Quadrantes dos
Quadrinhos, 19/09/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
Foi-se Ruy
Perotti
No final dos anos
60, uma revista (bem diferente da atual) passou a trazer, todas as semanas,
pelo selo da Abril, uma bela mistura de estórias ilustradas, que incluía o
fantástico Catapimba! e seus dribles desconcertantes, jogos para armar que
jamais serão esquecidos por quem os conheceu e muitas outras dicas de
como tentar fazer deste planetinha um mundo melhor, O diretor de criação da
Abril era Ruy Perotti. No início dos anos 70, a editora Abril deu de
presente ao Brasil uma outra revista que só quem estava vivo pode contar
como foi inovadora. a Crás, através da qual, rapidamente, mais
gente passou a apreciar, entre uma safra de bons quadrinhistas nacionais, o
humor brasileiríssimo e brejeiro de Ruy Perotti, especialmente, com
Satanésio, o diabo que veio 'catar' clientes na terra, e só dava vexame'.
Depois, vieram outros personagens, dentro e fora dos quadrinhos, que nunca
passaram desapercebidos, como o Variguinho (o avião da Varig), e Sujismundo, o
mais simpático ícone da sujeira já criado no Brasil, ao lado do
Cascão. Ultimamente, Ruy comandava uma
equipe de mais de 50 profissionais, produzindo uma média de 30 filmes por mês,
quase todos, de animação. Neste dia 18, Ruy nos deixou. Se o que nos
ensinaram na Recreio estava certo, está subindo junto com o Variguinho, e sendo
esperado muitos personagens inesquecíveis, para fazer as almas sorrir em outros
lugares...

Munô no Hito, de Yoshiharu
Tsuge,
pela Eggo Comme X
Mangás e
animês em Nova York
O MoCCA, o museu
do Cartum e dos Quadrinhos de Nova York, um dos mais conceituados centros de
difusão e exposição dos quadrinhos nos EUA marcou 2 sessões de seus
próximos encontros de segundas-feiras (os MoCCA's Mondays) para acolher os
mangás e os animês. No dia 17 de outubro, um debate vai abordar os mangás dos
anos 70, especialmente Gen, Pés-Descalços, de Keiji Nakazawa, e a obra de
Yoshiharu Tsuge, que revolucionou a narrativa dos mangás ao misturar
sonhos e realidade, usando pseudo-gravuras e enquadramentos quase fotográficos,
especialmente no clássico Numa (de 1966), e que já foi objeto de um especial
este ano de outra absoluta referência em quadrinhos nos EUA: The Comics Journal.
O objetivo do MoCCA é exatamente debater como uma forma de
expressão tão rica de possibilidades como os mangás acabaram se limitado a
um sem fim de títulos medíocres. No dia 7 de novembro, o coletivo Metro Anime
será convidado a expor um animê dentro das atividades da exibição chamada
Cartoonists against the Axis (Quadrinhistas contra o Eixo), repetindo uma
parceria já realizada no dia 29 de agosto. A mostra Cartoonists against the
Axis, com HQs que versam sobre a II Guerra Mundial deve ser transformada em
livro. Já o New York Times parece que anda de mãos dadas com os quadrinhos: na
sua edição de domingo passado publicou uma matéria
de nada menos que 3 páginas fazendo uma análise do fenômeno dos shoujos nos
EUA.

Muitas BDs à
Bastia
Mais de 300
quadrinhistas estiveram presentes na 12ª edição do BD à Bastia,
o festival da cidade de Bastia - a nosso juízo, o melhor dos
grandes festivais de bandes dessinées - realizada em abril. Uma
mostra chamada 'Grand Bestiaire' foi criada para o festival e
apresentou uma vasta seleção de animais dos quadrinhos, o que inclui o
camundongo Maus, de Art Spiegelman, Krazy Kat, de Robert Crumb;, Canardo, o pato
detetive de Sokal; o coelho Lapinot, de Lewis Trondheim; Chlorophylle et Minimum, os ratos (mais que) urbanos de Raymond
Macherot e inúmeros outros, formando um verdadeiro jardim zoológico
imaginário. Agora, esta mostra, com os auspícios diretos do centro cultural Una
Volta, principal motor do festival, estará sendo montada em Angoulême, terra do
maior festival de quadrinhos de expressão franco-belga, nas dependências do
CNBDI, o Centro Nacional para a Difusão dos Quadrinhos, de 27 de setembro até 31
de agosto de 2006, integrando o museu do Imaginário dos Quadrinhos, sobre o qual
já falamos. Uma bela prova de que, em quadrinhos, é melhor somar do que
competir. Em tempo, o festival BD à Bastia 2006 já tem data (30 março a 2
de abril de 2006) e alguns quadrinhistas confirmados, mas nós vamos falar sobre
este evento em outras notas.

A DC (não) é
brinquedo
A DC Direct, um
dos braços da DC Comics, anunciou hoje uma lista de brinquedos para maio de 2006
de deixar crianças de todas as idades malucas. Em maio, uma coleção homenageando
o Superman da Era de Prata trará action figures (bonecos articulados)
de mais de 6 polegadas (mais de 15 centímetros) de Lois Lane,
Jimmy Olsen, Lex Luthor, do ranzinza Perry White e do Superman Robô acompanhado de
Beppo, o super-macaco (confira foto). Com o nome de Who's Who Mystery Box, serão lançados
brinquedos não articulados de pouco mais de 2,5 polegadas (mais
de 6 centímetros), com alguns de seus super-heróis em momentos
marcantes. Da série, farão parte Superman, The Flash, Lanterna Verde,
Capitão Marvel, Batman e o Coringa. Quem comprar todas as peças ganhará peças
para montar um mini Batmóvel. Os lançamentos também privilegiam Alex Ross, que
tem se mostrado um exemplo de artista para além das qualidades do traço: 4
personagens presentes na série Justice, a sua nova afirmação dentro do mundo do
comics, terá direito a uma série chamada Justice League Alex Ross, com
Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Plastic Man, Coringa e Hera Venenosa (Poison
Ivy).

Milhares de brinquedos da
Marvel a caminho
A Master
Replicas vem de anunciar, nesta segunda, um
acordo pelo qual ela está autorizada a usar os super-heróis da Marvel para criar
bustos e vários outros objetos em 3-D, com a qualidade que já vem demonstrando
em realizar este tipo de trabalho com franquias como Star Wars, Disney, Shrek e Senhor dos Anéis, que
eles costumam apresentar como sonhos que se tornam realidade. Maiores detalhes
não foram revelados; Só se sabe que estas novas alegrias chegarão no
início de 2006. Vamos aguardar para ver...
Homenagem a Geraldes
Lino
Os colegas do
portal português Fanzine abriram uma sessão de homenagens ao
lisboeta Geraldes Lino, o apresentando desta forma:
'Autor de já inúmeros
textos sobre a BD publicados em revistas, jornais.... editor de fanzines,
fanálbuns... dinamizador da Tertúlia BD de Lisboa, um convívio mensal de
autores, de editores, e de todos os que de uma ou outra forma estão ligados
à banda desenhada, ao que acrescentaram uma fotogaleria
com algumas das atividades realizadas no centro que melhor acolhe os faznines de
língua portuguesa, pelos 20 anos de persistência em favor da Nona Arte. A
homenagam se soma a outras já feitas a um personagem único, que já foi
personagem de várias
HQs, entre as quais, uma aventura de Jim del Monaco, de Luís Louro e Tozé Simões e 'O Homem de Neandertal', de Luís Filipe Diferr, não por acaso, ambas publicadas pela
Asa. As homenagens são mais que meritórias: Geraldes Lino fundou Tertúlia
BD de Lisboa em junho de 1985, que vem a ser um encontro mnsal para que os novos
e antigos autores independentes se encontrem e troquem opiniões, materiais e
projetos. Para mais, Geraldes Lino disponiblizou o 'Sítio dos Fanzines', que
embora não tenha tido sequência (esteve atualizado de 2001 a 2003), um dos
melhores acervos virtuais sobre o fanzinato português, além de clabaorar em
vários jornais e em váris salões e festivais de quadrinhos. Quando for a Lisboa,
não esqueça, a Tertúlia Bd acontece há mais de 227 edições, no Restaurante Gina, todas as primeiras
terças-feiras de cada mês.

Flandres festeja Jommeke
Jommeke vai completar
50 anos em 30 de outubro, mas os belgas vêm fazendo a festa do cinquentenário
desde há alguns meses: para ser exato, desde abril. Criado num jornal de
paróquia por Jef Nys, Jommeke é uma das mais populares HQs flamengas,
especialmente, entre as crianças, que se encantam com as estórias de Jommeke, um
garoto de 11 anos, e seu papagaio Flip pelo mundo afora, que incluem seu
melhor amigo, Filiberke, as meninas gêmeas Rozemieke e Annemieke (e seus
bichos respectivos), além do severo professor Gobelijn. Rebatizada na
França como 'Gil et Jo', a série teve 36 álbuns editados em francês. Na
Alemanha, as aventuras foram publicadas pela Gemini Verlag, com o nome de Peter
+ Alexander, e tiveram mais de 10 álbuns publicados.
Os
principais eventos vem se dando em Antuérpia (cidade natal de Nys), em
Leuven (onde a princesa Astrid foi cumprimentar Nys), na cidade costeira
de Middelkerke,
que realizou uma edição especial de seu festival só para homenageá-lo, de 16 de
julho a 7 de agosto (confira fotos) e Sint
Niklaas, mas a festa não acontece só em Flandres: do lado valão, o Centre
Belge de la Bande Dessinée, em Bruxelas, sediou uma mostra pelo
cinquentenário, de 3 meses, encerrada no domingo. O lançamento
de um almanaque em setembro, de um álbum especial de inverno, em
outubro, e do 231º álbum regular (cujas tiragens devem se somar aos mais de
45.000.000 álbuns já vendidos), e de uma biografia de Jef Nys, em novembro,
completam as principais comemorações. Nós já vínhamos pensando em dedicar uma
nota ao fato, mas só agora encontramos um suporte que facilite aos leitores
conhecer mais de perto o visual do personagem, através de várias capas
publicadas neste
especial dos colegas do portal flamengo especializado De Stripspeciaal-Zaak,
que mostra a evolução da série nestas 5 décadas.

50 anos de
Hijitus
Foi em setembro
de 1955 que o Manuel García Ferré, um órfão emigrado da Guerra Civil
Espanhola, publicou as primeiras tiras com a presença de Hijitus na revista
Billiken (que existe até hoje), que, de personagem secundário, se tornou um dos
grandes sucessos de público dos quadrinhos argentinos. A partir do êxito de
Hijitus, Ferré fundou a revista Anteojito, em 1964, e que foi publicada
continuamente até 2001, num total de 1925 números. Em 1967, Hijitus teve a
honra de ser o primeiro desenho argentino adaptado para televisão. Tendo passado
depois ao cinema, Hijitus acabaria virando uma verdadeira grife, em balas,
cadernos, brinquedos e muito mais. Hijitus, como seu criador, é um garoto órfão
que vive nos arredores de Trulalá City. Larguirucho, seu amigo mais dileto,
acabou tendo também uma revista própria. O simpático chapelão de Hijitus
tem outra utilidade: quando ele diz 'Sombrero, sombreritus, conviérteme en Súper
Hijitus', ela acaba sendo capaz de voar e de realizar outras proezas de
super-heróis, sendo assim, considerado o 1º super-herói da Argentina. Apesar
disso, boa parte de seu sucesso, especialmente para a época, se deve à presença
de alusões à vida real. Especialmente, por que os garotos mais pobres, que liam
Anteojito, podiam se orgulhar de que a revista era melhor do que a
Billiken... Em
Buenos Aires, uma mostra pelo cinquenetnário será inaugurada no dia 22, no
Centro Cultural Recoleta, mas,
desde já, nós deixamos nossa saudação editorial, nesta ilustração que
pedimos ao Fadão para
realizar.

Um gênio aos 30
anos
Craig Thompson já
se incorporou de tal forma às boas listas de quadrinhos autorais no mundo que
custa acreditar que só agora, em 21 de setembro, ele está completando 30 anos. Thompson logrou este posto primeiro por sua
láurea de melhor estreante de 1999, pelos prêmios Harvey com 'Goodbye,
Chunky Rice' e, especialmente, por Blankets,
sua obra de mais de 500 páginas que conseguiu a proeza de ser eleita em 2004 a melhor graphic
novel nos EUA (pelos prêmios Eisner), melhor álbum lançado
em francês, pela ACBD (Association des Critiques et Journalistes de Bandes
Dessinées) e melhor HQ do ano, pela revista Time,
entre outros. O reconhecimento ao trabalho de Thompson se dá pela sua forma
absolutamente original de falar de amor, da infância em Wisconsin, de lugares
que ele visitou - como no novo álbum 'Carnet de Voyage', para o qual ele viajou
a Barcelona, aos Alpes Franceses e ao Marrocos para colher impressões de viagem,
com um estilo próprio dos grandes romancistas e com uma sinceridade de deixar
pasmo. Para nossa sorte, é de se esperar que muitas pérolas mais venham
assinadas por Craig Thompson.

Fano Funny
reúne 237 cartunistas
Com o nome de
'Boom', o Fano Funny, o portal italiano que mais agrega cartunistas de todo
o mundo convocou chargistas e cartunistas para colaborar numa mostra
com um tema vagamente apresentado como 'contra o terrorismo', o que em
outros casos, seria algo dúbio demais. Mas, a partir da trajetória do Fano
Funny, acreditamos que a expsoisção vai primar pela qualidade e pelo humor de
fino traço e inteligente. A convocatória se encerrou no dia 4, e enviaram
trabalhos 237 artistas. Entre eles, o Brasil se faz representar por Flávio
de Almeida (que acaba de inaugurar uma colaboração no Ciência Hoje, com
Ptix e a Turma do Zé Neurim), Amorim, Arionauro, Jorge Barreto, Biratan
Porto, J. Bosco, Casso, Ronaldo Cunha Dias, Fadão, Marcio Leite,
Dalcio Machado, André Marangoni, Nei Ramos, Jessé Ribeiro, Rico, Eder
Santos, Mario Vale, Patricia Vicezar, Raimundo Waldez e o meio baiano, meio cubano Osmani Simanca. Da
lista também fazem parte artistas do traço que são veradeiros papóes de prêmios
ou grandes incentivadores da união da classe, como Viacheslav Bibishev, Angel
Boligán, Crist, Valentin Druzhinin, Oguz Gurel, Miroslaw Hajnos, Karry, Christo
Komarnitski, Yuri Kosobukin, Lubomir Kotrha, Tadeusz Krotos, Mileta
Miloradović, Yuri Ochakovsky, Adam Orlamowski, Raquel Orzuj, Xosé
Pereiro, Javier Prado, Carlo Squillante, Omar Turcios e Kamil Yavuz.