, que
tem influências do mangá. 2 palestras, dos pesquisadores e editores de
quadrinhos Jiří Pavlovský e Stepan
Kopřiva, vão levar um pouco do muito que eles conhecem da história
das HQs na Eslováquia e na Tchéquia aos jovens que se farão presentes. Entre os
convidados internacionais, nenhuma estrela: o maior destaque é um polonês Jacek Frąś, vencedor do prêmio de melhor
jovem talento no festival de Angoulême, em 2001. Os grafiteiros Slaven
Kosanovic - croata- , do Lunar, e o búlgaro Valeri Gyurov
marcam a presença dos Bálcãs no evento, que conta ainda com 2 egípcios e um
fanzineiro francês: Simon Liberman.
A Cantábria vê
mais longe.
Depois de 'Operación
Koala', álbum de HQs de Iñigo Ansola que conta a história da Cantábria
e de 'Una Aventura en el Tiempo', desenhado por María Isabel G. Mingo com
roteiros de José Luis Casado Soto que conta a história do porto de Santander
desde há 4.000 anos atrás e
que foram lançados em abril, e de 'El Hombre Pez', de Laura Sua e Luis Miguel
Artabe, que reconta a estória quase lendária de um 'homem-peixe'
passada em 1674, lançado em junho, a Cantábria traz este mês, mais duas
boas notícias: no dia 13, esta 'imponderável' realidade que é o coletivo
'Astillero por la Cultura', na cidade de El Astillero abre a exposição relativa ao seu 7º concurso de
quadrinhos, para jovens até 16 anos. Muito mais longe, a Cantábria foi até
um dos pontos mais indicados este ano para se divulgar um projeto de
quadrinhos este ano, em todo o mundo: a Expo de Aichi, o maior evento do ano, no
Japão, dando um pequeno 'troco' à invasão dos mangás, com uma obra preparada
especialmente para a ocasião: o governo regional da Cantábria promoveu a
publicação de um álbum especial de Pedro Soto, desenhista de Santander, que foi procurado pelo órgão de turismo daquele governo (e não o contrário) que teve roteiro de Jesús Varas, presidente da Asociación
de Amigos de la Narración Gráfica, para mostrar - em
quadrinhos - as belezas e a rica história da região do norte da Galícia.
Com o título de 'Cantabria, entre el Verde y el Azul: Diario de un
Viaje', o álbum teve 10.000 exemplares que oram distribuídos em
setembro no pavilhão espanhol em Aichi. A obra tem como protagonista uma jovem
japonesa que acaba 'viajando', com amigos pela Cantábria. O primor
de cuidado com a obra se revela no tradutor escolhido: ninguém menos do que
o quadrinhista hispano-japonês Ken Niimura, que entende muito bem
das duas culturas e da mentalidade japonesa.
Motivos mais que
suficientes para ficar de olho na 3ª edição do Salón del Libro Infantil y
Juvenil de Cantabria, que deve ocorrer em abril de 2006, vencido - este ano
- por Mikel Valverde, um artista que - não por caso - transita muito bem entre quadrinhos e
ilustração. Na edição de 2005, vale também registrar o projeto de coleta de
livros infantis para crianças do
Saara. chamado Sahara un
Pueblo en el Exilio. Uma convocação extra aos artistas do
traço também foi feita pela cidade de Ayuntamiento de Castro Urdiales,
com prêmio de 600 euros, para o cartaz das festas de San Andrés 2005, cujo prazo foi encerrado no dia 28 de
setembro.
Um presente no Dia das
Crianças
Cassiopéia, o primeiro
longa-metragem 100% modelado, animado e com imagens geradas
totalmente por computador em todo o mundo, será exibido no dia 12 de outubro, Dia da
Criança no Brasil, pela rede estatal TVE, para todo o país, às 16h00
(horário de Brasília). O filme de Clóvis Vieira foi um pioneiro do
cinema virtual e das aplicações em 3D. O filme tem 80 minutos e custou
U$ 1.500.000, um orçamento pequeno, em termos mundiais, e demorou 4 anos para
ficar pronto. Apesar do que tentam dizer alguns arautos da Disney, Toy Story não
foi o primeiro filme virtual da história, pois usou modelos em argila.
Cassiopéia é sobre uma crise
em Atenéia, planeta da constelação de Cassiopéia, cujos habitantes vivem em
harmonia e (portanto) em felicidade., até que intrusos aparecem para
absorver a energia de seu Sol. No site oficial de Clovis Vieira, você não
só encontra todos os motivos para não perder o filme como também, a descrição de
3 estórias suas em quadrinhos: Strego, o Mago, Pifft, o morceguinho aventureiro,
e Geração de Aquário.

Graphic novel sobre
paleontólogos
Depois de ter
enriquecido os quadrinhos com algumas obras que têm feito - muito bem - a ponte
com as ciências, como em 'Suspended in Language',
sobre 2 dos maiores refundadores do pensamento da física, Niels Bohr e Werner
Heisenberg, Jim Ottaviani lança 'Bone Sharps, Cowboys, and Thunder
Lizards' que mostra 2 paleontologistas e seu trabalho único no
século XIX: Edwin Drinker Cope, que
catalogou nada menos que 1.200 espécies animais, e Othniel Charles Marsh,
que já nasceu predestinado a ser levado às ciências, sendo sobrinho do grande
filantropista George Peabody, a quem convenceu a fundar o Museu de História
Natural de uma das maiores universidades americanas: Yale, numa época em que ser paleontólogo - mais do que hoje - envolvia fortes doses de aventuras e convívio com personagens do mais puro western. Ottaviani não é nenhum para-quedista no mundo dos quadrinhos: ele já realiza (e pensa) obras desse tipo há mais de 10 anos; portanto, ele já conhece muito bem os meandros que fazem de uma HQ uma estória interessante, e não uma transcrição de uma outra estrutura narrativa.
A HQ também
aproveita para fazer a ponte com vários personalidade que enriqueceram os
sonhos possíveis da América de então: a começar por Charles R.
Knight, o primeiro ilustrador a tornar conhecidos
os dinossauros por amplas camadas da população, P.T. Barnum, dono do circo mais popular dos EUA naquela
época, o herói do ideário americano Buffalo Bill, e o inventor Alexander Graham
Bell. Assim, Ottaviani amplia o enfoque sobre a inventividade dos 2
cientistas para um quadro mais geral, próximo da verdadeira aventura que
eram as descobertas, naquele tempo.
A capa é de
Mark Schultz (ganhador de 5 prêmios Harvey e 2 prêmios Eisner), e os desenhos do
coletivo Big Time Attic (leia-se
Zander Cannon, Shad Petosky e Kevin Cannon). A
obra encadernada, em 168 páginas em formato italiano, em papel sépia, tem preço
anunciado de 23 dólares. Um guia está sendo preparado para que o álbum seja
usado adequadamente em salas de aula.
O Hulk
de Eric Powell
Marvel Monsters Devil
Dinosaur, cujo primeiro número saiu no dia 5, pela Marvel,
não é apenas 'mais uma' revista do Hulk ou 'mais uma' estória
sobre dinossauros, apesar de uma trama razoavelmente já vista: um debate nos
primórdios da terra sobre a supremacia entre seres e que acaba com a irrupção de
Hulk em cena, combatendo um dinossauro, com roteiro de Eric Powell,
ganhador de inúmeros prêmios merecidos, como o Eisner, por sua série The Goon'.
A começar pelo fato que a revista, em 48 páginas e preço de 4 dólares,
também traz a republicação da primeiríssima estória do Hulk como Xemnu the
Titan, criada por Jack Kirby no início dos anos 60. E, claro, por que a
estória de Powell não é uma HQ de porrada e, sim de irreverência. Ponto
para a Marvel que começa sua série 'Marvel Monsters' de uma forma duplamente
interessante, com 2 estórias fechadas que devem ser lidas por novos leitores e
chamar a atenção de velhos apreciadores de gibis.
O mundo pós-moderno, pela
Vertigo
Esta semana, relendo o
excelente catálogo da editora Delcourt para o ano de 2005, nos ocorreu a
necessidade de escrever um comentário sobre a visão que determinadas pessoas
ainda têm dos quadrinhos. Na verdade, quem lê bons quadrinhos de variadas
tendências e latitudes, está mais vacinado para perceber a amplitude dos
movimentos das corporações sem rosto que tomam controle do mundo cada vez mais
do que quem consome as chamadas hard news dos jornalões, submetidos por
sua lógica comercial a dizer sim a estes arautos do mundo pretensamente 'sem
história'. Agora, a Vertigo, selo adulto da DC Comics, faz mais uma importação
aos quadrinhos que pode somar boas doses de reflexão sobre o
tema. Trata-se de Testament, roteirizado por Douglas
Rushkoff, vencedor de um prêmio Marshall Mcluhan e consultor
da ONU para assuntos culturais. Testament, diferentemente de outros marcos dos
quadrinhos, não coloca mais o domínio da mentira institucionalizada como algo
que vai acontecer no futuro. A HQ vai além do enunciado, e mostra como este novo
tipo de fascismo se vale de noções difundidas no mundo Ocidental desde há
séculos. O artifício narrativo usado por Rushkoff é imaginar como seria a Bíblia
se estivesse sendo escrita nos dias de hoje. Para mais, os desenhos são de do
inglês Liam Sharp
(de Juiz Dredd, X-Men e Hulk), que, pelas artes já divulgadas, parece
estar em seus melhores momentos. Aliás, Sharp diz que este é 'o' trabalho de sua
carreira. Testament chega às gibiterias americanas
em dezembro.

2005 termina bem na
Image
No dia 7 de dezembro,
chega às gibiterias americanas a revista com a qual a editora especialista Image
Comics celebra um bom ano, em novos títulos e retorno dos leitores (que deve ser
reforçado por um de seus bizarros lançamentos, este mês: uma versão mangalóide
de Spawn). Trata-se de Image Comics Holiday Special 2005. Em 100 páginas, ao
preço de 10 dólares, a revista traz HQs inéditas de autores das séries que
fizeram deste um ano bom para a editora, que publica uma enorme variedade de
estilos. A listagem de autores mostra uma predominância de bons roteiristas, mas
o time de ilustradores começa com o capista, muito bem selecionado: Frank Cho.
Compõem o especial, entre outros, Joe Casey, Robert Kirkman, Scott Kurtz e Jim
Valentino. Ainda em dezembro, a
Image lança mais uma série de ficção científica bem ao estilo do roteirista
Steve Niles, Bad Planet, cheia de aracnídeos... e a série The Intimidators, que
confirma a ascensão do desenhista português Miguel Montenegro na cena americana,
um sketchbook de Arthur Suydam (artista mais conhecido do grande público por seu
trabalho em Conan), Blood River uma graphic novel roteirizada por Michael Avon
Oeming baseada em fatos reais da juventude dos anos 70, um álbum do independente
e criativo Jim Mahfood sobre One-Page Filler Man, um super-herói filósofo algo
doido.

Horror em
Nashville
Neste final de
semana, os criadores de quadrinhos de um dos gêneros preferidos pelos
americanos, o terror (ou horror, como preferirem), se encontram em Nashville, no
Tennessee, na 5ª edição do October Comic Horror Fest, que também tem a
presença de atores de filmes do gênero. Para um festival que não mereceu espaços
maiores dos colegas da crônica americana, as presenças de realizadores são mais
que representativas, pelo alcance de seus quadrinhos, seja em vendas, seja em
possibilidades narrativas: Bob Burden (da inteligente série Flaming
Carrot), Eric Powell (The Goon) e Phil Hester (que é mais conhecido por seus
quadrinhos de super-heróis mas é exímio criador de monstrinhos), além de
coletivos de quadrinhistas, selos e revistas que são especialistas em
aterrorizar leitores. O evento acontece somente no sábado e no domingo, no
Music
Valley Event Center, ao preço mais que razoável de 5 dólares por
dia.