
Quadrantes dos
Quadrinhos, 24/08/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
Bretanha: 250 autores no Cais
dos Balões
De 28 a 30 outubro, o
festival Quai des Bulles ('Cais dos Balões'), em Saint-Malo, na Costa
Esmeralda da França, chega à sua 25ª edição. Um dos grandes salões da
França (o segundo ou terceiro, em tamanho) terá, nesta edição,
80 stands de todos os tipos e mais de 250 autores (muitos
iniciantes, o que é muito bom), entre os quais, destacamos (a lista não é
definitiva): Lax (Christian Lacroix), que não se cansa de ser
cumprimentado por 'L'Aigle sans Orteils', lançado em junho, o mestre
Dany, de Olivier Rameau, Raoul Cauvin, dos
Túnicas Azuis, Bourgeron, o original ilustrador suíço
Efix, Frank Giroud, que estará já colhendo os
comentários e elogios ao 2º álbum de Quintett, lançado este mês; Max Cabanes,
representando a geração que fundou as revistas L'Écho des Savanes, Fluide
Glacial e Charlie, nos anos 70; Nicolas Kéramidas, da série Luuna; Michel
Plessix, autor solo da maravilhosa série humanista Le Vent dans les
Saules, Jean Dufaux, o bom e prolífico roteirista das séries Samba Bugatti,
Giacomo C e Jessica Blandy, o sérbio Gradimir Smudja,
autor de originalísmas e premiadas biografias de pintores franceses, o galego
Tirso Cons, o parceiro de Wander Antunes em L'Oeil du Diable e
Olivier Vatine, roteirista de Aquablue. A principal exposição,
este ano, patrocinada pela prefeitura da cidade, homenageia
Sempé, cartunista e quadrinhista cuja obra mais conhecida é o
Pétit Nicolas, criado a aprtir de roteiros de René Goscinny, esta mostra
estará aberta de 21 de outubro a 13 de novembro. O cartaz deste ano é assinado por Jean-Pierre
Gibrat, o principal homenageado do festival, no
ano passado. Para 2006, os organizadores pretendem que o encontro coincida
com o salão de esportes de vela da cidade, o Route du Rhum (que acontece de
quatro em quatro anos), para unir aficionados do esporte náutico e dos
quadrinhos no feriadão de Todos os Santos, o que deve deixar a costa da
Bretanha pequena para tanta festa no prelúdio do verão.

Disney: aí vem
os Little Einsteins
Ontem, a Disney
confimou que se rendeu aos encantos de uma turminha de garotos geniais, criada
pela Baby Einstein Company. Além de anunciar o DVD 'Our [Big] Huge
Adventure', a Disney anuncia que, em breve, a série para crinças da primeira
infância estará também na televisão,na rede da Disney, em outubro, o que
sinaliza que os 4 garotos estarão voando mundo afora, em breve. O que
define a unicidade dos pequenos Einsteins é que eles compõem um
produto inovador, que reúne com tecnologia de ponta, de forma
original, música, desenho e interação eductaiva, e que se proecupa em
mostrar, de forma leve e interessante, vários quadrantes do mundo que são
explorados pelos jovens Einsteins. Tire você mesmo as suas conclusões,
conhecendo o site
oficial.
Impagável Free Books
1
Resumir numa nota o que a editora
italiana de quadrinhos Free Books anda publicando é bastante difícil, tamanha a
relevância de seus lançamentos. Neste primeiro número da nossa série
de registros, começamos por informar que a Free Books foi a responsável
pela retomada - em março - de L'Insonne (que teve um número 0 em novembro de
2004), série de Giuseppe di Bernardo - roteirista com contibuições por
selos tão diferentes como Astorina (o selo de de Diabolik), Bonelli e
Humanoïdes Associés, entre outros), e Fabio Bartolini (desenhos).
L'Insonne tinha sido publicada em 1994, atingindo vendagens de 25.000
exemplares (só deixou de ser publicada pelo fechamento de sua então
editora, a Fenix) e representou um marco dos quadrinhos italianos
por sua unicidade, reunindo histórias curtas em preto e branco e diálogos
curtos. L'Insonne, ou melhor Desdemaona (Desdy)
Metus, l'Insonne, é uma deejay que dirige um programa noturno de rádio
e que é, propriamente, insone. Publicada em estórias
fechadas, L'Insonne mostra que a vida de Desdy não é exatamente o que
aparenta. O número 3 de L'Insonne (a revista sai
bimestralmente) está sendo posto à venda neste mês. Estão previstas 4 séries de
6 números cada. Confira, aqui, um pequeno especial online da
série.

A Dark Horse acerta a mão em
brinquedos
A editora de quadrinhos Dark Horse,
uma das que tem a oferta mais variada de títulos nos EUA, lançou uma linha
de estatuetas de personagens de quadrinhos que tem tudo para ser uma nova
referência no setor: ela retomou o modo pelo qual brinquedos baseados em
quadrinhos eram feitos nos Estados Unidos nos anos 30 e 40, em tiragens
limitadas, de 750 peças numeradas, usando a antiga resina como suporte, e
com a altura de 10 a 12 centímetros. A seleção é bem ampla: da coleção
fazem parte Bone, de Jeff Smith, Marv - da série Sin City -, de Frank
Miller, Hellboy, de Mike Mignola, e Magnus Robot Fighter (de Russ Manning), e
cada estatueta vem com um livrinho sobre o personagem e seu autor. Parece que o
público gostou da idéia: as séries que só estarão prontas em novembro
já foram todas vendidas. Está certo que a tiragem é limitada, mas não deixa
de ser animador para a Dark Horse, que já tinha anunciado para 2006 brinquedos
do bárbaro Groo, de Sergio Aragonés e de Conan.
5 anos de
Ultimate
A Marvel promoveu
algumas iniciativas, esta semana, para marcar 5 anos da chamada linha Ultimate,
que, digamos, retoma vários personagens que milhões de leitores de todo
o Mundo aprenderam a apreciar, por suas características, com componentes
totalmente 'novos'. O registro do
fato, pode ser conferido aqui, em nota dos colegas do HQ Maniacs. Nós
resolvemos fazer um editorial sobre a linha Ultimate, de forma leve, com humor.
E para isso, contamos com o traço certeiro do cartunista português Sergei, do Sergei Cartoons. Confira,
aqui, o editorial ilustrado
que foi bolado por Marko Ajdarić e desenhado pelo
Sergei. Mas nossa tira não muda em nada o nosso ponto de vista geral sobre
as grandes editoras de quadrinhos de super-heróis: dentro da indústria cultural
americana, não existe ninguém que trate melhor os leitores, os
jornalistas, os artistas e revendedores, e ninguém que se preocupe tanto em
demonstrar os motivos de suas escolhas como DC e Marvel. Joe Quesada incluído.

A volta dos
Barça Toons
O Barcelona, clube de
futebol que já foi pioneiro na idéia de lançar uma versão em mangá sobre a sua
história para chegar mais próximo às crianças japonesas, anuncia a volta do
Barça Toons, desenho animado em que o time blaugrana troca os gramados
pelo vídeo. No novo desenho, o time não aparece massacrando adversários: os
jogadores do time catalão aparecem ajudando a preparar o gramado e as
dependências do histórico estádio de Camp Nou. Também este mês, foi
anunciado que um jovem japonês está realizando uma versão online do Braça Toons,
onde Ronaldinho aparece de kimono, Xavi com sandálias japonesas e o capitão
Puyol se vira para comer com pauzinhos japoneses. Tomara que seja bom para que mais crianças japonesas
conheçam Ronaldinho, que, dentro da safra de craques brasileiros
atuando fora de seu país, tem se revelado um exemplo de cidadão que tem a
cabeça no lugar, não nega suas origens e contagia por sua simpatia. Sobre o
Barça Toons, vale registrar que a série já foi usada em fascículos para
ajudar aos jovens catalães a aprender inglês, iniciativa que teve o
apoio do El Periodico, jornal de Barcelona que é uma aula diária de bom
jornalismo e de bons traços, onde diariamente estão tiras de Horácio Altuna e
charges contundentes de Ferreres (em catalão e em espanhol).

Está no ar a Biblioteca
Imaginaria
Está no ar, desde
o dia 1º (embora a divulgação só tenha sido feita na newsletter datada de hoje),
a Biblioteca Imaginaria, mais uma
iniciativa do coletivo que publica o Imaginaria por la Red, o melhor informativo
virtual sobre ilustração da América Latina. O conceito básico da
biblioteca é consolidar o material publicado de textos,
ilustrações e biografias de ilustradores e autores infantis, organizados de
forma temática e por nível de conhecimento dos leitores. Todas as entradas estão
disponibilizadas em formato HTML (para leitura online) e PDF (para ser
impressos), com total liberdade para uso em outras fontes. Mais uma bela e
'copiável' idéia. Aproveitamos para sugerir que conheçam o
argentino Douglas Wright, ilustrador,
humorista, criador de jogos visuais, autor de livros infantis e, como
quadrinhista, responsável por uma originalíssima tira sem palavras chamada El
Jardinero Mágico.
Aleksandar Sotirovski e os 10
anos da Lift
A última edição do Strip
Vesti, site de referência sobre a Nona
Arte de todos os povos que compunham a antiga Iugoslávia, nos trouxe um
relato de como foi a 7ª Mostra de Jovens Autores dos Bálcãs, na cidade
sérbia de Leskovac, que reuniu, de 5 a 7 de agosto, boa parte da nova
geração da antiga Iugoslávia. Um dos destaques do evento foi o macedônio
Aleksandar Sotirovski, que apresentou seu filme de animação 'Pietas'. Sotirovski, de 34 anos, é o nome de maior expressão de List, revista que este
ano completou 10 anos de fundada, e que já teve 12 edições, nas quais já
foram publicadas 350 páginas da série de quadrinhos Labris, realizada por
Sotirovski e Pandalf Vulkanski (autor da série em 6 livros de bolso chamada
'Universal Crazy Dictionary').
Para ter uma visão mais abalizada e
menos bairrista da obra de Sotirovski, nós pedimos a Edgar
Franco, um dos desenhistas de quadrinhos mais originais do Brasil,
atualmente, que comentasse esta
galeria. Agradecemos a ele pelo envio de sua análise, que segue
abaixo
'Dia 23 de
agosto fui surpreendido por um presente curioso, um link para algumas
imagens de um quadrinhista provindo dos Bálcãs de nome Aleksandar Sotirovski
enviado pelo amigo Marko Ajdaric. Ao acessar a
página fiquei extasiado com a beleza e sutileza do traço de Aleksandar, a
identificação foi imediata, oito exemplos de um traço vibrante e
orgânico. De temática variada, indo dos delírios fantásticos, cogumelos e
duendes em cores vibrantes e pleno domínio da iluminação até uma bela página de
HQ de guerra em preto e branco. Um fato curioso é que Sotirovski nasceu em 1971,
assim como eu, e tem uma vasta produção de quadrinhos mas eu desconhecia
totalmente o seu trabalho, fiquei curioso pra ver mais, ler algo de sua autoria
- e percebi como existem tesouros escondidos no amplo universo das HQs - alguns
que nunca teremos a chance de conhecer devido à visão canhestra e embrutecida de
editores que insistem sempre no óbvio ululante: a publicação massiva de
quadrinhos mainstream descerebrados. Mas sou
otimista e continuarei sonhando em ainda ver por aqui algum trabalho de
Aleksandar.'
Edgar
Franco.
Para conhecer mais um
pouco dos quadrinhistas que compõem a história da List, visite este
link.
Mais um museu do humor
na Argentina?
A mostra itinerante
'100 Años de Humor Gráfico', que está percorrendo vários pontos do país, não só
está mostrando o quanto os argentinos apreciam seu legado de humor de traço como
também está sendo o ponto de apoio pelo qual um grupo de cartunistas e
cartunistas, constituído por Quino, Caloi, Nine, Sendra, Garaycochea, Cascioli,
Cecilia Palacio, Faruk, Pati, Guerrero, Maicas, Heredia, Ibáñez, Selene, Tute,
Wolf e Toul levou até o ministério da cultura a proposta da criação de mais um
museu do humor argentino, com o intuito de preservar e tornar mais próximo dos
cidadãos o acervo do humor gráfico nacional. Como foi o próprio ministério quem
se incumbiu de distribuir a notícia da reunião (realizada na sexta-feira
passada) e de sublinhar que o governo federal vai se empenhar no projeto, é de
se esperar que o Museo de la Caricatura, um presente dado pelo químico
Severo Vaccaro à memória do traço sul-americano, ganhe um robusto
irmão.

O homem que juntou
Dalí e Ditko: entrevista com Craig Yoe, parte 3
Marko
Ajdarić: Como vão as vendas? Editoras de outros países já o
procuraram?
Craig Yoe: Ainda é um pouco cedo
para isso, mas eu realmente gostaria de ter sete tipo de contato em breve. Eu me
orgulho muito dos quadrinhistas que temos nos Estados Unidos, mas eu tenho um
profundo interesse em quadrinhos de todo o mundo. Eu mostro o mestre
italiano Antonio Rubino no primeiro volume de 'Arf', e - como
-ele - haverá vários outros autores não-americanos nos próximos volumes. Talvez
esta seja uma chave para que se chegue a edições estrangeiras. Espero ir a
alguns festivais de quadrinhos m outros países, nos próximos meses, para
divulgar 'Arf'. Eu tenho a impressão de que os admiradores de quadrinhos em
outros países apreciam mais os gênios dos quadrinhos.
Marko
Ajdarić: Como você mesmo informa em sua biografia, você esteve na
Argentina. Pode nos dizer que viu e aprendeu por lá?
Craig
Yoe: Eu AMEI a Argentina. Que país estimulante! Adorei
particularmente a obra de Divito** ao descobrir alguns de seus
trabalhos dos anos 50. Adorei as mulheres que ele desenhava! I Espero encontrar
mais material para eventualmente incluí-lo em um próximo volume de 'Arf.'
Espero vir a ter um original de Divito em minha coleção, também!
Ainda
na Argentina, encontrei um grande livro de (Alberto) com quadrinhos muito
experimentais. Tive a grande honra de ter conversado com ele nos festivais
de Angoulême, na França, e de Lucca, na Itália (onde consegui um
desenho seu!).
.
**Guillermo Divito, mestre
argentino especialista em desenhar mulheres e fundador da revista Rico
Tipo, em 1944.
(CONTINUA)