Quadrantes dos
Quadrinhos, 05/09/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
Cambito 'monta' a Europa e as
Américas
Cambito, o personagem de quadrinhos
de Otávio Rios que mostra a vida favela carioca, acaba de ficar mais
internacional (ele já tinha um site com as suas tiras em
inglês), com a publicação dos novos jogos na
Cambitolândia. Entre
eles, dois que esperamos, sejam rapidamente difundidos para que as cianças
de todo o mundo conheçam o ativo menino que cuida de ser o cronista da
condição de vida do povo das favelas do Rio de Janeiro: o Quebra-Cabeça
Europa e o Quebra-Cabeça Américas, onde o objetivo é montar, online, país por
país, cada continente. O jogo é muito bem bolado e acaba sendo uma forma muito
divertida de descobrir o mundo. Aproveite e conheça o site das tiras do
Cambito, onde é possível se cadstrar para
receber as tiras por e-mail. Camito também anunciou a sua presença no Dia das Crianças (12/10) no
Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro.
Aproveitamos a
oportunidade para saudar, neste 7 de Setembro, outro desses muitos
gigantes que o Brasil tem e não conhece: Jaziel de Oliveira , o
webmaster da , que, tendo nascido nos morros do
Rio de Janeiro, aprendeu sozinho a programar e a realizar todo o tipo de
aplicações para Internet com uma maestria e senso de aplicação para as
quais o adjetivo 'raro' chega a ser
pouco.

O que
aproveitar do BD Fil
Infelizmente,
para a Nona Arte, o Neorama dos Quadrinhos acertou mais uma: Em junho, nós dizíamos que o senhor
Pierre-Alain Hug,
antigo presidente do festival BD Sierre (o mais tradicional festival de
quadrinhos da Suíça), estava criando um novo festival e que o seu
comportamento ao abandonar a batalha pela manutenção do festival BD Sierre
(cujo
site até hoje não traz a versão
oficial sobre seu final) indicava que se tratava de uma iniciativa cujo
interesse era mais comercial do que artístico. Aliás, olhando bem, até o cartaz
oficial passa um pouco esta idéia... Pois bem, veio
o tal BD Fil (em Lusanne, realizado este final de semana), e a primeira declaração que o jornal local 24 Heures estampou foi a de ninguém menos que
Thierry Groensteen (editor da L'An), que está longe de ser o tipo do editor que
se importa essencialmente com o aspecto comercial: 'Não voltarei: aqui,
vendeu-se um quarto do que se vende em outro festival do mesmo porte'. O que
prova que festivais de bandes dessinées - pelo menos ainda - não são
impulsionados por esquemas de publicidade e sim pela motivação e confiança do
público. Vale lembrar que a Suíça já realizou, este ano, o Fumetto, e que foi um
sucesso além do esperado. A lição que tiramos da cena local de Lusane veio
do mesmo jornal, que mostrou, em sua edição de domingo, o Canal BD, uma articulação de 4 gibiterias (ou
bedetheques locais) que se reuniram para fazer face à invasão de grupos
monopolistas de vendas de quadrinhos (em especial a FNAC). Na melhor tradição
dos quadrinhos de expressão franco-belga, o Canal BD não só se preocupa em
vender álbuns e revistas, mas também publica a sua própria revista, a Canal
BD Magazine, que está em seu 43º numero, além de promover encontros
constantes de autores locais com o público. Pelo que vimos no site da anal BD
nesta segunda-feira, parece que quem garante de fato a cena local em Lausanne
imitou Alfred Newman: ignoraram solenemente o BD Fil. Em tempo: Para acompanhar o humor gráfico que o 24 Heures publica, vale por em seus favoritos os cartuns de Burki.

A verdadeira
Nona Arte polonesa (2)
2 eventos ligados
a uma das amigas mais íntimas dos quadrinhos, o poster - ou cartaz - , em que os
poloneses são mestres, vieram estender um pouco a nossa série sobre a cena
polonesa: Em Santiago do Chile, Roman Kalarus, um dos poloneses que
inclui melhor a arte do inesperado na
comunicação visual está desde a última semana de agosto, com uma exposição
individual na Universidad Diego Portales (que acaba de lançar a revista de artes
gráficas 180). A divulgação do evento teve o bom senso de divulgar
o verdadeiro pano de fundo do qual Kalarus é um dos expoentes: na verdade, como
em poucos países, o cartaz de rua é considerado de há muito tempo um trabalho
artístico relevante. No Velho Continente e, duas cidades estão
tendo a oportunidade de conhecer a verdadeira arte de quem apoiou o Solidarnosc
enquanto movimento, nos anos 80: Bruxelas (até 4 de outubro) e Barcelona
(de 21 de setembro a 21 de outubro) estão
recebendo montagens da exposição Images of 'Solidarity' que traz um olhar muito
mais generoso e amplo do movimento político e social, resgatando desde suas
origens católicas às de cunho marxista, sendo um mosaico muito mais amplo do
que artistas fizeram em nome de seus sonhos do que o recorte positivista
apresentado no álbum laudatório em quadrinhos em torno do ex-presidente Lech
Walesa. Um catálogo em 5 idiomas, com o oportuno nome de Solid Art, acompanha a
mostra. Aliás, não é à toa que Varsóvia
sediou a primeira Bienal Internacional do Cartaz, em 1964, tradição que é
seguida por Katowice, que em 2004 realizou a 18ª edição de sua
Bienal do Poster.

Capa da Komixorama
por Pawel Miedzinski
Por falar em
Polônia
Nosso colega
Felipe Meyer, do portal Sobrecarga, acabou tendo mais confiança do que nós
mesmos em uma de nossas propostas, por assim dizer. Na quinta-feira passada, nós
enviamos um e-mail de consulta a alguns profissionais de portais sobre uma idéia
em gestação que tivemos para aproximar o riquíssimo mosaico que faz da Polônia
um país em que os quadrinhos têm uma solidez única, no que diz respeito à
extensão de seus eventos, atividade constante e conseqüente de seus agentes, e
parceiros muito enriquecedores - o que inclui, além dos posters, uma
multinacional que tem um comportamento exemplar, a Egmont Polska (tema de nossa
nota de amanhã). Bem, como a nota foi 'vazada', vamos delinear em poucas linhas
o que sugerimos realizar, para o que, evidentemente, necessitamos de algum apoio
institucional: uma videoconferência de profissionais envolvendo vários países,
com tradução simultânea, para que se possa não só difundir um pouco desta
experiência, mas, também aprender com ela. Caso tenhamos êxito, nosso intuito é
realizar outras do mesmo tipo, envolvendo agentes da cena argentina e espanhola,
com intervalos de pelo menos 3 meses, pois é um trabalho algo difícil de se
organizar. Na melhor das hipóteses, estaremos realizando a primeira ao final do
inverno europeu.

Vermont une seus
gigantes
O Brattleboro
Museum and Art Center, museu sediado na cidade do mesmo nome, no pequenino estado de Vermont, na Nova
Inglaterra, deu uma das
primeiras provas de que o estado resolveu falar bem e alto no
mundo dos quadrinhos, a partir da implantação do Center for Cartoon Studies, a
grande escola de quadrinhistas que tem Steve Bissette e Art Spiegelman na
direção e cuja primeira aula será proferida no dia 10. Os 5 quadrinhistas mais
reconhecidos por seu trabalho, e que são nascidos no estado, Steve Bissette, James Kochalka, Frank
Miller, James Sturm e Rick Veitch, estão reunidos na exposição
'Comic Art in the Green Mountains', que está
aberta até o dia 5 de novembro, com direito a
palestra de Steve Bissette no dia 27 de outubro. O Brattleboro Museum and
Art Center, vale registrar, realiza mostras muito variadas, a bem da
verdade, o que inclui de uma mostra antológica do criador da op art, Andy
Warhol, em 2004, a uma mostra de Barbie, este ano, passando por inúmeras
latitudes e quadrantes das artes e da sociedade, ao longo de sesus 23 anos de
fundado.

A biblioteca
Charles Schulz
Além de colocar Vermont
na ordem do dia dos quadrinhos, o Center for Cartoon Studies, a primeira escola
de longo curso para formação de quadrinhistas nos Estados Unidos, já estréia com
uma outra grande contribuição para o acervo da Nona Arte, a The Schulz
Library, que será instalada no museu da cidade em que está sediado, White River Junction.
Criada com o apoio direto da viúva de Schulz, a biblioteca será não só um
depositário de gibis, álbuns e revistas, mas acima de tudo, um centro de
reflexão crítica sobre os quadrinhos, numa extensão de uma das principais
lições deixadas pelo pai de Charlie Brown, Snoopy e tantos outros personagens:
um quadrinhista de humor não se forma pelo ímpeto da primeira juventude, e sim,
a partir de alguma maturidade que refina o poder de refeltir sobre o mundo.
O diretor do centro, James Sturm, e
sua equipe, já começaram a catalogar o material, sobre o qual não foram
publicados dados precisos quanto ao número de peças.
A França só
fala em BullDozer
A nova revista
francesa sobre quadrinhos, a BullDozer, já nasceu animando a cena local, não
somente dos portais especialistas, Mesmo jornais de circulação nacional
(Como Le Figaro e Le Nouvel Observateur) já estão se dedicando a falar na
revista lançada no dia 1º e que é a sucessão da extinta Dossiers de la
Bande Dessinée. A proposta da revista é falar sobre todos os gêneros de
quadrinhos, e ela será vendida em bancas e livrarias especializadas. O novo
álbum de Jacques Tardi (sobre o qual já falamos no Quadrantes dos Quadrinhos) é
o principal assunto de estréia, com direito a uma entrevista conduzida pelo
editor da BullDozer, Frédéric Bosser. Outra entrevista traz a dupla François
Boucq e Alejandro Jodorowsky falando sobre a sua série western
Bouncer (que chega a seu 4º álbum pela Humanoïdes Associés). O terceiro
destaque vai para Didier Crisse e Fred Besson, que falam sobre a série Ishanti
(publicada pela Soleil), cujo ambiente é o Egito antigo, em que Besson inova em
uso do computador para realizar a arte, e que foi realizada - em boa medida
- a distância. O restante das 96
páginas traz resenhas e notícias sobre os eventos em curso. Pena que a página
eletrônica oficial não seja um cartão de visitas à altura do que andam
falando da revista.

Em cena,
Ziraldo e Maurício
Os 2 autores
brasileiros de quadrinhos de maior (e merecido) prestígio, Ziraldo e
Maurício de Sousa, continuam - literalmente - fazendo e acontecendo. Primeiro,
vamos ao fazendo: numa crônica assinada por Maurício, do dia 2, os dois acabam
por dar uma bela lição de história das famílias portuguesas que foram morar no
Brasil, na qual o Ziraldo acaba por defender a sua família, os Pintos, de uma
forma, digamos, bem ziraldiana, e que merece ser lida, aqui. Já separados, nossos autores
continuam sendo objeto de reconhecimentos variados: Maurício de Sousa terá a sua
infância contada em livro, por um dos profissionais de jornalismo que mais
dignificam o ofício: Audálio Dantas, o atual vice-presidente da ABI (Associação
Brasileira de Imprensa) e que já contou, também, as infâncias de
Tarsila do Amaral e Graciliano Ramos, e que já recebeu, em 1981, o
Prêmio Kenneth David Kaunda, da ONU, por sua trajetória humanista. O livro, ''A
Infância de Mauricio de Sousa', que será lançado no dia 25 de setembro, em São Paulo, traz um
depoimento duplamente feliz, para os dias de hoje: por ser uma homenagem alegre
a um garoto de infância feliz, que foi colega de Audálio na redação da
Folha da Manhã, nos anos 50, que traz a assinatura de um jornalista que
mais do que ser um anotador de fatos, é um verdadeiro cronista e partícipe
de seu tempo, como pode ser atestado pela leitura de seu artigo 'Globalização econômica e manipulação da informação'. A integridade do Ziraldo também é a responsável por mais
um convite sul-americano: ele é uma das 5 personalidades convidadas ao III
Encuentro Internacional sobre Diversidad Cultural, que está acontecendo de 5 a 8
de setembro, em Buenos Aires, para o qual são esperados 80 secretários de
cultura das Américas e da Península Ibérica. Ziraldo ainda encontrou fôlego para
ir à 5ª Feira do Livro de Ribeirão Preto
(interior de São Paulo) que acontece de 9 a 18 de setembro.