Quadrantes dos
Quadrinhos, 08/09/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos

Minas de muitos
quadrinhos
Neste artigo,
procuramos (e vamos ficar devendo, com certeza) mostrar alguns personagens e
fatos da Nona Arte no estado brasileiro de Minas Gerais,
atualmente.
Sacadas de
Minas
1) O ET de
Varginha em Quadrinhos, personagem criada por Paulo Antônio, foi a grande
novidade de onde 'não se espera nada', este ano. Lançado em abril, o personagem
deu origem ao Studio Etzinho, que impulsionou a cidade a convocar sua Primeira Mostra Nacional de Histórias em Quadrinhos, para agosto passado (e que pelo visto, não aconteceu, mas já é uma bela
semente), e que reforçaria o esforço cultural da cidade, que já
realiza festivais nacionais de cinema e teatro. Para conhecer o
extra-terrestre brasileiro em sua versão quadrinhizada, confira uma
matéria em um portal que é referência no setor, o
Ufo-Gênesis.
2) Lançado em
meados deste ano, o 8º número da revista Graffiti 76%, uma das
mais bravas lutadoras pela afirmação da cena independente nas Alterosas,
trouxe um encarte especial com a primeira
História em Cubinhos de que se tem notícia, para montar e jogar; a revista
custa apenas R$3,50. O editor da Grafitti 76% é o italiano Piero Bagnariol, que,
como se pode ver nesta
matéria do Musibrasil, o portal que melhor faz a ponte entre Brasil e
Itália, também organiza o graffitti em Minas, onde o povo
está.
Um novo salão de
humor
Os Cartunistas Associados do Norte de
Minas estarão abrindo, juntamente com a UNIMONTES (Universidade Estadual de Montes
Claros), no dia 24, o 1º Salão Nacional do Humor de Montes Claros,
que coloca o Nordeste de Minas no roteiro nacional do humor de
traço. Foram apresentados 722 trabalhos, um belo número para um salão em
sua primeira edição. O belíssimo júri - formado Ziraldo, Zélio, Lor e
Camilo Riani - já selcionou 120 trabalhos na terça-feira passada. Está
prevista uma exposição do 'Manifesto aos Cartunistas', realizada por Konstantin
Christoff, que também estará lançando o livro 'Rapazes de Fino Traço', que
ele assina juntamente com Georgino Júnior, Márcio Leite e Wandaick Santos. Ah,
se você achou estranho o nome Christoff para um mineiro, você tem razão: ele
também é artista plástico e o primeiro cirurgião plástico a atuar em
Minas Gerais. Esperamos que o salão tenha
menos problemas que o Salão de Caratinga (cidade natal do Ziraldo), que também
acontece em setembro.
Ecos de
Minas
No plano
internacional, não resta dúvida que a grande contribuição do ano para que
Minas fosse vista com bons olhos foi dada pelo galego Miguelanxo Prado, que
lançou, este ano, pela bela coleção Cidades Ilustradas, o álbum correspondente a
Belo Horizonte, com o subtítulo Nostalgias, onde a capital de todos os mineiros
não é cenário, e sim, personagem, tratada por um quadrinhista que também é
arquiteto de formação. O álbum também já foi
publicado em maio, em
francês, por um dos melhores
selos de quadrinhos do mundo: a Casterman.
Fanzineiros
1) Os dois irmãos
gêmeos mais originais do fanzinato brasileiro são de Uberaba. gêmeos e
fanzineiros já seria bastante original, convenhamos, mas André e Davi,
e seu fanzine CRISE (Cada Razão Insiste Ser Especial), marcam - com uma
constância invejável - a sua presença nos grandes encontros de
fanzineiros brasileiros, quase todos, fora de Minas, com uma forma muito
peculiar de apresentar os produtos de 'A Vacalhada', a sua editora independente.
André e Davi também são protagonistas de uma bela mostra da inteligência
mineira: esta matéria sobre os
gêmeos, de Graziela Christina de Oliveira, então caloura de jornalismo da
Uniube, é um ótimo contraponto ao que anda faltando em muitos veículos de
comunicação da chamada 'grande' imprensa, por seu interese pelo assunto e
por sua vontade de preencher cada detalhe com
informações.
2) Nos dias 8, 9 e 10
de junho, aconteceu, na casa de shows Matriz, em Belo Horizonte, a Mostra
Mineira de Zines, que procurou ressaltar a importância cultural dos fanzines e
das revistas alternativas. A mostra também foi um ponto de encontro e
reflexão dos produtores e admiradores da cultura alternativa. Além de
quadrinhos, a mostra apresentou zines de poesia, humor, literatura e
de protesto, além de fanzines digitais. A produção local de curtas-metragens de
cinema também se fez presente.
Gente que
mostra
Inaugurada em
setembro de 2003 por Alencar Fráguas, com uma exposição de quadrinhos, a
livraria e café Quixote levou para a elegante região da Savassi, em Belo
Horizonte, uma variedade cultural que se destaca das butiques da área, e tem
sido o espaço para lançamentos de vários tipos. Agora, no dia 20 de agosto,
o segundo volume de 'A
Mulher Vai ao Cinema', de Inês Assunção de Castro Teixeira e José de Sousa
Miguel Lopes, foi lançado na Quixote. Marcando 2
anos da Quixote, o original quadrinhista Wellington Srbek lança, neste dia
10 (sábado) a revista em preto e branco Monstros (R$ 4,00), num encontro que
terá a presença de outros autores locais. Esperamos encontrar em breve a HQ para
poder resenha.
Uma bela amostra do que fazem Srbek e
seus parceiros Cleuber e Fernando Cypriano, integrando outros quadrinhistas, nas
já publicadas Mirabilia, Fantasmagoriana, Mystérion, Apócripha e Quantum pode
ser conferida na loja virtual da sempre oportuna Marca de Fantasia.
Gente que
organiza
A Associação
Nação HQ
é, sem dúvida, um dos grandes baluartes dos
quadrinhos em Minas Gerais, e deve ser conhecida diretamente em seu novo
endereço (desde julho): Rua Carijós 424 Sala 1814, telefone (31) 3075-0501. Além
de ministrar cursos, o pessoal já está empenhado em realizar a
Bienal Nação HQ, que deve
acontecer no segundo semestre de 2006.
Gente que
anima
Em cinema de
animação, Minas tem muitas contribuições, quase incontáveis. A última prova vem
de Ricardo Cristofaro, artista de Juiz de Fora,
que foi premiado no Incuba -
Festival de Arte Electronico de Rio Gallegos, na Patagônia argentina,
que acontece de 22 a 28 de setembro. Entre as várias categorias do festival,
Cristofaro foi premaido por sua obra 'Objetos Ansiosos', animação
gráfica em 3D, que será objeto não só de premiação, mas, também de uma
exposição individual e de um catálogo com sua obra. Conheça a obra de
Cristofaroo, diretamente em sua
página eletrônica, no portal da UFJF (Universidade Federal de Juiz de
Fora).
Humor
online
Para conhecer um
pouco do humor de traço em Minas, existem vários nichos: 2 dos jornais de maior
circulação da capital (apesar de manter fechados os conteúdos de seus
noticiários, permitem que se tenha acesso aos trabalhos de 4 ótimos
chargistas: Lute e Mario Valle (do Hoje em
Dia) e Son Salvador e Oldack Esteves (Estado de
Minas); o terceiro, O Tempo, remodelou
seu portal recentemente e - entre seus
colunistas - tem publicado excelentes
crônicas do mestre Ziraldo. Pelo interior, a Tribuna de Minas, de Juiz de Fora,
publica o ótimo Bello, diariamente; em Governador
Valadares, temos o Santo (que resolveu deixar de
assinar Espírito Santo) no Diário do Rio Doce, com soluções
originais em charges diárias. Falta mesmo está fazendo o
Valtenio, de O Correio (de Uberlândia), que com seus cartuns baseados em um
apresentador de TV davam bem conta de mostrar as coisas tortas do Brasil.
O já citado Paulo
Antonio, quadrinhista do ET de Varginha, tem algumas suas charges publicadas no
Tribo Varginha. Por último, e de
modo nenhum, em último, vale indicar a grande novidade em humor de traço no
Brasil em 2004, a nosso ver: a turma dos Tranquêra, criação do
Jaral, que consegue mostrar os jovens de Minas numa vesrão 100%
mineira e 100% universal.
Um senão
O único setor que discrepa
desse tecido rico, que tem tudo para crescer, são as universidades. Contando com
8 universidades federais e outras escolas que somam à inteligência nacional em
vários campos como a PUC-Minas, o que o setor universitário tem
feito pela Nona Arte mineira está muito abaixo do que se pode esperar, apesar de
alguma coisa realizada na UFMG (como o curso
de HQs ministrado por Wellington Srbek e Fernando Cypriano, este ano) e das belas novidades da Unimontes e da
UFJF.
Um
vetor
Toda esta vitalidade leva a crer
que na 4ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo
Horizonte, confirmada para o período de 5
a 9 de outubro, teremos muitas notícias a contar. Conheça a trajetória do
festival, em sua página eletrônica
oficial.

O Dia dos Quadrinhos
Chilenos
O portal e
coletivo chileno de quadrinhos Ergocomics acaba de dar mais
uma mostra de sua capacidade de aglutinação e de enfocar
corretamente a promoção dos quadrinhos. Para celebrar - pela 3ª vez
- o Día de la Historieta (o dia nacional dos quadrinhos), que só acontece
em janeiro de 2006, o portal já lançou 2 concursos para estudantes do
segundo grau e universitários da região metropolitana de Santiago. Um para
jovens quadrinhistas e outro, com o tema 'Humor Gráfico Político'. Além da
premiação, os jovens realizadores terão direito a uma exposição física e também
online de seus trabalhos. A iniciativa tem apoio da prefeitura de Santiago e do Instituto Profesional ALPES, que forma
ilustradores. Confira um pouco do
que foi o Día
de la Historieta em 2005, em que os quadrinhos ligados ao futebol
foram destaque.
W.I.T.C.H. e os
Schtroumpfs em Łódz
Mais uma bela notícia
vem alongar nossa série sobre a verdadeira Nona Arte na Polônia: Łódz vai sediar ,
de 7 a 10 de outubro, o 16º Miedzynarodowy Festiwal Komiksu
(Festival Internacional de Quadrinhos), que traz convidados que mostram
vertentes bem diferentes do quadrinho europeu. Tadeusz
Baranowski, o polonês que publica para o mercado das bandes dessinées desde
1984 e que é dono de muitas outras capacidades além dos quadrinhos, estará
recebendo seus colegas convidados de honra da edição de 2005: Yvan Delporte
(criador dos Schtroumpfs e de Johan et Pirlouit) e os italianos Gianluca
Panniello e Elisabetta Melaranci, que representam uma das craições italianas de
maior sucesso comercial em todo o mundo: W.I.T.C.H. Outros quadrinhistas da
Rússia, Suíça, Alemanha, República Tcheca e França estarão presentes, e se
espera que no total, mais de 100 quadrinhistas façam a festa. Além de
Baranowski, outros quadrinhistas locais que terão destaque são Marek Raczkowski,
Krzysztof Garwonkiewicz, Grzegorz Janusz e Mateusz Skutnik. Para ter uma
idéia de como é o clima do festival, confira as fotos do ano
passado.

2 álbuns do
Batman
Para marcar 16 anos de
Batman: Asilo Arkham (Arkham Asylum), que valeu a Grant Morrison
(pelos roteiros) e Dave McKean (arte) uma entrada pela porta da frente no mundo
dos comics, a DC está lançando 'Arkham Asylum Anniversary
Edition', que em 212 páginas (ao preço anunciado de 18 dólares) uma reprodução
da série, mas também uma cópia do roteiro original e anotado por Grant Morrison,
além de uma seção que mostra o desenvolvimento passo a passo de uma
das séries mais cerebrais do Batman. A DC só não diz o que foi feito da censura
ao roteiro original... O álbum estará nas gibiterias americanas em 5 de outubro.
Em Absolute Batman: Hush, lançado ontem, a DC faz uma nova compilação em único
volume e formato gigante da série publicada entre 2002 e
2003 (que já tinha sido publicada em 2 volumes), que, em conexão com o
Asilo Arkham, tem o fato de que boa parte da trama se passa na cabeça do
Homem-Morcego. Em Hush, a arte de Jim Lee e Scott Williams acabou dando
soluções mais que satisfatórias a um roteiro em que Jeph Loeb promoveu um
verdadeiro desfile de inimigos do Batman, com direito a aparição de Superman. Na
época, Hush recolocou Batman no topo dos mais vendidos, o que prova que,
pelo menos os fãs, gostaram - e muito. A nova compilação, de 372 páginas, ao
preço anunciado de 50 dólares, traz uma nova capa, um sketchbook de Jim
Lee e comentários da equipe que realizou a série, sobre cada gibi.

Em
cena, Pooh
'Disney Live!
Winnie the Pooh' é o nome de um espetáculo teatral que a FELD
Entertainment (responsável pelo Disney on
Ice) começou a levar ao teatro de várias cidades americanas ontem, com Pooh,
Piglet, Tigger, Eeyore e toda a sua turma. Na melhor linha dos espetáculos
infantis, o show traz uma orquestra de 40 músicos que complementam bem a
parafernália tecnológica que inclui, claro, muitas luzes e efeitos
especiais. No site oficial, você encontra
desenhos para colorir, um vídeo e uma fotogaleria do espetáculo e o
calendário das apresentações. Os ingressos têm um preço algo salgado: de 20
a 62 dólares para adultos.
Estepona: HQs no festival de
cinema
A cidade malaguenha de
Estepona tem se notabilizado por realizar festivais de cinema que se ocupam mais
de agrupar as produções independentes do que as grandes películas. Nesta
caminhada, claro, tem buscado dialogar com vários setores da criação humana. Na
nova edição do seu Festival de Cinema Fantástico (aberto na segunda),
Estepona dedica 2 mostras paralelas aos quadrinhos: 'El Deporte en el Cómic', em
que Mafalda, Astérix, Tintin e Lucky Luke apresentam seu aspecto mais
esportivo (que segue até o dia 16) e uma dedicada ao madrilenho Alfonso
Azpiri , que tem ligações em sua carreira com o fantástico (especialmente
por Zephid e Lorna), mas que está sendo lmebrado por Mot, seu personagem
infantil Mot, que foi lançado no jornal El País em 1988 e que já virou série de
televisão. Aberta hoje, a mostra estará aberta somente até
sábado.
O 1º filme de Joss
Whedon
Joss Whedon que já emplacou duas
séries suas de HQs em adaptações para TV: Buffy: a Caça-Vampiros
e Angel; já começou a divulgação do filme Serenity, que ele
dirigiu e roteirizou, em festivais, como o autoral festival de Edimburgo, em
agosto, embora a estréia só aconteça no dia 30, nos Estados Unidos, em circuito
comercial. Com um elenco pouco estelar, o filme mostra uma guerra galáctica que
acontece daqui a 500 anos. O filme é uma adaptação da série que Whedon criou
para a TV em 2002: Firefly, que de 6 capítulos foi condensada para 2
horas de tela. Serenity acaba condensando muita ação, e sendo mais pesado que a
série original. A grande sacada de Whedon foi exatamente não trabalhar com
estrelas, e assim, a trama acaba ganhando força. Mas no tocante à estilização,
os figurinos deixam a desejar, contrastando com o uso intensivo de efeitos
especiais. Nos EUA, o filme será indicado
apenas para adolescentes ou adultos. Vale lembrar que o filme é uma prévia para
outro projeto com direção e roteiro de Whedon: a adaptação da Mulher
Maravilha para o cinema, anunciada em março deste ano.

Dibbuks e La Caravelle
Lançada em 2004,
a éditions Caravelle é um
selo dentro do grupo Glénat que acabou se especializando, em boa parte, na
tradução de autores da Europa e da Península Ibérica. Uma de suas propostas
mais interessantes é a coleção Urbaine, que pretende mostrar personagens urbanos
únicos e cidades diferentes, com a sua personalidade própria. Para a estréia da
coleção, foi escalada uma dupla espanhola: Jorge Gonzalez e Carlos
Jorge, com o álbum Le Vagabond. Na sequência, (mais) um polonês, Irek
Konior, que em Fishermen Story, faz uma bela homenagem a Ernest Hemingway,
reinventado a imortal obra 'O Velho e o Mar', em que o velho acaba sendo o
próprio Hemingway. Agora, em agosto, a Caravelle deu uma dupla mão aos tebeos, publicando o
1º álbum de 'El Perdición', com roteiros de Lorenzo F. Díaz, que além de
quadrinhista também é editor crítico e tradutor de quadrinhos e arte de Carlos
Puerta, que é parceiro constante de Díaz, e já teve trabalhos publicados por
caasa tão diferentes como Ediciones B (a mesma de Mortadelo) Strip Art Features
(a SAF, garnde distribuidora eslovane de quadrinhos para o mundo todo) e Heavy
Metal. A obra da dupla mais conhecida é The House on Pollack
Street, exatemente editada pela SAF. Em El Perdición, ambos realizam um
original álbum sobre piratas e mulheres. O segundo álbum é uma grande
aposta de La Caravele (e da Glénat) no talento de Sergio Meliá, que a despeito de já ter trabalhado na Disney, Marvel e DC,
agora está se afirmando como talento solo. Seu álbum 'Une Mansarde à Paris'
versa sobre uma estória de amor que acontece sob uma platibanda do bairro
parisiense de Paris, nos anos 50. A versão espanhola do álbum,
'Una Buhardilla en París', estará sendo autografada por Meliá nesta
sexta, em Valencia. Não por acaso, a editora responsável pelo álbum na Espanha,
a Dibbuks, também está publicando o 1º volume de El Perdición. Além destes dois
lançamentos autorais, ainda se pode conferir, entre os novos títulos da Dibbuks,
'La Diosa Sumergida', de Miguel Calatayud, lançado em julho, que é,
na verdade, uma republicação do que o quadrinhista que iniciou a chamada
'Escuela Valenciana' já fizera publicar em 1984 em capítulos pela revista
Rumbo Sur. La Diosa Submergida é uma HQ em que o colorido não fica nas tintas: a
ação é extremamente lírica e se passa no Mar do Caribe, onde um tesouro
esquecido acaba sendo o fio condutor de belos desenhos que ostram patifes de
toda a sorte. Para quem gosta de quadrinhos autorais, uma bela combinação
de selos a ter sempre em conta.
