Quadrantes dos Quadrinhos, 02/09/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos


 
 
Action 
contre la Faim no Neorama dos Quadrinhos
 
BD contra a fome
 
A OnG Action contre la Faim realiza em setembro, pela 2ª vez, a atividade chamada 'Une Assiette contre la Faim'  A atividade consiste de uma série de pires pintados por artistas e personalidades de vários segmentos, doados para um leilão online. A presença forte das bandes dessinées está clara  na página eletrônica da iniciativa, onde a maioria dos links (e o banner) para entidades que apóiam a iniciativa é da Nona Arte: de veículos de comunciação especialistas como o portal Actua BD e as revistas BoDoï e Bédéka, a editoras como Casterman, Dargaud, Dupuis, Delcourt, Fluide Glacial, Glénat, Soleil e Vents d'Ouest. Claro, um grande número de artistas dos quadrinhos também disse sim. O leilão online já está aberto desde 1º de setembro. O pires da bela Colombe Tiredaille - de Dany - já tinha um lance de 35 euros, logo na abertura do leilão, um de Plantu (cartunista do Le Monde), 17; uma girafa de Mordillo, 10, e um do campeão de vendas Zep, de 50 euros, como exemplos. Também há peças legadas por artistas já re-conhecidos por seu trabalho como Caza, Quino, Varanda, Vuillemin, Juillard, Gotlib, Edika, Nicolas Mitric, Giuseppe Camuncoli, F'Murr, Solé, Jo-El Azara, Moebius e Nicolas de Crecy.
 
 
Corporações solidárias nos EUA
 
A contundente tragédia que se abateu sobre o estado de Louisiana já foi objeto, até onde pudemos ver, de ações de 3 corporações econômicas de grande porte ligadas aos quadrinhos, nos EUA. Mais uma vez (como tinha feito no 4 de Julho), a gigantesca loja virtual Mile High Comics deixou de falar em primeiro aos muitos milhares de assinantes de sua newsletter sobre as centenas de lançamentos e de novos gibis m estoque para falar da confiança em que a solidariedade do povo americano vença a tragédia; a Mile High Comics também lançou uma lista de gibis com descontos cujo resultado da venda será entregue ao Salvation Army Hurricane Relief Fund. Os estúdios Disney anunciaram a doação de 2.500.000 dólares, divididos entre Cruz Vermelha (1.000.000), entidades de assistência às crianças e centros de voluntários.Por sua vez, a DC Comics informou que os itens perdidos pelos donos de gibiterias serão repostos sem nenhum custo.
 

Solzinho no Neorama dos Quadrinhos
 
Solidariedade no Brasil
 
A Ri Happy é um bom exemplo brasileiro em venda de brinquedos. Além de trazer inúmeras opções de brinquedos em seu site (, especialmente ligados a quadrinhos como Princesas Disney, Batman Begins, e Homem-Aranha, para citar apenas algumas novidades, a Ri Happy também vende a Revista do Solzinho,  que traz sempre uma HQ com enquadramentos bem feitos e ritmo
 que compõem uma bem fechada HQ com temática infantil, e não uma HQ 'adaptada' para crianças (cujo maior defeito é não trazer a assinatura de quem a realiza). Agora, a Ri Happy está se associando a um dos parceiros que mais tem procurado os quadrinhos, a Fundação Dorina Nowill para cegos, que deu a inspiração para Maurício de Sousa criar a personagem cega Dorinha, lançada há um ano atrás, e que esteve na 2ª Feira do Livro Infantil, Juvenil & Quadrinhos em São Paulo, realizada em agosto. Agora, ao adquirir qualquer produto Max Steel ou Polly mais R$2,00 o comprador leva para casa uma pulseira Amigos do Braille. Toda a venda das pulseiras será revertida para a fundação. Quem sabe, mais gente se dê conta com os exemplos do Mauricio e da Ri Happy que as crianças cegas querem, sim, ser amigas dos quadrinhos.

Nicolas Klon no Neorama dos Quadrinhos
 
E o Paraguai foi mais longe
 
A primeira historieta paraguaia a ser publicada en vários lugares do mundo, começa por marcar um tento nunca alcançado pelos quadrinhos latino-americanos: Logo no lançamento, ela será publicada em 3 nações africanas: Nigéria, Quênia e África do Sul, além de Estados Unidos, Canadá, Espanha e Itália. O segundo detalhe é o autor mais conhecido da dupla de realizadores, o roteirista Robin Wood, que era largamente asociado ao cenário argentino por sua série Nippur de Lagash (que tem um dos melhores fan-sites da América Latina), que assume desde início o projeto como um marco da HQ paraguaia, e se associou a seu compatriota, o desenhista Roberto Goiriz (que tem passagens profissionais por outros setores que não os quadrinhos) para realizar Warrior-M, um personagem que é apresentado como o último guerreiro da humanidade, que luta por vários ideais, apesar de que eles já estão quase em desuso pela raça humana (n que guarda alguns elos com Nippur).  A HQ colorida será editada em revistas de 48 páginas. Como Wood é dado a se preocupar tanto com a ação como com o aspecto psicológico e social de seus personagens, é possível que, mais que vender, a HQ ganhe adeptos em vários pontos do mundo. Goiriz contabiliza, em carreira solo, a publicação próxima de sua HQ Nicolas Klon, sobre um clone de um homem rico que não aceita a sua situação de clone, originalmente publicada na revista paraguaia El Raudal. 
 
Sins Entido no Neorama dos Quadrinhos
 
Histórias de quadrinhos: Espanha e Holanda
 
O selo independente Ediciones Sins Entido está lançando uma obra que está em preparo há mais de um ano ''De Madrid a los Tebeos. Una Mirada Gráfica a la Historieta Madrileña'', fruto da colaboração entre a câmara legislativa da capital espanhola e o Colectivo Lápiz de Tinta, que traz, em 215 páginas (40 euros), mais do que uma lista de autores de quadrinhos madrilenhos desde 1939, uma análise, década a década, da evolução dos quadrinhos em Madri. A ficha ISBN tem por número 8496102106. Já a Lambiek, uma das maiores gibiterias da Europa, acaba de por à venda (por 30 euros) 'De Wereld van de Nederlandse Strip', (O Mundo dos Quadrinhos Holandeses), livro que traz, em 160 páginas coloridas, uma seleção de imagens que expõe 360 autores dos Países-Baixos. A autoria é da dupla composta por Kees Kousemaker, que pesquisa quadrinhos desde 1968, e da jovem (33 anos) quadrinhista Margreet de Heer.

 
A verdadeira Nona Arte Polonesa (I)

O maior desserviço que uma cena local da Nona Arte pode ter é ser noticiada por gente que não a conhece ou tem motivos escusos. No caso da Polônia, estes dias, este desserviço anda com se desenvolvendo com muita insistência, a partir de uma 'notícia' que sequer é nova (o álbum em questão já tem um mês de lançado). Me refiro a um álbum que faz um brutal redução histórica do que foi o Solidarnosc na Polônia, e que, se aproveitando de seus 25 anos, faz uma apologia a um de seus personagens, num recorte típico de quem quer se aproveitar da desinformação. Qualquer polonês de 40 anos sabe que não se pode contar uma história do sindicato polonês sem ressaltar outras pessoas. Para mais, o senhor Lech Walesa quando guindado a presidente da Polônia, não fez absolutamente nada pela Nona Arte (e por outras artes).
 
Nós ainda vamos voltar ao assunto, já sublinhado em outros resumos nossos. De momento, vamos apenas nos reportar a duas notícias desta semana, referidas ao mercado mais exigente de quadrinhos da Europa, o francês.

Pelo selo da L'An 2 (a melhor editora de quadrinhos autorais realizados por não-franceses na França, entre outras coisas), foi publicado no dia 24 a reedição de uma obra de uma portentosa intelectual polonesa: Franciszka Themerson (1907-1988), que colocou em desenhos Ubu Rei (Ubu Roi), uma das peças de teatro mas importantes de toda a história da dramaturgia mundial. O esforço da L'An 2 é ainda mais relevante pois, até então, a obra só tinha sido publicada no Japão e Holanda. Confira a ficha oficial.

O outro caso é ainda mais revelador da má-fé (ou preguiça) jornalística, pois é difícil acreditar que alguém que tenha feito um mínimo de pesquisa não chegasse até esta obra (que saiu pela mesma editora do dito álbum do Solidarnosc, a Zin Zin, sediada em Poznan), que é, sim, um registro profundamente autoral e original da história recente na Polônia. A editora Casterman (a mesma de Tintin e Corto Maltese) começou a publicar em francês 'Achtung Zelig!' (originalmente 'Achtung Zelig! Druga Wojna') de Krzysztof Gawronkiewicz e Krystian Rosenberg, um depoimento em quadrinhos sobre o período de censura na Polônia, que utiliza vários elementos para mostrar como os artistas do desenho e da literatura conviveram com a censura usando um recurso que se conhece bem em histórias das artes em outras nações: a parábola. O ritmo do álbum, marcado pela variação entre desenhos em páginas duplas e composições de inúmeros desenhos pequeninos em outras páginas. é a sua contribuição mais peculiar.  
 
Para além destes exemplos só desta semana, a cena verdadeira dos quadrinhos poloneses apresenta um incrivelmente estruturado tecido de agentes, que vai de fanzines, revistas especialistas e de super-heróis com qualidade invejável a uma editora transnacional que tem um maravilhoso aporte aos quadrinhos locais (a Egmont Polska), passando por alguns dos melhores grupamentos de cartunistas do mundo... Imaginem como se sentiriam os brasileiros se, ao invés dos progresso lá fora de Sam Hart, Wander Antunes, Fabio Moon e Gabriel Bá, Luke Ross, pelos 2 prêmios internacionais do Fadão e pela bienal vencida por Ronaldo Cunha Dias, pela presença dos brasileiros na cena americana... pelas tiras originais dos Tranquêra, pelas surpresas que a revista Kaos! publicou, pelo maravilhoso Espraiar do Cartum Gaúcho (vem aí o segundo), pela exposição do mestre Nicolielo em Paris, pelos álbuns na França de Leo, Imbiriba e José Wellington, pelas iniciativas do Faoza e do Andrews de criar acervos virtuais  para a Nona Arte, pela HQ em 3D do Marcatti, pela publicação de obras magistrais etc, etc... fossemos 'mencionados' no exterior por um álbum feito para incensar um político?
 
 
Ricardo Rendón, por Manuel Loayza 
 
A cultura paisa dobra sua aposta no humor
 
Os paisas constituem uma realidade cultural muito própria na Colômbia, na região da Cordilheira Central, cujas principais cidades são Medellin e a esplendorosamente cultural Antioquia. Um portal que pode apresentar melhor do que nós a riqueza da região se chama exatamente Lo Paisa. Agora, nos chega a notícia de que está sendo aberta a convocatória para a 1ª Muestra Mundial de Caricatura 'Valle de Aburrá', e que começa, ao melhor estilo dos paisas, não convocando cartunistas e chargistas e todo o mundo a disputar mais um prêmio, mas sim, falando da riqueza cultural e social da região, conforme está descrito no portal Humoralia, uma das referências mundiais em idioma espanhol para concursos de humor: En un idílico lugar de la cordillera central colombiana se encuentra enclavado 'El Valle de Aburrá'. El lugar está integrado por nueve municipios y cuenta con una población total de tres millones de habitantes, su extensión es de 1.152 km2 y sus principales características son: la dinámica industrial, cultural y turística. Um dos objetivos do certame é a constituição de um acervo para um Museu da Caricatura e dos Quadrinhos no Valle de Aburrá. No link estão todas as condições de participação, mas adiantamos que o prazo de inscrições se encerra no dia 15. A nova mostra se soma à mais importante competição para o traço de humor na Colômbia, a Cartoon Rendon, que já está com suas inscrições abertas para a sua 12ª edição e que homenageia Ricardo Rendón, 'El Emperador de la Caricatura', nascido em Rio Negro (na região de Antióquia), e que embora tenha falecido há mais de 70 anos (1931) é cultuado como o maior artista do humor de traço em toda a Colômbia, onde também foi o verdadeiro protagonista da publicidade gráfica. As inscrições estão abertas até 28 de outubro, e vale dar uma conferida na galeria dos vencedores do ano passado, para se ter uma idéia do alcance do certame.
 
Jordi Bernet: Solo 6, no Neorama dos Quadrinhos
 
Os solistas da DC
 
O projeto Solo, no qual o artista convidado pode convidar quem quiser para participar e tem direito a fazer adaptações de qualquer personagem da DC Comics é uma das formas mais interessantes pelas quais a editora demonstra a sua crescente abertura à liberdade de criação. O número atual (6) e o que foi anunciado esta semana demonstram também a variedade dos artistas. No número 6, o convidado foi um dos mais originais criadores espanhóis, por escolha de Mark Chiarello, editor da DC: o catalão Jordi Bernet, que já nasceu tendo a graça de ser filho de um grande quadrinhista (Miguel Bernet Toledano, que assinava como Jorge Bernet) e tem uma trajetória que o associa a criadores como Carlos Trillo (em Cicca la Chica Dum Dum, que voltou às gibiterias espanholas no mês passado e em Clara de Noche, que ganhou direito a um álbum, em junho), e Enrique Sanchez Abuli (na clássica Torpedo), para resumir o perfil do eleito. Bernet escolheu expor as belas mulheres que sabe desenhar, e o resultado foi mais do que satisfatório, pois mesmo tendo sido lançada no dia 31, já ganhou o aplauso do portal 9th Art, que o elegeu o melhor lançamento da semana. Uma crítica que merece ser levada em consideração é que a DC acabou não providenciando uma biografia completa de Bernet, o que acabou - inculsive - se refeletindo em várias notas e resenhas que não deram conta de mostrar bem o verdaeiro valor do autor.  Acompanham o solista nesta revista de apenas 5 dólares e 48 páginas Brian Azzarello, John Arcudi, Joe Kelly, Andrew Helfer e Chuck Dixon. A DC anunciou também esta semana um próximo solista: Mike Allred, quadrinhista que embora seja mais conhecido por Madman, tem muitas outras artes na bagagem. Vamos aguardar...

O Castelo 
Animado no Neorama dos Quadrinhos
 
A nova fantasia do mestre Miyazaki
 
Mais uma contribuição que recebemos com muito agrado do cartunista e cineasta Ruy Jobim Neto para os leitores do Quadrantes dos Quadrinhos: sua resenha de  'O Castelo Animado'
 
Espantoso. É só o que podemos falar do 'master filmmaker' (cineasta mestre, como é chamado pelos distribuidores) Hayao Miyazaki, o autor de 'O Castelo Animado'. Se ele exibe o rito de passagem de menina para adolescente em 'A Viagem de Chihiro', através da história de uma garotinha, Chihiro, que se perde dos pais e acaba entrando num mundo fantasioso, é em 'O Castelo Animado' (Howl's Moving Castle), de 2004, que ele mostra a passagem seguinte – a da jovem para o mundo adulto. E com que categoria.
 
Miyazaki se supera a cada filme, e isso por si só mostra a pujança do desenho animado japonês em suas vertentes as mais diversas, diante da animação ocidental. Basta lembrarmos de 'Akira', de Katsuhiro Otomo e de como esse filme causou comoção no mundo do cinema (e mesmo dos quadrinhos). Só um detalhe: vem vindo por aí outro filme do autor de 'Akira', e que é tido como o filme de animação japonês mais caro da História, chama-se 'Steamboy'. Miyazaki, por sua vez, é outra estrada.
 
Tendo suas obras-primas ('Meu Amigo Totoro', 'A Princesa Mononoke' e 'A Viagem de Chihiro', entre outros) ganhado os corações e as mentes de todos aqueles que amam a animação, Miyazaki tem contribuído com a graça do próprio meio, com a fantasia, a poesia e a humanidade presente por trás de cada pequena história dos povos. E aqui, mais uma vez à frente do Studio Ghibli (e com distribuição mundial dos Estúdios Disney), o cineasta põe nas telas o delicado e romântico roteiro de Diana Wynne Jones.
 
Sophie é a personagem central de 'O Castelo Animado'. Ele, o castelo, já aparece desde as primeiras cenas, que por sua vez exibem cenários deslumbrantes, compondo um colossal desenho de produção. A menina trabalha tranquilamente numa tranqüila cidade como chapeleira, uma cuidadosa reformadora de chapeuzinhos delicados, algo tão pueril que nem de longe lembra o que irá lhe acontecer em breve. 
 
Quando ela se defronta com Howl (cuja voz em inglês é feita pelo ator Christian Bale, o atual Batman) e a fantasia começa a aparecer em sua vida – a primeira cena do vôo sobre a cidade é um primor -, a menina se vê perseguida por uma magia, um encantamento de uma bruxa. Sophie então é transformada, num passe de mágica, numa mulher de 90 anos de idade. Ela resolve então se refugiar dentro do misterioso castelo que ronda a cidade.  
 
Há uma guerra no ar, as cidades virarão pó em seguida. O castelo parece o melhor lugar do mundo para ficar. E é neste lugar que a fantasia vai às últimas conseqüências, transformando o longa-metragem numa sucessão interminável de extraordinários cenários (uma direção de arte impecável ) e a música belíssima de Joe Hisaishi. Os personagens que aparecem em seguida são os mais insólitos e adoráveis, ao mesmo tempo – uma bruxa, um cachorro velho, um fogo fátuo (com a voz de Billy Cristal, em inglês), um espantalho, um menino gnomo e finalmente Howl, o dono do castelo. O filme é um rito de passagem, como dissemos, mas também uma história de amor. A paixão de Sophie e Howl não pode se concretizar: quando é noite, ele é uma enorme ave com rosto de gente (como as harpias gregas, da lenda do Velo de Ouro), Sophie volta à forma normal de garota, e de dia ele é um jovem e belo rapaz por quem ela se apaixonou, mas ela está sob a forma encantada, de mulher de 90 anos. Ou seja, a força do amor combate as maiores adversidades - eis a mensagem por trás desse belo desenho animado. Como é absolutamente impossível descrever a beleza, a candura, a fantasia e o romance deste maravilhoso filme do mesmo autor e do mesmo estúdio produtor  de 'A Viagem de Chihiro', fica aqui a indicação para que o internauta não perca essa obra de arte no melhor lugar do mundo para vê-la e ouvi-la:  o cinema. 'O Castelo Animado' é puro encantamento.
 
A única contribuição que nos cabe adiconar ao artigo de Ruy é indicar o site oficial do filme.
 
La Bulle de Bertold, de Gabriel Ippóliti e Diego Agrimbau no Neorama dos Quadrinhos
 
Bertold Brecht em HQ
 
Colocar em quadrinhos a personalidade de Bertold Brecht, um dos dramaturgos mais fecundos do século XX é uma tarefa que, ao mesmo tempo, é cheia de possibilidades e de atalhos que poderiam redundar em uma HQ banal. Pelo que pudemos pesquisar, a dupla argentina Gabriel Ippóliti (desenhos)  e Diego Agrimbau (roteiros), conseguiu realizar em 'La Bulle de Bertold' (lançado em junho, mas que teve direito a resenhas mais bem fechadas só recentemente) um álbum original e que enriquece a Nona Arte, por transpor para um futuro não tão distante o espírito de Brecht, num personagem que é condenado à amputação. Morto, o homem-tronco é depois ressuscitado, não para ser protagonista de ações miraculosas, mas para ser o fio condutor que demonstra para onde caminha a futilidade do raciocínio humano. Confira aqui, uma prancha deste álbum (56 páginas ao preço de 15 euros), e que foi descrito como 'forte e excepcional', e ainda 'um grito para que não morramos sufocados'. Talvez um dos segredos de Agrimbau, uma quase estréia em quadrinhos, seja a sua longa atenção e estudo de outros mestres argentinos, o que pode ser evidenciado nesta entrevista que ele fez com Carlos Trillo, em 2002 .

ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos