, que vem sendo elogiada por resenhistas e consumidores, nos
Estados Unidos.

Animação brasileira: à
beira do esquecimento?
Mais uma vez, nosso
colega Ruy Jobim Neto nos brinda com um artigo seu, que dividimos com nossos
leitores.
As pouquíssimas matérias que se lêem
na imprensa e mesmo na imprensa especializada em cinema mostram claramente a
minúscula participação da animação brasileira nos meios de comunicação. Ou seja,
perante o público. Raramente é lido algo sobre produções, a não ser um ou outro
filme animado para a publicidade, coisa exibida em televisão. Lá fora, por
exemplo, se navegarmos um pouco pelo site da ASIFA (Associação Internacional do
Filme de Animação), veremos que praticamente não se conhece ou não se fala
rigorosamente nada sobre a gente em outros países. Parece que não produzimos
coisa alguma, no gênero, o que é um ledo engano.
Vejamos então, podemos contabilizar:
no Rio Grande do Sul, a Otto Guerra Animações(*) está produzindo o longa 'Wood & Stock',
com todos os personagens do cartunista Angeli. Este, a meu ver, é um dos maiores
exemplos de integração nacional. Angeli é paulista, Otto é gaúcho. Certa vez, em
São Paulo, no prédio da FIESP, os dois fizeram uma palestra para um público
ávido por notícias da produção nacional, na área. A noite era gélida, na Avenida
Paulista, mas a conversa era muito boa.
A TV Rá-Tim-Bum, da Fundação Padre
Anchieta, mantenedora da TV Cultura (cujo sinal percorre o território nacional
com programação da melhor qualidade) é a aposta do presidente da casa, Marcos
Mendonça. E para organizar, coordenar e fazer consultoria à nova emissora,
Mendonça chamou ninguém menos que Álvaro de Moya, ex-professor
de TV na USP, conhecido como produtor de TV, roteirista e também por ser um dos
maiores pesquisadores de quadrinhos do Brasil. Esperemos pra ver se haverá
alguma chance para a produção nacional de desenho animado.
Walbercy Ribas acabou de conseguir
verba para iniciar outro longa com os personagens de 'O Grilo Feliz'. A Rede
Globo está pensando em um programa de pelo menos duas horas e meia diárias com
os personagens de Maurício de Sousa, para as manhãs, o 'horário nobre infantil'
da emissora. Filmes curtos da Turma da Mônica, para aqueles que são fãs, não
irão faltar. Basta ver se haverá reinício de produção. Muitos profissionais, de
vários setores da linha de produção de animação, foram
demitidos.
Há um filme, um longa metragem sendo
produzido no Rio de Janeiro com o personagem 'Xuxinha', obviamente calcado na
apresentadora Xuxa, cujos longas de cinema, com ação ao vivo, têm sido
festejados pela garotada em férias, quando lançados. Por outro lado, em São
Paulo, o animador Alê Abreu (que dirigiu e animou 'O Espantalho', em 1998), vem
aí com o seu primeiro longa de animação 2D. Há pouco estreou na TV por
assinatura a série 'Anabel', pela D Filmes.
O Anima Mundi todo ano anuncia
alegremente a inscrição de número cada vez maior, mais e mais preponderante de
filmes de animação brasileiros. Recorde atrás de recorde. Todos os estúdios
ressentem da falta de profissionais gabaritados, especializados nas diversas
áreas da produção, sendo que há, sim, escolas. Há um pipocar de cursos de
animação nas muitas e variadas especialidades: animação disneyana (clássica),
stop-motion, animação em CGI, 3D, e tantas outras técnicas.
E ainda assim, há sites como o 'Porta
Curtas' (patrocinado pela Petrobrás), e o 'Curta o Curta', que exibem boa parte
da produção não somente de animação, mas de filmes com ação ao vivo. Um filme
brasileiro, por exemplo, que foi vendido à Inglaterra, para o site Britshorts,
foi 'Roubada', premiado filme de Renan de Moraes e Maurício Vidal, entre
tantos outros. E ainda há muitos, muitos outros filmes brasileiros de animação
dos quais estamos não só esquecendo, como na realidade seriam necessários vários
artigos para falar de todo mundo.
Só mesmo o mundo, lá fora, não atenta
para isso. Houve, recentemente, numa pequena sala de Amsterdam, um Festival de
Cinema Brasileiro, capitaneado pelo longa de Tony Venturi, 'Cabra Cega'. Muitos
brasileiros, na Holanda, prestigiaram principalmente os documentários sobre os
mais variados assuntos. Este ano de 2005, não podemos esquecer, é o 'Ano do
Brasil na França'. Esta exposição, ainda que parca, no território europeu,
começa a chamar aos poucos a atenção para a nossa cinematografia e a nossa
maneira de ver o mundo. Vide os casos dos festejados Fernando Meirelles (cujo
'Cidade de Deus' arrebatou platéias em Londres e em todo o resto da Europa, e
chegou às raias do Oscar) e Walter Salles Jr.(de 'Central do Brasil' e muitos
outros filmes), que já alçaram car reira consolidada no
Exterior.
Mas nós mesmos, aqui dentro, não
temos esse acesso. Não fossem parcos canais de TVs, com programação
especializada (o caso do 'Zoom', na TV Cultura, é bem patente) e a Internet –
lembremos que não há total inclusão digital no Brasil, quanto menos em relação à
rede mundial de computadores - , e sem deixar de fazer justiça à Petrobrás e a
algumas programações (em raríssimas salas de cinema no país, visto que no total
somam apenas 1987 salas!!!), nossa memória cinematográfica já teria ido para o
espaço. E olha que o animador Rui de Oliveira, aquele que fez 'Amor Índio', as
aberturas para 'Sítio do Pica-Pau Amarelo', para a Globo, disse que vê saídas
para a animação nacional. Tomara.
Portanto, voltando ao início de nosso
raciocínio, quando nem mesmo nós temos uma produção à vista de nossos olhos,
medindo-se pela dificuldade de comercialização e distribuição (quanto mais falar
de exibição!!), acrescenta-se aqui saber, sem muita alegria, que lá fora também
desconhecem por completo o que fazemos aqui. É como se não fizéssemos nada. É
curioso, beira o estranho. E não precisa, para isso, folhear revistas européias
(inglesas ou francesas) de Cinema, basta entrar nos sites de uma ASIFA, por
exemplo, e ver o tema dos artigos publicados especificamente sobre animação.
Nunca fomos tão esquecidos como agora.
Esperar por campanhas da ANCINE?
Campanhas do governo federal? É bem possível que, quando se trata de mercado (e
aqui não o temos, diga-se de passagem, como gostaríamos), é assunto para
os produtores e distribuidores - os interessados, claro -, talvez numa
associação com gente de marketing, pessoal especializado em comércio
internacional de audiovisual. De qualquer forma, é briga pra cachorro grande.
Mas que tem que brigar, ah, isso tem.