como colecionava revistas
desde sua infância, ele as estudava e guardava dados históricos para dividir com
outros colecionadores estes conhecimentos.
A tiragem dos primeiros
fanzines era de 600 cópias distribuídas pelo correio entre colecionadores de
revistas em quadrinhos. Nos arquivos deixados por Rontani, constam fichas de
destinatários dos fanzines os nomes de José Mojica Marins (o 'Zé do Caixão'),
Gedeone Malgola, Adolfo Aizen, Maurício de Sousa, Jô Soares, Lyrio Aragão e
outros desenhistas ou aficionados em quadrinhos.
O lançamento do
primeiro fanzine ocorreu no dia 12 de outubro de 1965, talvez por seu autor ser
devoto de Nossa Senhora Aparecida, fato este nunca assumido por Rontani. Depois
do 'Ficção', em 1971 ele lançou uma nova versão intitulada 'Fanzine Ficção',
depois em 1974 lançou o 'Universo H.Q.', finalizando o ciclo de fanzines
com o 'Rontani Fanzine' em 1982.
Rontani tinha
paixão pelos quadrinhos chegando a passar por suas mãos mais de 170 mil
exemplares de histórias em quadrinhos. Possui juntos ao mesmo tempo cerca de 74
mil exemplares. Foi desenhista artístico e lecionava desenho em seu Instituto
Orbis, situado no centro de Piracicaba. Criou - em 1948 - o 'Nhô Quim',
personagem considerado como mascote do E. C. XV de Novembro de Piracicaba. Sua
memória é perpetuada até hoje pelo Jornal de Piracicaba com a publicação semanal
da coluna 'Você Sabia?' que ele editou de 1982 a 1997, ano em que faleceu.
Aposentou-se como desenhista técnico da Secretaria Estadual de
Agricultura.