As 9 primeiras de 26/09

Fanzinothèque de Poitiers no Neorama dos Quadrinhos
 
25 anos da Fanzinothèque de Poitiers
 
A única fanzinoteca do mundo que mantem atividades constantes está completando 25 anos. Para marcar 25 anos da Fanzinothèque de Poitiers (que fica em Poitiers, no centro da França, a mesma cidade do parque temático Futuroscope) uma exposição aberta no dia 21 e que será encerrada no dia 28, na Escola de Artes Plásticas da vizinha cidade de Châtellerault traz 99 capas de fanzines relevantes para o período, livros-objetos e videozines.

 
Quadrinhos sicilianos
Sediada em Palermo, a AltroQuando, gibiteria lençada no início dos anos 90, dá mais um passo para a afirmação dos quadrinhos da Sicília, ao reuni-los de uma forma que pode garantir, principalmente, a formação de leitores. A AltroQuando acaba de lançar o 1º volume da coleção que tem o nome de Chiaroscuro, que terá apenas realizadores sicilianos. O 1º número traz trabalhos de Sergio Algozzino, quadrinhista que já marcou um belo ponto este ano por outra casa que, originalmente, também não era uma editora, a Tunué, ao lançar o livro teórico 'Tratto: Una Storia della Linea nel Fumetto'. O primeiro número da Chiaroscuro tem um preço mais que acessível para os padrões italainos: 1,50 euros. Para conhecer o mundo de Sergio Algozzino, visite seu blog

 
O novo museu das tiras
 
Na Páscoa de 2006, o italiano Giuseppe Scapigliati, autor das tiras de Vincenzina promete inaugurar mais um acervo para se juntar ao rico patrimônio cultural de Bibbiena (na província de Arezzo, na Toscana): um novo museu das tiras, com apoio da municipalidade. O museu se dispõe, inclusive, a pagar pela aquisição de novas peças para fazer crescer o acervo inicial, constituído, de momento, em grande parte, de tiras americanas e italianas.
 
 
90 páginas do Tarzan de Russ Manning
 
Entre as novas publicações online de material de quadrinhos por conta do trabalho da Barnacle Press, que disponibiliza material considerado de publicação sem a necessidade de pagamento de direitos autorias, dois acervos virtuais merecem destaque: 90 páginas do Tarzan realizadas por Russ Manning, (ou Russell Manning, que foi o responsável pelas tiras diárias de Tarzan a partir de 1953) e 15 tiras do Mickey pelo seu verdadeiro pai: Floyd Gottfredson, cujo centenário nós comemoramos no Quadrantes dos Quadrinhos, este ano.
 
 
Leonardo da Vinci à moda da Vertigo

Mais um presente do selo adulto da DC Comics está reservado para outubro: trata-se de 'Chiaroscuro: The Private Lives of Leonardo da Vinci', no qual a Vertigo resume a série de gibis de Pat Mc Greal e David Rawson (roteiros)  e Chas Truog e Rafael Kayanana que foi publicada entre 1995 e 1996 em 264 páginas. Em Chiaroscuro, além da ascensão de da Vinci como artistas, aspectos algo embaraçosos de sua carreira são apresentados. O álbum tem preço anunciado de 17 dólares.

 
A volta do Soldado Desconhecido
 
A republicação de antológicas publicações do selo Futuropolis reservou, para setembro, o volume de 'La Véritable Histoire du Soldat Inconnu', de Jacques Tardi, dobrando a presença do mestre nas lojas especialistas da França, Bélgica e Suíça. Publicado originalmente em 1974 (com reedições em 1985 e 1991),  'Soldat Inconnu' agora ganha mais páginas (60), por conta de que a HQ 'La Bascule à Charlot' foi adicionada e mantem o grande formato com o qual a Futuropolis destacou seus títulos da coleção 30 x40. O traço de união entre as duas estórias vai bem além do uso de uma terceira pessoa com uma voz do além para contá-las, em ambas, Tardi esgrime contra o horror da guerra de 1914/18 e contra a pena de morte o lirismo do nonsense associado ao traço onírico que o consagrou na cena das Bandes dessinées, especialmente, neste tipo de álbum, com a sua série já clássica Adèle Blanc-Sec.
 
 
A Bagdá de Steve Mumford
 
Um álbum que vem ocupando boa parte das atenções da imprensa de HQs independentes nos EUA é Bagdad Journal, de Steve Mumford, que traz, em 224 páginas, o registro de suas 4 viagens ao Iraque. Apesar de não carregar nas tintas políticas sobre as consequências da ocupação do país, Mumford consegue mostrar, com os detalhes de seus traços, o lado mais humano que a fotografia muitas vezes é incapaz de registrar. De 6 de outubro a 27 de novembro, a Bagdá de Steve Mumford vai estra em exposição no Meadows Museum, da Universidade Metodista de Dallas.  O álbum vem em capa dura e tem como preço de referência 35 dólares.
 
 
O Animafest virou 2
 
Depois de 33 anos, o Animafest, o festival de cinema de animação de Zagreb, o 2º mais antigo da Europa, vai ter 2 edições, ao invés de apenas uma: de 25 a 30 de outubro, acontece a 1ª fase de sua 17ª edição, reunindo filmes longos produzidos após setembro de 2003. A 2ª parte da mostra competitiva, dedicada aos filmes curtos (realizados depois de junho de 2004) só vai acontecer de 12 a 17 de junho de 2006. A capital dos croatas foi escolhida para sediar este certame em 1969, num congresso da ASIFA (a Associação Internacional de Cinema de Animação) realizado em Londres no qual a proposta da cidade acabou sendo considerada melhor do que a de concorrentes como Rímini, Montreal, Gênova e Brighton. Outro ponto em que o festival é pioneiro é na concessão de prêmios para estudiosos da teoria da animação.
 
 
Impagável Free Books 4
 
A nova contribuição da Free Books para os quadrinhos é italiana. Ou melhor, 100% italiana. Acaba de ser anunciada a revista bimestral Brand New!, que vai publicar exclusivamente HQs de novos autores italianos, em brochuras de 128 páginas e preço de 7 euros. A mistura de fantasia e ficção, conhecida na Itália por fantascienza é o carro chefe da Brand New!, onde se destaca o trio que atualmente realiza Martin Mystére: Roberto Cardinale, Stefano Nocilli e Alfredo Orlandi, que comparece com uma HQ sobre Halloween. Além da revista, a Free Books está lançando um concurso para jovens quadrinhistas cujo principal prêmio é exatamente a publicação na revista a partir de 2006. 
 
Quadrantes dos Quadrinhos, 23/09/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos


 
BDs na China
 
De 6 a 9 de outubro, Pequim (Beijing) sedia a sua 1ª mostra de bandes dessinées. Pelo visto, a exposição foi muito bem pensada, para levar aos chineses uma amostra da amplitude da Nona Arte francesa: 489 obras serão expostas, divididas da seguinte forma: 76 obras selecionadas pelo Musée de la Bande Dessinée (associado ao Festival de Angoulême), os 32 cartazes (1974-2005) do próprio festival de Angoulême, 158 obras de caricaturistas chineses e franceses, as '12 melhores criações de bandes dessinées', 99 livres de caricaturistas franceses e 112 desenhos realizados por meio digital. A segunda constatação que cabe fazer é que os responsáveis pelo Festival de Angoulême, o maior da França, parecem decididos a voltar a ser farol e incentivo da difusão dos quadrinhos franceses, mais do que pauta para as luzes fugazes da TV.

 
Hora de aplaudir Schröder
 
A exposição 'Top Dogs: Comic Canines Before and After Snoopy', no Charles M. Schulz Museum, em Santa Rosa, na Califórnia sobre a qual falamos quando de seu início, e que reúne cães de todos os tipos, tamanhos, cores e humores está cegando ao fim, neste dia 26. Mas o museu que guarda o legado de Charlie Brown e seus amigos não pára: agora, no dia 21, foi aberta a mostra Ode to Schroeder, em que 66 tiras originais de Schulz dedicadas ao pianista mais mal-compreendido dos quadrinhos estarão em exposição até 9 de janeiro. Em 1º de outubro, o museu abre uma mostra intitulada 'Creativity in Cloth', que trará uma extensão original dos quadrinhos: 12 aplicações de estampas em roupas desenvolvidas por criadores japoneses. E, de 15 de novembro a 9 de janeiro, é temporada de Natal, um Natal muito especial, o de 40 anos de Charlie Brown, pelo que, haverá uma mostra de HQs, desenhos e artefatos originais, com um  piano de brinquedo para homenagear as inúmeras tentativas de  Schröder de tocar Jingle Bells em paz...
 
 
AWN: um primor de informação
 
Temos escrito, algumas vezes, sobre a excelência do papel informativo da AWN, (ou Animation World Network, que se apresenta como a central sobre a animação na Internet) que cumpre - como ninguém - o papel precípuo da comunicação: o de tornar comum, e não de falar sempre das mesmas coisas, na área do cinema de animação.  Além de se ocupar da vastíssima e multifacética cena do que acontece nos Estados Unidos, a AWN também cobre festivais e eventos em vários quadrantes do mundo, com o intuito de tornar clara a riqueza do que se faz, com suas possibilidades.  Através da Animation World Magazine, a AWN acaba de cumprir mais uma página desta trajetória: para falar do Córdoba Animation Festival: Anima 05, naquela cidade argentina, que passou quase desapercebido no Brasil e em outros países próximos ou de língua espanhola, a AWN, em matéria datada do dia 22, não fez só o registro do evento, mas trouxe a seus leitores (e agora aos nossos, esperamos), uma matéria de 5 páginas , bastante ilustrada, que nos atualiza sobre a animação argentina.
 
Pyongyang, de Guy Delisle, no Neorama dos Quadrinhos
 
Pyongyang nos EUA
 
O canadense Guy Delisle realizou uma viagem de 2 meses à Coréia do Norte em 1984, como profissional de cinema de animação, que foi anotada num álbum que leva o nome da capital daquele país, 'Pyongyang'. Lançado na Espanha pela basca Astiberri em maio, o álbum de 200 páginas e preço de 20 dólares chegou aos Estados Unidos (e ao Canadá que fala inglês) somente este mês, pelo selo da editora especialista Drawn and Quarterly. Trata-se do único registro autoral em quadrinhos sobre a Coréia do Norte, e tem sido saudado como uma obra que coloca, com bom humor, as vicissitudes da vida daquele país. Apesar de ser uma espécie de diário pessoal, a planificação em quadrinhos permitiu que o profissional de animação ditasse um ritmo exato para os quadrinhos, especialmente, pelo suspense, um belo ingrediente quando somado ao quadrinho-reportagem. As resenhas nos Estados Unidos têm seguido a tônica de aplausos que acompanhou a obra na Espanha.
 
 
A volta de Brian Azzarello
 
26 de outubro é a data de chegada de uma nova série de Brian Azzarello às gibiterias americanas, novamente pela Vertigo, o selo adulto da DC Comics. É de se esperar que, depois do imenso sucesso de público e crítica que obteve por 100 Bullets (100 Balas), sua nova série, 'Loveless', seja bem recebida não só pelos chamados fãs, más também, consiga trazer mais leitores aos quadrinhos. Loveless não tem fundo policial: trata-se de uma HQ que é ambientada no Missouri dos anos depois da Guerra Civil de 1861/65, e é focada na trajetória de um casal que acaba cedendo à corrupção que, segundo a visão de Azzarello, teria se instalado nos territórios do sul dos Estados Unidos pelos prepostos do governo vencedor, associado ao Norte mais industrializado. Para esta HQ, que o próprio Azzarello considera ainda mais direta e pesada que 100 Balas, o desenhista será Marcelo Frusin, com quem já trabalhou em Hellblazer, mas haverá a participação de outros artistas, pelo que foi anunciado. O gibi, mensal, terá 40 páginas e vai custar  3 dólares, nos EUA, mas deve estar em outro países muito em breve... Enquanto a revista não chega, vale conferir as canjas oficiais.
 
Carinho dinamarquês para Carl Barks
 
Carl Barks' Samlede Værker é uma iniciativa da Egmont dinamarquesa que começou a ser editada em agosto e que repete a publicação da Egmont alemã de homenagear o maior criador dos patos da Disney, como Donald e Tio Patinhas, que faleceu em agosto de 2000. Seguindo a linha da edição alemã, a obra será publicada em 30 volumes, com cada um sendo entregue aos assinantes a cada 3 meses. O 1º volume trouxe uma biografia de Barks por seu maior estudioso, Geoffrey Blum. Cada volume traz, também uma cópia fac-similar de um trabalho de Barks. Se levarmos em consideração que o total de exemplares chega apenas a 1.800 por cada número, a conclusão mínima que se pode chegar é que o objetivo da editora não é com o aspecto da vendagem, e sim, permitir que centros de estudos, bibliotecas e pesquisadores tenham acesso a uma monumental obra sobre o maior criador de patos dos quadrinhos. Os tomos têm capa dura, e terão entre 254 e 296 páginas, cada. O Neorama dos Quadrinhos está tentando, junto à Egmont, obter mais detalhes sobre o percurso editorial da proposta.

Acertos do Neorama dos Quadrinhos

Aqui, dividimos um pequeno balanço de alguns tópicos que temos apontado no Neorama dos Quadrinhos e no Quadrantes dos Quadrinhos, e que nos animam a continuar buscando acertar no fogo, na abrangência e na 'oportunidade'. Nas últimas semanas, acreditamos que nosso melhor acerto foi em destacar o novo álbum de Jacques Tardi, 'Le Petit Bleu de la Côte Ouest', sobre o qual escrevemos assim que foi publicada a sua descrição no portal da editora Humanoïdes Associés.  Escrevemos sobre a obra antes mesmo de qualquer portal especialista francês o fazer, e, quase ao final do mês, pode-se dizer que foi o lançamento do mês no âmbito das bandes dessinées. Sobre a série Justice, de Alex Ross, pela DC, a qual chamamos de 'a boa Justice', a resposta do público à iniciativa de muita determinação de Ross em dar contornos firmes à sua retomada de super-heróis da Era de Prata foi acima da média, segundo o próprio artista,a vendagem do primeiro gibi da série foi 'a melhor reação que já tive a um trabalho meu em dez anos'. Quanto ao primeiro número da nossa série 'A Verdadeira Nona Arte na Polônia', em que destacávamos que a obra autoral para a qual se deveria ter atenção  da editora Zin Zin era Achtung Zelig!, que estava sendo lançada na França, também, as resenhas publicadas pelos colegas de lá atestam a qualidade e a originalidade do relato histórico sobre a história recente da Polônia, apesar de um detalhe que não tínhamos nos apercebido: na França, a obra de Krzysztof Gawronkiewicz e Krystian Rosenberg foi 'adaptada' com a aplicação de cores, pela Casterman. A respeito do 18º álbum de Étienne Davodeau, 'Les Mauvaises Gens', que fala de sua infância nos Mauges, de predominância católica e operária, no período do pós-guerra até a Era Miterrand,  uma fonte que nada tem a ver com a Nona Arte, diretamente, a Témoignage Chrétien, não só assinalou a oportunidade da obra para os católicos e para o público em geral, como trouxe um detalhe adicional interessante: o trabalho de Davodeau fala do florescimento da JOC, a Juventude Operária Cristã, que tanto contribuiu para a recente história da América Latina e que é um assunto muito interessante sobre o qual a Nona Arte não tinha quase nenhum registro.

 
Adeus, mestre Kennedy Bahia
 
Nesta quinta-feira, Kennedy Bahia, 86 anos, nos deixou. Filho de uma boliviana e um inglês, Patrício Kennedy Maderos, nascido no Chile resolveu ser Bahia na Vida. Dificilmente se poderia querer um baiano melhor. Além de ter criado e produzido, com continuidade, alguns dos desenhos mais difundidos que espalham uma estética singular e inconfundível da Bahia, Kennedy Bahia esticou a cidade do Salvador para além da Pituba, que era seu limite nos anos 60, com uma construção - a de seu atelier - que era às vezes boas vindas, às vezes um até logo que não deixava de se reter na menina dos olhos, pela singular mistura de cores das tapeçarias e quadros com uma linha moderna e reta, que abençoava os namorados no único jardim a eles consagrado no Brasil, que ficava em frente. Além de ter dado novos contornos artísticos à representação do elemento negro na cultura baiana, Kennedy Bahia era - também - mestre. Como mestre, foi a única pessoa nesta vida que dedicou algumas tantas horas acreditando que este cronista um dia soubesse fazer algo com o traço. Se não aprendi a desenhar ou pintar, ao mestre Kennedy Bahia devo a noção do quanto o ato de ilustrar é singular e merecedor de respeito. Decerto, a estas horas, suas curvas e retas estão se entrecruzando em meio a campos alvos, num lugar que merece gente como ele.
 
Agradeço ao amigo Ruy Jobim Neto, que, mais uma vez, ilustra o Quadrantes dos Quadrinhos com esta homenagem editorial

Gri-Gri International no Neorama dos Quadrinhos
 
A sátira africana
 
Gri-Gri International é o nome da publicação criada em 2001 por jornalistas de várias nações africanas exilados na França - especialmente do Gabão e de países do Maghreb, e que foi relançada em setembro de 2004. O Gri -Gri procura cumprir bem a função que se avocou, ou seja,  ser um jornal satírico pan-africano, associado a conteúdo jornalístico. Proibido de circular em alguns países da África, o Gri-Gri, que tem circulação bimensal, acaba de aumentar o número de suas páginas, de 8 para 12, com o número 39, que foi posto em circulação no dia 22, e procura dobrar a sua circulação, atualmente na casa de 3.500 exemplares, que é vendida em bancas de Suíça, França e Bélgica, além de assinantes na África.  A amizade com os editores do tradicional semanário francês Le Canard Enchaîné vai além do apelido. Não só o Gri-Gri é chamado Le Canard Enchaîné Africano como vários desenhistas do jornal francês cedem trabalhos para publicação no Gri-Gri (inclusive, online). Para além de trazer uma amostra do desenho de humor que procura furar o bloqueio de desinformação sobre o continente africano, a triste liberdade conseguida à custa do exílio também serve para que a revista se dê conta e mostre a imensa incompetência da imprensa ocidental em abordar com o mínimo de documentação os fatos do segundo maior continente do planeta, que começa a escassos 200 quilômetros do sul da França.  Para manter contato com o Gri-Gri, o -e-mail é webmestre@lesamisdugrigri.com. Um pouco do humor que é publicado pela Gri-Gri pode ser conferido aqui.

 
Little Nemo na Amadora
 
Nós já tivemos a oportunidade de divulgar os contornos e as propostas do maior evento em língua portuguesa da Nona Arte, em sua 16ª edição, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que será aberto ao público em 21 de outubro. Pelo programa definitivo, divulgado esta semana (que divulgamos abaixo, com alguns grifos), não só a assertiva foi desenvolvida corretamente como também,  mostra uma amplitude de horizontes muito animadora. Assim, Portugal deve retornar com força total ao cenário dos grandes eventos europeus.

As exposições serão as seguintes (veja que não se restringem a um único ponto):
 
Estação de Metro da Falagueira (Núcleo Central)
 
- Ricardo Ferrand:
Autor português em destaque. É, igualmente, o autor da imagem do FIBDA 2005.
 
- O Sonho na Banda Desenhada: Little Nemo e Winsor McCay
Celebram-se no mês de Outubro cem anos sobre o início da publicação original de um dos maiores clássicos da BD: Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay. Foi em 15 de Outubro de 1905, nas páginas do 'New York Herald' de James Gordon Bennett, que o Rei Morfeus mandou pedir ao pequeno Nemo que comparecesse no Reino-dos-Sonhos. Foi a série que definiu a banda desenhada tal como a conhecemos hoje. O FIBDA celebra a série Little Nemo e o génio de McCay, que abordou o sonho em outras séries, como Dream of a Rarebit Fiend.
 
- O Sonho na BD Portuguesa:
De um Catálogo de Sonhos a A Tribo dos Sonhos Cruzados, o tema do sonho é uma referência recorrente no actual momento da BD portuguesa. Esta exposição reúne alguns dos exemplos mais significativos da presença do sonho na banda desenhada portuguesa dos últimos 15 anos, integrando trabalhos de António Jorge Gonçalves, David Soares, Diniz Conefrey, Filipe Abranches, João Fazenda, José Carlos Fernandes, José Ruy, Luís Louro, Miguel Rocha, Rui Lacas e Rui Pimentel.
 
- O Sonho na BD:
Exposição que dará especial atenção às seguintes séries e autores:
Sandman (de Neil Gaiman e diversos autores, editado em Portugal pelas edições Devir)
Olivier Rameau (de Dany e Greg, editado em Portugal na revista Tintin)
O Sonho Prolongado do Sr. T (de Max, autor espanhol autor de Peter Pank, personagem que esteve em evidência no FIBDA 95))
Alice in Sunderland (de Bryan Talbot, autor que esteve presente no FIBDA 2004)
As Cidades Obscuras (de Schuiten & Peeters, editado em Portugal pela Meribérica-Liber e Witloof Edições)
Promethea (de Alan Moore e J.H.Williams, série que esteve em destaque na exposição Argumentos, apresentada pelo CNBDI em 2002)
 
- Homenagens e Paródias a Little Nemo:
Exposição que dará especial atenção às seguintes séries e autores:
Agar, de Moliterni (o argumentista de Harry Chase, Scarlett Dream e Taar, todos editados em Portugal pela Meribérica-Liber) e Gigi
Little Ego, de Giardino, editado em Portugal pela Meribérica-Liber
Little Nemo, de Moebius e Marchand, editada em Portugal pela Meribérica-Liber
McCay, de Smolderen (o argumentista de Gipsy e Olivier Varèse, ambas com Marini e editadas em Portugal pelas Edições Asa) e Bramanti
A exposição inclui, igualmente, um outro projecto:
Tertúlia BDZine – numa iniciativa de Geraldes Lino, diversos autores portugueses, habituais colaboradores do fanzine distinguido com o Prémio Nacional de Banda Desenhada em 2003 e 2004 foram convidados a homenagear Little Nemo.
 
- Dream Comics:
Uma exposição coletiva de autores de todo o mundo que registam os seus sonhos em forma de banda desenhada: David B. (França), Steve Bissette (EUA), Al Davison (Ing), Rick Grimes (EUA), Horus (Ale), Jesse Reklaw (EUA), Rick Veitch (EUA), Jim Woodring (EUA), Aleksandar Zograf (Sérbia), Michael Zulli (EUA), etc.
 
- João Mascarenhas:
O projeto de João Mascarenhas, membro do colectivo Extractus, é apresentado numa mostra que conta com a participação especial de diversos autores, convidados a interpretarem a personagem de Mascarenhas – Menino Triste.
 
- Jo-El Azara:
O sonhador soldado japonês – Taka Takata - criado por Jo-El Azara e Vicq celebra 40 anos sobre a sua publicação original na revista Tintin belga. Editado em Portugal na revista Tintin e em álbum pela Íbis e Edições Asa.
 
- Ed Brubaker:
Exposição de um dos mais prestigiados argumentistas. Na mostra, o FIBDA apresenta trabalhos de Brubaker com Sean Phillips e Cameron Stewart.
Sean Phillips, um dos autores britânicos do momento, já realizou o "sonho americano", triunfando nos EUA com muitas das séries de maior sucesso da BD norte-americana: Batman, Batgirl, Catwoman, Hellblazer, JSA, Kingpin, Sleeper, Wild C.A.T.S, Uncanny X-Men ou Star Wars.
Cameron Stewart, uma das grandes revelações do competitivo mercado norte-americano, tem colaborado com alguns dos mais prestigiados argumentistas: Ed Brubaker (Catwoman), Grant Morrison (Seaguy) e Pete Milligan (Human Target).
 
- Event Horizon:
Mostra colectiva de um projecto coordenado por Liam Sharp, popularizado pelos trabalhos que realizou nos EUA, sobretudo para a Marvel e Image, regressa ao FIBDA, depois de ter sido um dos rostos do FIBDA 2000, dedicado aos super-heróis.
 
- José Abrantes:
Exposição retrospectiva dos 30 anos de carreira. A mostra insere-se no Espaço Infantil.
 
- Concursos de BD
Além da Estação do Metro da Falagueira, as exposições do FIBDA são descentralizadas por outros espaços culturais da Amadora:
 
GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL
 
- Little Nemo
 
CASA ROQUE GAMEIRO
 
- Homenagem a Carlos Alberto Santos
- Ilustração – Marta Torrão
 
RECREIOS DA AMADORA
 
- Cartuns
 
CNBDI
 
- 5º aniversário do CNBDI, exposição colectiva
 
NOTA: Por diversos motivos, este programa de exposições poderá sofrer alterações.
 
HORÁRIOS DAS EXPOSIÇÕES:
 
- Núcleo Central
Estação de Metro Amadora/Este (Falagueira)
Todos os dias das 10 às 22 horas
 
- Casa Roque Gameiro
Largo 1º de Dezembro (Venteira)/Telf: 214928054
3ª a sáb. - das 10h às 12.30h e das 14h às 17h
encerra domingos, 2ªs feiras e feriado
 
- Galeria Municipal Artur Bual
Av. MFA - edifício dos Paços do Concelho (Mina)/Telf: 214369066
3ª a 6ª - das 10h às 12.30h e das 14h às 18h
sáb., dom. e feriados - das 15h às 18h
encerra 2ªs feiras
 
- Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem
Av. do Brasil 52A (Falagueira)/Telf: 214998910
2ª a 5ª feiras – das 9 às 12.30h e das 14 às 17h
6ª feiras – encerra às 18.30h
sáb. e dom. - das 14h às 19h