Quadrantes dos Quadrinhos, 06/10/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos


 
Batman e Wolverine no mesmo filme
 
Batman Begins parece que trouxe, mesmo, muito prestígio para Christopher Nolan. Seu próximo filme não será Batman Begins II, e sim 'The Prestige',  no qual ele terá a parceria de seu irmão, Jonathan. Em 'The Prestige', Nolan se baseia em uma novela de Christopher Priest, escrita em 1996, em que os protagonistas são dois mágicos londrinos de 1878 que sempre competem pelos aplausos, e que serão substituídos, no filme, por Wolverine e Batman. Christopher Priest já deu origem a outro filme de Nolan, 'Memento'. Para o filme, que pode começar a ser rodado em janeiro, Nolan pretende contar com os atores Hugh Jackman (que está gravando cenas de X-Men 3) e Christian Bale (o protagonista de Batman Begins), mas também se fala em Jude Law, no elenco. AInda é cedo para saber como Nolan vai se sair com este trabalho, mas dá pra afirmar que só muito prestígio para conseguir por no mesmo filme ícones absolutos das rivais DC e Marvel...
 
 
Brincando de nigaoê
 
Uma nova possibilidade foi aberta para que qualquer internauta que brinca de realizar as caricaturas ao modo japonês (os nigaoês) colocar seus trabalhos online: a Bemmu's Manga Shop está colocando, neste link, trabalhos realizados desta forma, e que são calcados, em boa parte, em personalidades do chamado show-business dos EUA. É claro que o democrático exercício acaba trazendo muitos desenhos com pouca qualidade. Mas não deixa de ser uma idéia inteligente para popularizar a técnica e suas muitas possibilidades. E você ainda ode deixar seus comentários ou enviar algum que considere interessante para seus amigos.
 
 
Dá-lhe Saci!
 
Inúmeras inciativas vem sendo tomadas nos últimos anos para que outubro seja, no Brasil, o mês do Saci, e não do importado Halloween. Entre elas, vale ressaltar a persistência dos quadrinhistas Ziraldo e Antonio Cedraz - que criaram maravilhosos persoangens baseados na lenda brasileira e o protagonismo da cidade de São Luís do Paraitinga (SP), que já comemora, todo 31 de outubro, o Dia do Saci. Nesta quinta-feira, dia 6 o cartunista José Luiz Ohi (autor da ilustração desta nota) esteve debatendo o assunto no 'Café Filosófico do Mês dos Sacis' realizado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Também na capital paulista, o Saci-Pererê vai ser objeto de uma exposição montada pela principal entidade de divulgação do moleque de uma perna só: a Sosaci - Sociedade dos Observadores de Saci, chamada Tem Saci no Pedaço. De 11 a 30 de outubro, trabalhos de profissionais da Nona Arte como Ziraldo, Salvador Messina, Angeli, Jal, Orlando Pedroso, Wilson André Filho, Airon e Paulo Caruso que já percorreram bibliotecas públicas do estado estarão sendo expostos em conjunto pela primeira vez, no Centro Cultural São Paulo (onde fica a Gibiteca Henfil). No dia 31, a mostra vai até São Luís do Paraitinga.
 
 
Tunes for Toons
 
Daniel Goldmark, professor universitário de música que já publicou 'The Cartoon Music Book', em 2001, volta a enriquecer o conhecimento sobre o cinema de animação com um novo livro sobre a relação entre música e esta arte: Tunes for 'Toons : Music and the Hollywood Cartoon', que estará nas livrarias americanas no dia 10. O livro de 263, em capa-dura e com preço anunciado de 25 dólares, tem o selo da University of California Press. No livro, Daniel Goldmark faz um amplo estudo sobre desenhos animados dos anos 1930, 40 e 50 que se enquadrariam no gênero dos musicais, especialmente, dos estúdios da Warner e da Metro Goldwyn Meyer, além do que foi produzido pela equipe de Walter Lantz, Os dois artistas mais enfocados são Carl W Stalling, considerado o maior compositor de música para cinema de animação da história, nos EUA e Scott Bradley, que foi parceiro de Stalling na trilha de Tom & Jerry. Uma resenha já publicada pelo The Wall Street Journal descreve a obra como uma contribuição não só válida para entendidos em música e cinema de animação, mas para muito mais leitores, pela sua clareza.
 
 
Um e-group das Américas
 
Lançado em 18 de setembro, o grupo de discussão Comic Nacional, criado pelo argentino Daniel Miñones, tem reunido, na verdade, boa parte dos realizadores mais ativos (pelo menos interneticamente falando) de vários países da América Latina (incluindo o Brasil) e da Espanha, entre desenhistas, roteiristas, cartunistas, jornalistas especializados e pesquisadores. Para um grupo recém formado, Miñones pode se orgulhar de ter tido a capacidade de convidar pessoas que têm feito de Comic Nacional um fórum privilegiado para troca de informações de qualidade sobre várias vertentes e quadrantes da Nona Arte, em suas já mais de 500 mensagens. Para se inscrever: comicnacional-subscribe@gruposyahoo.com.ar. Para quem não queira se inscrever, mas mandar comentários e mensagens de incentivos, o grupo tem também um site .com.
 
 
A história dos quadrinhos na Polônia, em livro 
 
O jovem politólogo e pesquisador da Nona Arte Wojciech Obremski é o autor do mais novo grande presente para os quadrinhos poloneses e para os que gostam de ver sistematizado o conhecimento sobre a Nona Arte: dentro do Festival Internacional de Quadrinhos de Łodz ele estará lançando Krótka Historia Sztuki Komiksu w Polsce (1945-2003) [Curta História da Arte dos Quadrinhos na Polônia (1945-2003)], livro de 158 páginas de pequeno formato em que ele conta a trajetória das HQs na Polônia no período que vai da invasão dos quadrinhos americanos até a sua afirmação no cenário internacional em anos recentes, traçando uma relação de agentes variados que permitiram este crescimento.
 
 
São 'loucos', estes Belgas
 
A relação de amor entre os belgas e os quadrinhos acaba de ganhar mais uma expressão numérica. A RTPB (Radio Télévision Publique Belge, a correspondente local da RTP ou da TVE espanhola) abriu uma enquete publica chamada Les plus Grands Belges, que procura chegar, por triagens sucessivas, ao 'maior belga', em todos os campos. Terminada a primeira fase, dentre os 100 maiores belgas, 9 são quadrinhistas, um número impensável em qualquer outra nação. Além de Hergé, que figura entre os 10 primeiros, completam a lista Roba, Edgar-Pierre Jacobs, Kroll, Morris, Vernes, Peyo, Geluck e Franquin.
 
 
Mais Lucky Luke no cinema
 
Nem bem o 'filme' dos Daltons terminou de aterrorizar o planeta, concorrendo com muita força ao título de pior adaptação para cinema de quadrinhos de todos os tempos, um filme de animação de 85 minutos baseado em um álbum de Lucky Luke - 'La Caravane' - é anunciado, pelo estúdio Xilam, para 2007'. A frieza com que a notícia foi recebida e a escassez de informações da produtora, em seu release oficial devem nos levar a ficar preocupados com a iniciativa, embora 2 dados possam levar o filme a ser um produto, pelo menos, razoável: a escolha pela fórmula de animação (e não um filme com atores) e a escolha da estória, que, além de ser uma das melhores pérolas de René Goscinny, é - provavelmente, o mais adaptável para cinema, tanto pelo ritmo e estrutura como pelos enquadramentos dados por Morris. Em 'La Caravane', Lucky Luke tem diluído ainda mais a sua presença de 'não-personagem', - como foi definida pelo pesquisador Bruno Lecigne - em meio a vários personagens secundários riquíssimos, e a situção mesma dos integrante da caravana levou os desenhos a ser menos abertos do que em outros álbuns da série, com inúmeros detalhes de objetos levados nas carroças. Pelo menos, se seguir o original como roteiro, o estúdio tem uma estória mais do que suficiente para trabalhar....
 
 
Jéromine Pasteur, quadrinhista
 
Jéromine Pasteur, que morou 20 anos entre os índios Ashaninka (que vivem na área da Amazônia que bordeja o Peru e o Brasil), e que já escreveu algumas obras sobre esta cultura, estreou em quadrinhos pelo selo da Casterman em setembro, com Shelena, uma adaptação de um livro seu que se passa entre o Haiti e o Panamá, ao tempo da construção do Canal que uniu o Ocenao Atlântico ao Índico. O imenso humanismo da escritora acabou sendo compmentado pelo traço de um mestre belga do traço, René Follet, que soube aproveitar bem as inúmeras possibilidades deste roteiro singular. Uma prancha de Shelena pode ser conferida aqui
 
 
Al Hirschfeld à inglesa
 
Al (Albert) Hirschfeld, falecido em 2003 aos 99 anos, é apontado por muitos como o maior caricaturista do mundo, e ficou especialmente renomado pelas caricaturas que fazia para a seção de teatro do 'New York Times'. Pelo seu profundo envolvimento com o mundo do teatro, e pela forma como retratava os artistas, ganhou um prêmio Tony especial. Mas nem só na América Hirschfeld exerceu seu raro talento. Sua viúva, Louise Kerz Hirschfeld, coletou entre suas inúmeras pastas de trabalho trabalhos que foram reunidos em nada menos que 256 páginas, e que revelam o olhar do artista sobre a cena teatral de Londres, com o nome de 'Hirschfeld's British Aisles', em que inúmeras passagens de West End estão retratadas. Em formato padrão, o livro será lançado no dia 15, e tem preço anunciado de 40 dólares. Entre os artistas que escreveram comentários para a obra, estão Julie Andrews e John Russell.   
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