Quadrantes dos
Quadrinhos, 31/08/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
O guia da química em
HQ
Mais uma
contribuição da editora HarperCollins para os quadrinhos vêm sendo elogiada nos
EUA: 'The Cartoon Guide to Chemistry', de Larry Gonick, com a
contribuição do professor de química Craig Criddle, lançado em maio. O guia
traz, em 256 páginas, uma versão quadrinhizada do até então
desestimulante ensino de uma matéria que tem tudo para fazer as mentes mais
abertas. O próprio Gonick avisa que a parte mais original é a sua adaptação da
tediosa tabela periódica. Se não bastassem os comentários sobre a nova obra de
Larry Gonick, vale lembrar que entre a fortuna crítica do já publicado 'The
Cartoon History of the Universe', temos elogios muito marcantes tecidos por
gente como Garry Trudeau (o autor de Doonesbury), o físico Carl Sagan e Will
Eisner, que disse que Larry Gonick criou um gênero único e que ajudou a provar a
excelência do meio quadrinhos como suporte ao aprendizado
humano. A ficha ISBN tem o número 0060936770 e pode ser adquirido por
menos de 11 dólares.

Obra de Zeev Engelmayer
O festival de
Israel
De 27 a 30 de
agosto, a Cinematheque Tel Aviv sediou a 5ª
edição do Animation and Comics
Festival, que também teve a caricatura em sua
pauta. Os apreciadores da Nona Arte
não foram somente ver os gibis norte-americanos de super-heróis, que estavam,
sim, presentes. O principal nome dos quadrinhos autorias no país, o mais que
independente Zeev Engelmayer, foi o alvo mais constante
dos visitantes da feira. Engelmayer é tudo o que não se espera de um
quadrinhista de Israel, lembrando, em alguma medida, Robert Crumb, por adaptar e
falar de temas como a nudez feminina e alguns rituais da fé judaica, mas com uma
alma bem própria de seu povo, onde a nostalgia é um fio condutor muito presente.
Para sorte dos suíços, a boa revista em alemão Strapazin já publicou um pouco de
seu trabalho. Mas pelo que pesquisamos, valeria mesmo à pena que leitores de
outros paíese e idiomas conhecessem sua obra singular. Outro que se fez presente foi o cartunista Michel Kishka, autor que tem
no público infantil e em seu mundo a fonte de seu trabalho. A cena local se completou pelos alunos da Bezalel Academy of Art and
Design, de Jerusalém, que estavam apresentando um livro ilustrado e pelos
fanzineiros do bem editado 220V. Um registro importante é que o festival teve apoio de
vários segmentos relevantes da sociedade israelense, da mais que
reconhecida Universidade Sela e do Goethe local a cartões multinacionais de
crédito e a Rede Sheraton de Hotéis, o que não impediu o site oficial de
ter um dos banners mais alegres e bem bolados para um festival do
gênero.

A arte de Ravenna em
quadrinhos
Entre as muitas
cidades italianas que cuidam bem de seu patrimônio cultural, Ravenna é
das mais destacadas. Agora, uma iniciativa da entidade que congrega os museus da região de Ravenna promove mais uma obra que promete mostrar que
a aproximação entre quadrinhos e artes pode ter caminhos mais
'abertos' no sentido de Umberto Eco. Trata-se de 'Ombre Arcane: I Musei del
Mistero', editado pelo selo autoral de quadrinhos Alta Fedeltà. O
álbum não é uma
exposição didática das incontáveis belezas culturais da cidade. Na verdade,
reúne o roteirista Gianni Barbieri, um dos muitos que assina a
série de aventura e ficção policial Lazarus Ledd, (que se desenvolve em
Nova York), apreciadíssima na Itália, e também parceiro do genial Gianluca
Costantini em publicações underground e o desenhista Riccardo
Crosa, que tem um traço com uma expressividade que vai do quase-mangá
a Jonathan Steele, outro ícone das aventuras policiais na Itália, que ele
ilustra desde 2004. A idéia é exatamente que uma aventura que tenha por
pano de fundo os museus da cidades seja muito mais estimulante para a laitura do
que um manual quadrinhizado. Esperamos que a premissa esteja certa, e que outras
cidades venham a repetir a idéia.

811 livros infantis
online
A Universidade de Maryland criou e mantem a International Children's
Digital Library, um acervo virtual que
já tem 811 livros infantis publicados, em 9 idiomas (árabe, chinês, inglês,
francês, tagalog, alemão, hebraico, farsi e espanhol.). claro, muitos
deles ilustrados. como, por exemplo, 'La Hormiguita que Queria Ser Escritora', do peruano Cronwell Jorge Jara Jiménez, que também é
pesquisador da literatura infantil. Os livros podem ser lidos virtualmente, e
estão divididos por faixas etárias para crianças de 3 a 13 anos. Para além desta
bela dica, os responsáveis pelo projeto aceitam de bom grado que novos
autores permitam diretamente a publicação de alguma(s) de suas obras e, em
especial, a inclusão de obras que já são de domínio público, pelo que - com
um mínimo de vontade política - qualquer entidade que queira divulgar a
literatura infantil de sua região já tem um meio correto e indicado para
fazê-lo.
Mangá +BD + nouvelle
manga
Desta vez, o consórcio
das editoras Fanfare (EUA/Grã-Bretanha) e Ponent Mon (Espanha) foi
'longe demais'. Em novembro, elas vão lançar 'Japan as Viewed by 17 Creators',
que vai trazer HQs sobre o Japão especialmente realizadas por 17
quadrinhistas: 8 japoneses e 9 autores de expressão franco belga, o
que inclui também expoentes do chamado nouvelle manga. Cada um dos europeus
passou 2 semanas em uma cidade diferente do Japão, para realizar sua HQ. Os
japoneses criaram estórias sobre as cidades onde moram ou onde nasceram. Confira
os nomes: Frédéric Boilet, Nicolas de Crécy, Étienne Davodeau, Little Fish,
Emmanuel Guibert, Kazuichi Hanawa, Daisuke Igarashi, Taiyo Matsumoto, Fabrice
Neaud, Benoît Peeters, David Prudhomme, François Schuiten, Joann Sfar, Kan
Takahama e Jiro Taniguchi. A obra também será lançada, ainda este ano, pela
Casterman (na Holanda e na França), Asukashinsha (Japão) e Coconino
(Itália)
O Doutor
Estranho, em desenhos animados
A Marvel vai
colocar o Doutor Estranho (Doctor Strange) em
DVD, no formato de desenhos animados. O personagem foi escolhido para dar sequência a uma série desenvolvida pela Marvel
Studios e pela Lions Gate, empresa com a qual vem trabalhando desde o início de
2004, em alguns porjetos. Detalhes maiores não foram fornecidos, mas com
certeza, o anúncio vai aquecer o interesse pela nova série dos Defensores
(Defenders) -assinada por Keith Giffen, J. M. de Matteis e Kevin Maguire -, em
que ele está reunido a Hulk, Suffista Prateado e Namor, e que teve seu 1º gibi
lançado este mês. Por sinal, com tiragem esgotada. Vamos aguardar para ver o que
vai vir...
Mestres em
Chicago
The Cartoonist's
Eye é o nome da exposição que será aberta no dia 8 de setembro, com 200
trabalhos originais de quadrinhistas autorias de diversas tendências, na
galeria do Columbia
College, em Chicago, uma das faculdades de
belas-artes mais arejadas dos Estados unidos, em suas propostas. A
conferência de abertura será proferida por Seth, o quadrinhista
canadense independente mais respeitado nos Estados Unidos, (que estará lançando
'Wimbledon Green', em outubro, pela Drawn & Quarterly). Entre os autores
representada na exposição, teremos Robert Crumb, Art Spiegelman, Frank
King, Chris Ware, Harold Gray e George Herriman. A curadoria da mostra é do também quadrinhista
Ivan
Brunetti
A melhor série de
animação dos últimos tempos
Esta análise foi
publicada hoje pelo nosso amigo Sergei, do Sergei
Cartoons, sediado em Portugal. Preferimos
manter o texto no original, com um mínimo de retoques.
Para aqueles que nunca
ouviram falar em tal coisa, até pode parecer que me estou a referir aos
Simpsons, essa familia que tão depressa é desvairada como capaz de demonstrações
de amor e respeito com uma pitada de humor. Tirando o facto desta ser a família
mais conhecida do mundo, e é um facto que o pai é realmente da 'pesada', desta
vez refiro-me a outra familia. Em inglês a série de televisão dá pelo nome de
'Family Guy' (titulo que se manteve em
Portugal) e que no Brasil optaram por traduzir
para 'Uma Famíla da Pesada', estes episódios conseguem ombrear
com os outros cinco, sendo mais que muitas vezes geniais. Sendo eu um fan
incondicional dos Simpsons, não só pelas personagens, mas também pelo estilo
simplista com que Matt Groening as desenha, eis que aparece esta outra familia,
que, contra tudo o que previa, me pôs indeciso sobre a quem prestar a minha
preferência. E, há medida que o tempo vai passando me vejo a correr para a
frente do ecrâ para não perder mais uma 'aventura'. Infelizmente esta série só está disponivel para uma pequena
minoria, pois pertence ao Canal Fox (CAbovisão), mas que acredito que fazem as
delícias de todos aqueles que, à 24h, todos os dias, se sentam no lugar mais
confortável da divisão para desfrutarem destas histórias. A verdade é que já dei
por mim a rir às gargalhadas com as cenas debitadas a um ritmo hilariante!
O humor é muito mais picante, mais
apurado, mais... enfim, tem muitos argumentos para se tornar uma série de culto.
E é fácil comparar com os Simpsons , pois logo de seguida é a série que se
apresenta.
Eis então a
apresentação: (retirada do site MundoFOX.com.br)
'O
criador/produtor executivo Seth MacFarlane apresenta esta comédia animada que
retrata as atribulações e desafios diários da vida em família, com as distorções
e o toque irreverente que só a animação pode produzir. Peter Griffin é o pai de uma típica família da
classe média da Nova Inglaterra. Lois é a amorosa esposa de Peter, que luta para
manter alguma rotina e normalidade na vida familiar. Completando a casa dos
Griffin estão seus filhos: a adolescente Meg; o folgado Chris de 13 anos e o
filho mais novo, Stewie, um bebê terrível que já começou a conquistar o mundo. E
depois, vem Brian, o cão da família, o mais racional do grupo. Seth MacFarlane é o criador/produtor executivo e
David Zuckerman é o produtor executivo de 'Family Guy", que é uma produção da
20th Century Fox Television Production.' Sem dúvida a melhor série de animação que apareceu por aí nos últimos
tempos. Só faltam os prémios, mas se não os houver, paciência, pois já é série
de culto. Já agora, se alguém tiver mais informações sobre este tema, por favor
contactem-me!!.

O samurai de Luke
Ross
Do western ao
Japão de 1704: o desenhista brasileiro Luke Ross (Luciano Queiroz) anda
ganhando mais espaços para expor a versatilidade de seu traço. Depois do
anúncio - em junho - de
que ele irá desenhar a série western Jonah Hex, com roteiros de Jimmy
Palmiotti (JSA, Hawkman) e Justin Gray, que será lançado em novembro e do qual o
ótimo portal especialista Broken Frontier já disponibilizou 4 canjas, a Dark Horse anuncia para
outubro a publicação de um encadernado de 144 páginas que compila a série de
gibis de Samurai: Heaven and
Earth, série em que Ross ilustra um roteiro épico no qual o
roteirista Ron Marz se superou ao descrever as andanças do samurai
solitário Shiro até a Versailles faustosa do início do século
XVIII, ma trama ampla de possibilidades
para o desenho, onde Ross melhorou o que já tinha apresentado
numa série semelhante, Way of the Rat (confira um exemplo), pela Crossgen,
em seus últimos números, que tinha como editor Greg Land. Já na
Dark Horse Land acabou sendo o responsável por reunir Ross e Marz
na série Samurai. O uso
das cores e, em especial, de tons, acaba sendo o melhor detalhe da
obra, realçada pelo trabalho do ótimo colorista Jason Keith. 4 canjas do compilatório, que tem preço anunciado de 15 dólares, podem ser conferidas aqui.
Vale lembrar que a carreira do brasileiro, antes de passar por títulos como
Homem-Aranha e X-Men, começou com trabalhos para a revista Placar e pela versão brasileira da Heavy Metal.

'Marketing
comics' em São Paulo
Trocando impressões sobre nossa nota
de ontem a respeito das franquias anunciadas pela Disney para a fada Sinininho,
o cartunista e cineasta Ruy Jobim Neto nos relatou o que tinha visto na
Escolar Paper Brasil. Pelo que
Ruy nos relatou, havia algumas coisas interesantes a dividir com outros
profissionais e com nossos leitores. Pedimos a ele que organizasse um artigo
sobre a feira, que publicamos abaixo. Aproveitamos para informar que desde o dia
18, as críticas de cinema do Ruy estão reunidas neste endereço..
Uma feira explorando os
marketing comics
A Turma da
Mônica, Menino Maluquinho, Smilingüido, os Looney Tunes, Garfield, Snoopy,
personagens Disney e muitos outros seres da Nona Arte devidamente licenciados,
todos estavam lá, na Feira Internacional 'Escolar Paper Brasil', de produtos,
serviços e tecnologia para escolas, escritórios e papelarias, evento,
ocorrido entre 29 de agosto e 1º de setembro no Pavilhão de Exposições do
Anhembi, em São Paulo, que foi um sucesso. No caso dos personagens acima citados,
era perceptível que havia uma disputa de espaços, ou, na melhor das hipóteses,
uma divisão do território da mente e dos corações do público consumidor. Em
matéria de produtos da área de licenciamento de marcas, havia praticamente tudo
o que é possível conceber. Menino Maluquinho, de Ziraldo, por sua vez, dividia
os corredores e os stands com outras figuras como pacotes de sulfite gigantes,
tubos de colas ambulantes, rolos de fax que abraçavam os passantes e que com
eles tiravam fotos, enfim, todos compunham uma fauna divertida. O negócio de
licenciamento de marcas é novo no Brasil, tem pouco mais de 50 anos, na prática,
mas tem muito ainda por que aumentar em lucros. Na realidade, era também visível
que entre os personagens extremamente famosos supracitados, havia uma legião de
outros tantos, menos conhecidos, que estavam lá, em mochilas e capas de caderno,
em pastas de plástico a lápis e canetas. Visivelmente há muitos por vir. Espera-se que perdurem, ao chegar aos seus respectivos
auges.