All Star
Superman
No dia 16 de
novembro, chega às gibiterias americanos o 1º número da série de 12 revistas com
o título All Star Superman, uma contrapartida da já lançada All Star Batman and Robin. Apresentada por alguns como uma
tentativa da DC Comics de imitar as criações e recriações de personagens da
Marvel em sua linha Ultimate, o conceito da linha All Star fica ainda mais claro
na série do Home de Aço. A dupla que vai realizar a série - Grant
Morrison e Frank Quitely - já trabalha junta em várias HQs: New X-Men,
We3 e JLA, o que já é uma garantia de trabalho com bom desnvolvimento, para além
das qualidades reconhecidas dos doi artistas. Na série, Grant Morrison se prevalece da proposta 'All Star' para criar estórias com conteúdo atemporal mas que
resgatam o Super-Homem de diversas épocas. O condimento mais interesante é
que Morrison constrói uma versão na qual o super-herói mais poderoso do
mundo, exatemente por seus poderes, se apresenta com uma peroangem muito calma.
Afinal, se ele tem tanto poder, por que não ser calmo e senhor de si? O próprio
Morrison adianta que esta é a linha de estórias de Superman que ele sempre quis
fazer. Pela arte que tem sido divulgada para antecipar a série, parece que
Quitely, mais uma vez, dá contornos claros às ideías de seu
parceiro.

Morvan: mais pontes para o Japão
Morvan parece mesmo
decidido a estreitar as relações entre as bandes dessinées e os mangás. Depois
da nossa nota sobre seu álbum em estilo mangá, agora, noticiamos que o expoente
da nova geração francesa vai publicar um guia de viagens de Tóquio, com um
detalhe muito interessante: o conteúdo do guia será voltado para as pessoas que
já têm no mangá uma referência de leitura. Uma aposta um pouco ousada, mas que
deve contar com muitas simpatias e apoios. Para o guia, Jean-David Morvan
contará com as ilustrações de Philippe Buchet, seu colega na série de ficção
científica e fantasia 'Sillage', já traduzida em alguns idiomas. O 49º álbum de Spirou, que é a série mais lida
entre as que são assinadas por Morvan (com desenhos do espanhol Munuera) também
terá o Japão como cenário.
Quadrinhos em
3D
Marcatti, um dos
autores brasileiros mais representativos dos quadrinhos underground,
acaba de lançar uma versão absolutamente original de seu trabalho. O
inovador projeto - uma adaptação de sua HQ 'Creme de Milho com
Bacon' - está saindo apenas com 150 exemplares, a um preço mais que
razoável, para quem quer ver quadrinhos com alto-relevo: 22 reais (algo como 9
dólares), e dá direito a um par de óculos anaglíficos. Sobre o conteúdo, o
próprio Marcatti avisa, a 'baixaria vai sair do papel e escorrer diante dos
seus olhos'. Vamos ver ser a boa idéia se reproduz, para que possamos ter
mais HQs deste tipo, a um preço cada vez mais baixo.
Riad Sattouf na
escola
A Hachette, uma
das mais impotrantes editoras de livros de toda a Europa, presta mais uma bela
colaboração aos quadrinhos como instrumento de educação. No dia 31 (2 dias antes
do retorno às aulas, na França), será colocado em circulação 'Retour au
Collège', de autoria do quadrinhista de origem síria Riad Sattouf. Trata-se
de um depoimento quadrinhizado sobre o que Sattouf presenciou em
uma escola que agrega filhos de famílias abastadas, em que ele próprio se
inscreveu como aluno. O relato de Sattouf é o que se pode chamar de
quadrinho-verdade, e revela facetas como o racismo e certos hábitos sexuais que
os bem-nascidos, normalmente, consideram que não são a 'sua'
realidade. A iniciativa conta com o apoio
do ministério da educação da França. O
álbum terá 96 páginas em preto e branco e tem preço anunciado de 12,30
euros.
Boas festas, The New
Yorker
A revista semanal The New Yorker
- referência mundial em jornalismo literário e um dos principais
marcos da inteligência americana em termos do traço de humor - já brindou a
Nona Arte, este ano, com a maior coletinha de cartuns da história, o CD Rom
duplo 'The Complete Cartoons of the New Yorker', com mais de 68.000 trabalhos
publicados em seus 80 anos de existência. Os editores da revista já
anunciaram o especial de fim de ano, que sairá em outubro, com o título de
'Christmas at the New Yorker: Stories, Poems, Humor, and Art'. Em 320 páginas, o
volume trará muito do que tem elevado os espíritos de milhões de leitores ao
longo destas 8 décadas, numa reedição de cartuns antológicos (que
ocupam a maior parte do volume) e de contos sobre o Natal. Para coroar o
trabalho, John Updike, um dos maiores nomes da literatura americana do Século
XX, não só comparece com um conto como, também, prefacia a obra. Confira, aqui,
a capa em alta resolução.

Os novos
caminhos de Hellboy
Com sua nova
mini-série publicada pela Dark Horse, The Island,
Mike Mignola trouxe algumas surpresas em direções razoavelmente opostas às que
estão reservadas para o filme Hellboy 2, que deve ser lançado em 2006. O segundo
(e último) volume de The Island foi lançado em 27 de julho, marcando o retorno
de Mignola depois de 2 anos afastado do personagem que lhe trouxe uma -
merecida - fama mundial. Em The Island, Mignola não só revela a verdadeira
origem de Hellboy como também carrega nos aspectos mais ligados ao terror de sua
criação. Ainda em julho, Mignola revelou que o segundo filme será mais focado em
aspectos da mitologia do que em suas bem resolvidas descrições da brutalidade
humana. O diretor do filme, Guillermo del
Toro, que é o responsável pelo roteiro original, tem desafio nada
pequeno entre as mãos: três das principais qualidades de Mignola são o
ritmo, o enquadramento e o uso das cores, o que dificulta ainda mais a
adaptação. Também
estão previstas 3 minisséries de HQs de Hellboy a cargo de Lee Bermejo (de
Superman e Batman).

A volta do Motoqueiro
Fantasma
Antecedendo o filme que
será lançado em 2006, tendo Nicolas Cage no papel-título, a Marvel - através do
selo Marvel Knights - coloca à venda, em 7 de setembro, o primeiro gibi da
minissérie de 6 números Ghost Rider, com o subtítulo Road
to Damnation, que vai trazer de volta o perfil original de Johnny Blaze, que vai
estar em pleno inferno, tentando barganhar a sua saída dele. Um roteiro que se
adapta perfeitamente ao roteirista escolhido, Garth Ennis (de Preacher), e é um
novo desafio de maior visibilidade para o desenhista Clayton Crain,
que já ilustrou inúmeras capas de séries importantes da Casa das Idéias e
realizou a arte da série No Honor, a partir de roteiros de Fiona Avery (pela Top
Cow) e de Venom Vs. Carnage, escrita por Peter Milligan, pela própria Marvel,
entre outros. Uma amostra do que Crain está realizando já pode ser conferida neste
link, onde estão a capa e mais 6 artes do primeiro gibi, que vai custar 3
dólares e vir com 32 páginas.
Amadora vai
sonhar
Já está definido
o tema da edição de 2005 do mais importante festival de quadrinhos de língua
portuguesa. O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, em sua 16ª
edição, vai versar sobre o paralelo entre os sonhos e a Nona Arte. O
pressuposto da escolha é que não há 2 leituras iguais de uma mesma obra de
quadrinhos, assim como não há 2 sonhos iguais. A possibilidade que os quadrinhos
(assim como a literatura) dão, de se fruir a leitura em seu próprio ,
as relações entre o a polissemia dos símbolos e sua representação
também estarão em realce. Depois dos percalços
causados na edição de 2004, quando os organizadores tentaram - com toda a
honestidade - homenagear 100 obras representativas do Século XX e acabaram tendo
como retorno muitas críticas por conta de detalhes mal fechados, o tema
parece promissor, e esperamos, o festival, que acontece em novembro, venha
a coroar um ano de muitos avanços da 'banda desenhada' em
Portugal.
O super-hacker das
HQs
As grandes
editoras de quadrinhos, especialmente na Europa, durante muito tempo acreditaram
que a cópia não-autorizada de seus produtos em versão virtual teriam pouco
efeito sobre suas margens de lucros e sempre fizeram vistas-grossas a este tipo
de ação. Mas um usuário de sistemas peer-to-peer que entende de arquivos no
formato RAR foi muito além do que os editores estavam dispostos a aceitar
como suportável. O Syndicat National de l'Édition - entidade que congrega as
maiores editoras de quadrinhos na França - processou o usuário (de
nome não revelado) e foi vencedor da contenda judicial. Segundo os autos, ele teria disponibilizado online nada menos
do que 2.288 álbuns. Na verdade, as editoras
também não fazem muita questão de divulgar este tipo de fato, uma vez que
a sentença foi lavrada em abril e a entidade só publicou um comunicado
oficial em julho, que só agora foi 'pescado' pelos colegas do portal
Krinein, que, normalmente, é mais dado a ótimas e alentadas resenhas de
quadrinhos e mesmo de livros.