Quadrantes dos
Quadrinhos, 26/08/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
90 anos de Brant Parker
Nesta sexta
feira, dia 26, Brant Parker, desenhista das tiras do Mago de Id
(Wizard of Id) e Crock (séries criadas em
1964 e 1975), que são conhecidas de todos como exemplo de bom humor e de como
mandar o recado -especialmente, no caso do Mago de Id - sobre as formas pelas
quais os poderosos se isolam do mundo e da justiça. Há uma forma muito simples de demonstrar o apreço pela
criatividade, argúcia e bom humor de Brant Parker, no portal creators.com: um
formulário onde se pode enviar mensagens para ele e para Johnny Hart, o
roteirista do Mago de Id, sem intermediações.
E Smiley entrou na
Toonopedia
A Toonopedia, o acervo virtual acrescido continuamente
por Don Markstein, é das mais belas contribuições indivduais para o
conhecimento dos quadrinhos. Entre as atualizações desta semana, Markstein
trouxe, com o seu costumeiro cuidado e pesquisa, publicou o verbete sobre Smiley, desde a sua criação, em 1963, por Harvey
R. Ball, e seus caminhos desde o instantâneo - e merecido - sucesso, nos anos
70, por ser - 'reconhecidamente' -, das formas mais sinteticamente
felizes da história da criação com desenho: o sorriso amarelo definido com
3 traços e que deve ser visto alguns bilhões de vezes por olhos humanos, todos
os dias . Para quem gosta de quadrinhos, é bom ter cuidado: entrar na
Toonopedia é fácil, sair é que é dificil, de tantas e tão bem
fundamentadas informações que o site disponibiliza. Não seria má idéía alguém
patrocinar versões da Toonopedia em outros idiomas.
80 anos de Édouard
Aidans
Na terça feira,
dia 30, o desenhista belga Édouard Aidans
estará completando 80 anos. Tendo iniciado a carreira na revisa Spirou em
1955 com algumas das 'Belles Histoires de l'Oncle Paul', quadrinhização de
estórias infantis de um bem dosado cunho pedagógico, Aidans se transferiu para a
revista semanal Tintin, onde criou sua mais conhecida série:
Tounga (que teve diferentes roteiristas), em 1961, que só teria
seu primeiro álbum em 1965, mas que lhe conferiu, definitivamente, um papel
único nos quadrinhos, ao aplicar a uma HQ de pré-história um nível
artístico muito superior a séries como Akim ou Turok, com um
desfile
de enquadramentos, leves hachuras e uso de cor absolutamente originais e
que recuperaram, ao menos para as bandes dessinées, uma temática vasta, que foi
retomada por vários quadrinhistas após ele. Agora, nos dias 1º e 2 de outubro, o
festival Bulleberry 2005,
em Bourges (cidade do Vale do Loire, a 200 quilômetros ao Sul de Paris), em sua 9ª edição, será uma oportunidade mais que
adequada para felicitar o mestre: uma exposição de suas obras, que integra a
programação como destaque do encontro estará montada no Museu de História Natural da cidade, uma assumida 'bat-caverna'.

Impagável Free Books
2
Dark Knight
Returns, Watchmen, Love & Rockets e Mister X foram, em boa parte, as
revistas que, nos anos 80, começaram a fazer dos quadrinhos de maior vendagem
nos Estados Unidos um cenário muito além de socos
e vôos espetaculares. Agora, a editora italiana de quadrinhos Free Books começa a publicar
uma série, de nome Mister X, que traz uma seleção destes
valores, junto com novos autores, que já foram publicados nos EUA com o nome de
'Mister X: The Definitive Collection' . Pelo informado, a Free Books é pioneira
na publicação desta coletânea na Europa.
Nos 3 primeiros números (ao preço de 10 euros em brochuras coloridas
de 96 páginas, cada), estarão presentes, entre outros quadrinhistas, Neil
Gaiman, Dave McKean, Seth, Irmãos Hernandez, Bill Sienkiewicz e Ty
Templeton (Batman Adventures).
Chris Polkki é
um verdadeiro enxame de gente
Chris Polkki não
se cansa de juntar gente, para sorte dos quadrinhos autorais e de seus leitores.
Depois dos 4 volumes de coletâneas Blood Orange, apresentadas pela Fantagraphics
como uma galeria internacional de talentos que você ainda não tinha visto', que
deu aos americanos a chance de ver e ler criações de autores extremamente
cerebrais como Anders Nilsen, Ulf K., o brasileiro Fabio Zimbres, Alex Baladi,
Kevin Huizenga e Jeffrey Brown. Em julho, Chris Polkki lançou uma coletânea ainda mais
abrangente, o primeiro volume de Bête Noire: The International Comic Art
Quarterly 1. A primeira Bête Noire inclui, novos realizadores que a grande
maioria dos leitores também não viu antes, confira: Junko Mizuno, David Heatley,
Kevin Scalzo, Morgan Navarro, Valium, Yuichi Yokoyama, Renee French, Peter
Kohler, Suzy Amakane, Reijo Karkkainen, Caroline Sury, Olaf Ladousse, Ichiba
Daisuke, Lucie Durbiano, e outros, ainda, sendo que maioria apresenta trabalhos
em branco e preto. Bête Noire 1 tem capa de
David Heatley e 96 páginas, ao preço
de 10 dólares. Para nossa sorte e de nossos leitores, esta semana, localizamos
uma
resenha em português da coletânea, no blog Ler BD.

O tabulóide do
humor
No momento da
abertura do Salão de Humor em sua cidade, o piracicabano Fábio San Juan, que já tinha tido a iniciativa de organizar a produção de seus colegas no tablóide Jornal Rio, lança um veículo a partir de uma idéia
genial: agora, quem for a bares, restaurantes e lanchonetes
da cidade terá um ótimo motivo para esperar chegar seu pedido, o
doispalitos, que aproveita os dois lados de uma toalha
de mesa para trazer cartuns, caricaturas e formar público, pois também traz
entrevistas com os quadrinhistas e chargistas de Piracicaba. A periodicidade, a
nosso ver, está muito bem pensada: doispalitos estará
saindo a cada 15 dias, de modo que há bastante tempo e papel para que
outros autores enviem sugestões de colaboração ou peçam um pouco do
know-how emprestado, através do e-mail doispalitos@gmail.com que também serve para pedir exemplares do primeiro 'tabulóide' de
humor do Brasil (e, quem sabe, do mundo). Aproveite e leia nossa crônica que
fala da
relevância de Piracicaba para a história do Brasil e uma nota do cartunista
português Sergei sobre a mostra
de Bordalo Pinheiro, o Pai da Banda Desenhada Portuguesa, dentro da
programação do salão.

A Dark Horse agora
produz Kellogg's
Parece que
a Dark Horse está mesmo acertando a mão em sua linha de produtos em 3D: depois
da linha dos brinquedos em quadrinhos que retomou, com sucesso, a forma de
realizar estatuetas dos anos 30 e 40, agora ficamos sabendo, através do
excelente portal do Comic Book Bin que a Kellogg's, que
estará completando 100 anos, em 2006, escolheu a Dark Horse para produzir 8
estatuetas de personagens que centenas de milhões de pessoas de todo o mundo vêm
há 99 anos nas caixas de Sucrilhos, Krispis e companhia. As estatuetas só
estarão à venda em janeiro de 2006, mas já se pode antever 4 delas, aqui.
Vale lembrar que
a Kellogg's é um dos poucos exemplos de empresas transnacionais (como a
Volvo e a Scania), que consegue deter grande parte do mercado (no caso da
Kellogg's, cerca de 50% do mercado de cereais pré-adaptados para consumo
imediato) baseada mais na qualidade de seus produtos do que em atividades que
pouco têm a ver com a satisfação do consumidor final.

Por falar em Comic Book
Bin
A Comic Book Bin é um dos melhores
exemplos do que diferencia a forma pela qual os quadrinhos têm sua difusão na
América do Norte, especialmente, se compararmos com o mercado de vídeo. Iniciado
para ser um ponto virtual de vendas de uma coleção, o site cresceu muito em
informação e quantidade de vendas. Sediado em Montréal, no Canadá, o portal acaba não só trazendo muitas informações e
notícias sobre vários tipos de quadrinhos, como também traz resenhas de
quadrinhos e, muito particularmente, resenhas de brinquedos baseados em
quadrinhos e action figures (os bonecos articulados baseados em
HQs)
que não ficam -
em nada - a dever à maioria das resenhas de filmes, por exemplo. Embora,
de momento, não haja nenhuma, publicada no site, trazemos, do nosso
arquivo, uma para
conferência dos leitores. É o tipo do
lugar onde dá gosto de se comprar algo, no mundo virtual, onde vale a lógica do veja por que comprar, e não a do 'Compre! Compre!'. Não é por acaso que ela tem um retorno de praticamente 100% de
comentários positivos no site da EBay.
Myrkos
2
O segundo álbum
da série Myrkos, pelo selo mais que recomendável da Dargaud, desenhada por Miguel Imbiriba, paraense por adoção,
fala ainda mais sobre arte e não deve ser um campeão de vendas, ma terá um
oúblico alvo que poderá alçar a carreira de Imbiriba. Ou melhor, a ate é o
centro da trama. Imbiriba tem a grata oportunidade de ilustrar um roteiro
pensado por Jean-Charles Kraehn, ele próprio também desenhista de quadrinhos
possuidor de um aplaudido traço realista e formado em artes gráficas.
Myrkos, é um aluno muito rebelde na escola de ornemanistas de
algum estado que se pode deduzir seja na Grécia clássica, como foi
apresentado no primeiro álbum. A parábola fica ainda mais delineada no
segundo volume, onde se introduz a noção do que seja 'sagrado', em pintura.
Myrkos se demonstra cada vez mais um inovador na arte e apreciador da
arte mundana. O tipo de roteiro que exige e exibe muito de um artista. 4 sessões
de autógrafos já estão marcadas para setembro, mês de lançamento do álbum. Se
Imbiriba teve alguns excessos formais em seu primeiro álbum, o fato de estar
trabalhando em um país em que a crítica e o debate em trono de quadrinhos é
extremamente forte deve tê-lo feito evoluir bastante, apesar de já ter
tido uma estréia satisfatória. vamos esperar para ver como Myrkos 2 vai ser
acolhido. No primeiro álbum, Imbiriba foi saudado por Leo, o brasileiro saudado
por 10 volumes de Aldebaran e Betelgeuse e ainda inédito no aís que o viu
nascer. De momento, o melhor registro em português sobre a trajetória
de Imbiriba continua sendo obra de portugueses: a entrevista
que ele concedeu a seu colega Gonçalo Garcia e que foi publicada por Central
Comics em maio.

Crisis on Infinite
Earths: 'a edição definitiva'
Crisis on
Infinite Earths (ou Crise nas Infinitas Terras), a série de iniciativas
editoriais (centrada numa série de 12 gibis) e de imagem que a DC Comics
realizou em 1985 e que acabou tirando de seu universo as séries que acabavam por
tornar sua identidade muito confusa frente ao bem ajustado mundo da marvel, na
época, continua sendo lembrado. Especialmente por que depois de assumir e
resolver esta crise, a DC Comics voltou a rivalizar com a Marvel. Depois do livro 'Crisis on Infinite Earths', assinado pelo
roteirista Marv Wolfman, a editora anuncia, para novembro, o volume em capa
dura 'Crisis on Infinite Earths: The Absolute
Edition', que vai trazer, em 2 volumes, não somente a reedição integral da
série, com uma introdução do próprio Marv Wolfman, que fala sobre como
desenvolveu os roteiros desenhados por Dick Giordano, Jerry Ordway e Mike de
Carlo, comentários de Dick Giordano, biografias dos autores, um guia oficial da
série e anotações sobre o desenvolvimento do projeto. Os 2 volumes, em grande formato, terão, no total,
464 páginas e já está sendo anunciado a preços reais em torno de 86 dólares (o
valor de capa é 100 dólares).