Dustin Nguyen, o bom de
capa
As capas das revistas
de super-heróis são cuidadosamente pensadas para que vendam mais, ao ser vistas
nas gibiterias, o que é absolutamente normal, dentro de uma visão de
produto. Mas a Marvel e a DC Comics tem um comportamento
muito interessante, neste particular, valorizando o trabalho do capista, o
que é seguido de perto pelos colegas que fazem a cobertura das duas
majors americanas, com direito a entrevistas, prêmios e outras iniciativas
que ressaltam este profisional tão importante. Dentre as centenas de capas
de gibis que vemos por semana, uma da DC Comics nos chamou a atenção, esta
semana; foi a do 11º
gibi de Authority: Revolution 11, que tem tem roteiros de Ed Brubaker, e
arte de Dustin Nguyen e Richard Friend, com capa do próprio Nguyen, em
lançamento, este mês, que reforçou a bela fase de uma outra, ainda melhor, na
nossa opinião, de Batgirl 65,
lançada em junho passado, quando também saiu esta bem resolvida capa de Batman
(641). Nguyen, egresso do selo WildStorm, com seus traços marcantes e uso
de tons de negro, recupera uma das melhores escolas do desenho de super-heróis,
e reforça o que a escolha dos colegas do portal 9th Art (um dos que
produz análises mais profundas sobre quadrinhos, nos EUA), ao final de
2004, quando Nguyen foi contemplado com o prêmio 'Ninth Art Lighthouse
Awards', concedido pelos críticos do site, como talento emergente do ano.
10 anos sem Hugo Pratt e o
Corriere dei Piccoli
Durante o final
de semana, as homenagens de vários veículos da imprensa italiana - geral e
especializada - pelos 10 anos do falecimento de Hugo Pratt - registrados no dia
20 - foram inúmeras. Até jornais que nunca falam da Nona Arte
resgataram material interessante e colocaram em circulação para seus leitores.
Neste particular, a imprensa italiana foi muito além do que se poderia
esperar. Mas, se as homenagens aos 10 anos sem o mestre foram
inúmeras, não se pode dizer o mesmo sobre outra data pouco memorável para a Nona
Arte italiana: foi em 15 de agosto de 1995 que deixou de circular o Corriere
dei Piccoli, a primeira revista de
fumetti, fundada em 1908, e que foi durante gerações o
melhor ponto de encontro entre quadrinhos e outros personagens
infantis na Itália, e talvez, em alguns períodos - no mundo. Pelo que
pudemos perceber, a data passou praticamente em branco,

Adeus, Joe Ranft, parte
2
O falecimento de Joe
Ranft mostrou uma bela faceta da chamada imprensa virtual de quadrinhos e de
outros setores próximos à Nona Arte, que é típica de uma imprensa feita por quem
quer se comunicar sobre algo que gosta, acredita e quer ver difundido. Em
todos os portais deste tipo em que vimos o registro do passamento do
genial criador da Pixar - a preocupação foi uma só (embora nem todos com o
mesmo tempo, o que é normal): mostrar dados sobre a biografia de Joe Ranft que
tornassem mais claro ao leitor a unicidade de sua vida, de sua carreira, de seu
exemplo. Assim, a 'imprensa de blogs' mais uma vez mostra sua maior
qualidade: aproximar o fato das pessoas, ao mostrar os fatos com seu
cheiro, seu peso e sua cor únicos, e não mostrando os fatos em seus traços
mínimos, como quem preenche uma fórmula pronta de contar coisas. Em nenhum
artigo que vimos, a estrutura do texto foi igual ou parecida, mostrando que,
para falar de um artista que nos deixa, todos se dispuseram
em investir um tempo extra para pesquisar. A este esforço,
juntamos a ilustração que
homenageia o legado de Joe Ranft do cartunista equatoriano Vidal, pseudônimo
de nosso recém
entrevistado Andres Rivadeneira Toledo.

O maior
concurso do ano
Uma das maiores cidades
da América Latina, Bogotá, tem um prefeito novo, desde este ano, com um viés,
digamos, que não estava em certas previsões. O fato de que suas realizações não
'fossem notícia' nos despertou a curiosidade, pois era possível que estivesse
fazendo algo de bom. Bem, nossa hipótese não somente estava certa como nos deu a
chance de encontrar o maior concurso de quadrinhos que se tem notícia
para crianças, no mundo, este ano, associado à saúde pública. Para
saudar e incentivar a particpação ativa das crianças na semana municipal de
prevenção, a prefeitura de Bogotá lançou o ''Prevenir es mi Cuento', um
concurso para criança de 7 a 12 anos, que devem realizar histórias em quadrinhos
sobre os temas da prevenção dos riscos à saúde que a falta de
higiene causa. O prazo de inscrições termina em 9 de setembro, e a
estimativa da prefeitura é que 120.000 crianças de toda a Colômbia participem (o
concurso é federal), o que é mais que provaável, pois na fase preliminar do
concurso se inscreveram 168.000 crianças de 268 colégios.

Lucky Luke,
entre o bom e o pessimamente péssimo
Lucky Luke, série
que foi iniciada pelo desenhista Morris em 1946, e continuada em parceria
dele próprio com René Goscinny até a morte deste, em 1979 continua sendo
objeto de interesse de gente que se vale de sua imensa simpatia e pela riqueza
ímpar de um universo em que o protagonista, muitas vezes, é um mero argumento
para que sejam descritas as mais interessantes personagens que compuseram o
faroeste americano, do escravo que cantava soul aos artistas e
arrivistas de todo o tipo . Infelizmente, nem todos estes esforços tem base
artística. Comecemos pelas boas novas do cowboy que atira mais rápido que a
própria sombra: entre este mês e setembro, novas coletêneas estão sendo lançadas
em Espanha, França e Alemanha, todas contendo HQs que tiveram a assinatura de
Goscinny nos roteiros. A segunda notícia é que Lucky Luke será objeto de
um game para celulares chamado 'Lucky Luke Outlaws', a cargo de um novo
estúdio, chamado Mighty Troglodytes, que recebeu autorização da Dargaud para sua
realização.Já está definido que o jogo será em apenas 2 dimensões, mas, o
reducionismo é quase intolerável: pelo que foi divulgado, o joguete se
resumirá a colocar o personagem atirando em tudo o que vê...
Definitavemente testado e reprovado é um pretenso filme baseado em Lucky Luke e
nos geniais quatro irmãos Dalton, a hilária família de foras-da-lei,
que acaba de ganhar a sua versão em português. O único comentário que temos
a fazer sobre este estorvo chamado 'Les Dalton' é que, por favor,
nossos leitores se incumbam de avisar a outras pessoas que se trata da pior
e mais mal dirigida fita de qaudrinhos do ano, não tendo absolutamente nada que
ver com a genial obra original.

Tolkien: prêmio
para Terry Pratchett
Na semana
passada, se realizou a conferência Tolkien 2005, em Birmingham, Inglaterra.
Entre os muitos eventos que reuniram estudiosos de uma das obras literárias
recentes mais debatidas em todo o mundo, houve a entrega dos Mythopoeic
Scholarship Awards. O vencedor na categoria de melhor obra infantil foi
para - Terry Pratchett, um dos mais importantes elos entre os quadrinhos e
a literatura de fantasia atual - por seu livro 'A Hat Full of Sky' (a
seqüência de 'The Wee Free Men'), publicado pela Harper Collins. Para além
da relação enriquecedora de Terry Pratchett ao universo dos quadrinhos,
onde além de inspirar inúmeros criadores com a sua série Discworld, é
co-autor de 'Belas Maldições' (em Portugal, 'Bons Augúrios'), e 'Deuses
Americanos', com Neil Gaiman, e está sendo quadrinhizado na Itália
pela Kappa Edizioni, entre outros pontos de conexão. O Quadrantes
dos Quadrinhos pediu à escritora Martha
Argel - doutora em ecologia que
tem 4 livros de literatura fantástica publicados e autora de um dos
melhores livros ilustrados do Brasil, em 2004, o Voando pelo Brasil - que nos fizesse um curto relato sobre a importância de Pratchett.
Bem, digamos que nossa autora não tenha conseguido ser muito curta, e acabou nos
brindando com um perfil bastante completo do genial escritor, que publicamos a
seguir.
'Terry Pratchett,
um inglês nascido em 1948, é atualmente considerado um dos grandes autores da
literatura fantástica mundial, com cerca de 40 milhões de livros vendidos em 27
idiomas. É reconhecido também como um dos melhores escritores contemporâneos de
humor e sátira.
Hilariantes, seus livros
estão repletos de citações, quase sempre distorcidas de forma inesperada e
divertida. Uma característica marcante da escrita de Terry Pratchett é que o
humor, sempre desenfreado, não interfere na emoção da narrativa, na aventura e
no suspense das histórias, graças a sua inspirada habilidade como contador de
histórias.
Sua obra mais
conhecida é extensa série Discworld, fantasia humorística repleta de paródias e
críticas inteligentes. Discworld é um mundo em forma de disco apoiado nos ombros
de quatro elefantes gigantes, que estão sobre uma imensa tartaruga que nada
lentamente através do espaço. Todos os elementos dos contos de fadas, dos épicos
de cavalaria, da fantasia clássica aparecem ao longo dos mais de 30 volumes que
compõem a série: bruxas, nobres, demônios, disputas de poder, batalhas
violentas, profecias, dragões. As tramas e cenários nos quais se inserem, porém,
são os mais bizarros possíveis. Terry Pratchett é capaz de usar como fonte de
inspiração praticamente qualquer aspecto da vida moderna ou da cultura mundial.
Física quântica, religião, filosofia, história, política, mitologias, folclore,
clássicos como Shakespeare e Homero, a cultura pop, obras de Hollywood, novelas
policiais, RPG, movimentos de minorias, racismo, feminismo, economia global,
corrupção, clichês da ficção científica e sabe Deus mais o quê são para ele uma
fonte inesgotável de humor. O que o leitor quiser, vai encontrar em Discworld,
mas não provavelmente do jeito que espera.
Terry
Pratchett publicou seu primeiro livro, The Carpet People, em 1971. Em 1983,
inaugurou a série Discworld com The Colour of Magic (no Brasil, A Cor da Magia).
Em 1987, tornou-se escritor em tempo integral. Além da série Discworld, publicou
outros doze livros, incluindo obras infantis e um volume sobre gatos. Publicou
alguns livros em parceria, e entre seus co-autores está Neil Gaiman. Também
colaborou em obras sobre o universo de Discworld, tem contos em coletâneas e
prefaciou livros de outros autores.
No Brasil, os
livros de Terry Pratchett são publicados pela Conrad Editora, que lançou oito
títulos até o momento.'