Quadrantes dos Quadrinhos, 17/08/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos


 
Hong Kong Disneyland
 
Depois de fazer tai chi no pier de Hong Kong, Mickey deu a primeira saudação no novo parque de diversões com os personagens criados por Walt Disney e muitas outras atrações. Ontem, começaram as 4 semanas de ensaio geral da Hong Kong Disneyland, que será aberta ao público no dia 12 de setembro, após 6 anos de obras. O início dos ensaios também permitiu que detalhes do projeto começassem a ser revelados. No aspecto mais geral, o novo parque segue o estilo do primeiro parque da família, a Disneylândia de Anaheim, na Califórnia. Na verdade, a Disney é minoritária no projeto, que tem o governo de Hong-Kong como acionista principal. Segundo o relato dos colegas da ótima agência de notícias alemã DPA, fica claro que a idéia é mesmo não passar todas as informações de uma vez. Mas, virtualmente, o parque já está aberto, e você já pode realizar um passeio por lá, clicando aqui, especialmente para ver a Fantasyland, onde estão os encantos de Dumbo,  Mickey, Branca de Neve, Cinderela, o Chapeleiro Maluco...

 
All Star Superman
 
No dia 16 de novembro, chega às gibiterias americanos o 1º número da série de 12 revistas com o título All Star Superman, uma contrapartida da já lançada All Star Batman and Robin. Apresentada por alguns como uma tentativa da DC Comics de imitar as criações e recriações de personagens da Marvel em sua linha Ultimate, o conceito da linha All Star fica ainda mais claro na série do Home de Aço. A dupla que vai realizar a série - Grant Morrison e Frank Quitely - já trabalha junta em várias HQs: New X-Men, We3 e JLA, o que já é uma garantia de trabalho com bom desnvolvimento, para além das qualidades reconhecidas dos doi artistas. Na série, Grant Morrison se prevalece da proposta 'All Star' para criar estórias com conteúdo atemporal mas que resgatam o Super-Homem de diversas épocas. O condimento mais interesante é que Morrison constrói uma versão na qual o super-herói mais poderoso do mundo, exatemente por seus poderes, se apresenta com uma peroangem muito calma. Afinal, se ele tem tanto poder, por que não ser calmo e senhor de si? O próprio Morrison adianta que esta é a linha de estórias de Superman que ele sempre quis fazer.  Pela arte que tem sido divulgada para antecipar a série, parece que Quitely, mais uma vez, dá contornos claros às ideías de seu parceiro.

 
Morvan: mais pontes para o Japão
 
Morvan parece mesmo decidido a estreitar as relações entre as bandes dessinées e os mangás. Depois da nossa nota sobre seu álbum em estilo mangá, agora, noticiamos que o expoente da nova geração francesa vai publicar um guia de viagens de Tóquio, com um detalhe muito interessante: o conteúdo do guia será voltado para as pessoas que já têm no mangá uma referência de leitura. Uma aposta um pouco ousada, mas que deve contar com muitas simpatias e apoios. Para o guia, Jean-David Morvan contará com as ilustrações de Philippe Buchet, seu colega na série de ficção científica e fantasia 'Sillage', já traduzida em alguns idiomas. O 49º álbum de Spirou, que é a série mais lida entre as que são assinadas por Morvan (com desenhos do espanhol Munuera) também terá o Japão como cenário.

 
Quadrinhos em 3D
 
Marcatti, um dos autores brasileiros mais representativos dos quadrinhos underground, acaba de lançar uma versão absolutamente original de seu trabalho. O inovador projeto - uma adaptação de sua HQ 'Creme de Milho com Bacon'  - está saindo apenas com 150 exemplares, a um preço mais que razoável, para quem quer ver quadrinhos com alto-relevo: 22 reais (algo como 9 dólares), e dá direito a um par de óculos anaglíficos. Sobre o conteúdo, o próprio Marcatti avisa, a 'baixaria vai sair do papel e escorrer diante dos seus olhos'.  Vamos ver ser a boa idéia se reproduz, para que possamos ter mais HQs deste tipo, a um preço cada vez mais baixo.
 
 
Riad Sattouf na escola
 
A Hachette, uma das mais impotrantes editoras de livros de toda a Europa, presta mais uma bela colaboração aos quadrinhos como instrumento de educação. No dia 31 (2 dias antes do retorno às aulas, na França), será colocado em circulação 'Retour au Collège', de autoria do quadrinhista de origem síria Riad Sattouf. Trata-se de um depoimento quadrinhizado sobre o que Sattouf presenciou em uma escola que agrega filhos de famílias abastadas, em que ele próprio se inscreveu como aluno. O relato de Sattouf é o que se pode chamar de quadrinho-verdade, e revela facetas como o racismo e certos hábitos sexuais que os bem-nascidos, normalmente, consideram que não são a 'sua' realidade. A iniciativa conta com o apoio do ministério da educação da França. O álbum terá 96 páginas em preto e branco e tem preço anunciado de 12,30 euros.

 
Boas festas, The New Yorker
 
A revista semanal The New Yorker - referência mundial em jornalismo literário e um dos principais marcos da inteligência americana em termos do traço de humor - já brindou a Nona Arte, este ano, com a maior coletinha de cartuns da história, o CD Rom duplo 'The Complete Cartoons of the New Yorker', com mais de 68.000 trabalhos publicados em seus 80 anos de existência. Os editores da revista já anunciaram o especial de fim de ano, que sairá em outubro, com o título de 'Christmas at the New Yorker: Stories, Poems, Humor, and Art'. Em 320 páginas, o volume trará muito do que tem elevado os espíritos de milhões de leitores ao longo destas 8 décadas, numa reedição de cartuns antológicos (que ocupam a maior parte do volume) e de contos sobre o Natal. Para coroar o trabalho, John Updike, um dos maiores nomes da literatura americana do Século XX, não só comparece com um conto como, também, prefacia a obra. Confira, aqui, a capa em alta resolução.
 
 
Os novos caminhos de Hellboy
 
Com sua nova mini-série publicada pela Dark Horse, The Island, Mike Mignola trouxe algumas surpresas em direções razoavelmente opostas às que estão reservadas para o filme Hellboy 2, que deve ser lançado em 2006. O segundo (e último) volume de The Island foi lançado em 27 de julho, marcando o retorno de Mignola depois de 2 anos afastado do personagem que lhe trouxe uma - merecida - fama mundial. Em The Island, Mignola não só revela a verdadeira origem de Hellboy como também carrega nos aspectos mais ligados ao terror de sua criação. Ainda em julho, Mignola revelou que o segundo filme será mais focado em aspectos da mitologia do que em suas bem resolvidas descrições da brutalidade humana. O diretor do filme, Guillermo del Toro, que é o responsável pelo roteiro original, tem desafio nada pequeno entre as mãos: três das principais qualidades de Mignola são o ritmo,  o enquadramento e o uso das cores, o que dificulta ainda mais a adaptação. Também estão previstas 3 minisséries de HQs de Hellboy a cargo de Lee Bermejo (de Superman e Batman).

 
A volta do Motoqueiro Fantasma
 
Antecedendo o filme que será lançado em 2006, tendo Nicolas Cage no papel-título, a Marvel - através do selo Marvel Knights - coloca à venda, em 7 de setembro, o primeiro gibi da minissérie de 6 números Ghost Rider, com o subtítulo Road to Damnation, que vai trazer de volta o perfil original de Johnny Blaze, que vai estar em pleno inferno, tentando barganhar a sua saída dele. Um roteiro que se adapta perfeitamente ao roteirista escolhido, Garth Ennis (de Preacher), e é um novo desafio de maior visibilidade para o desenhista Clayton Crain, que já ilustrou inúmeras capas de séries importantes da Casa das Idéias e realizou a arte da série No Honor, a partir de roteiros de Fiona Avery (pela Top Cow) e de Venom Vs. Carnage, escrita por Peter Milligan, pela própria Marvel, entre outros. Uma amostra do que Crain está realizando já pode ser conferida neste link, onde estão a capa e mais 6 artes do primeiro gibi, que vai custar 3 dólares e vir com 32 páginas.
 
 
 
Amadora vai sonhar
 
Já está definido o tema da edição de 2005 do mais importante festival de quadrinhos de língua portuguesa. O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, em sua 16ª edição, vai versar sobre o paralelo entre os sonhos e a Nona Arte. O pressuposto da escolha é que não há 2 leituras iguais de uma mesma obra de quadrinhos, assim como não há 2 sonhos iguais. A possibilidade que os quadrinhos (assim como a literatura) dão, de se fruir a leitura em seu próprio , as relações entre o a polissemia dos símbolos e sua representação também estarão em realce. Depois dos percalços causados na edição de 2004, quando os organizadores tentaram - com toda a honestidade - homenagear 100 obras representativas do Século XX e acabaram tendo como retorno muitas críticas por conta de detalhes mal fechados, o tema parece promissor, e esperamos, o festival, que acontece em novembro, venha a coroar um ano de muitos avanços da 'banda desenhada' em Portugal.

 
O super-hacker das HQs
 
As grandes editoras de quadrinhos, especialmente na Europa, durante muito tempo acreditaram que a cópia não-autorizada de seus produtos em versão virtual teriam pouco efeito sobre suas margens de lucros e sempre fizeram vistas-grossas a este tipo de ação. Mas um usuário de sistemas peer-to-peer que entende de arquivos no formato RAR foi muito além do que os editores estavam dispostos a aceitar como suportável. O Syndicat National de l'Édition - entidade que congrega as maiores editoras de quadrinhos na França - processou o usuário (de nome não revelado) e foi vencedor da contenda judicial. Segundo os autos, ele teria disponibilizado online nada menos do que 2.288 álbuns. Na verdade, as editoras também não fazem muita questão de divulgar este tipo de fato, uma  vez que a sentença foi lavrada em abril e a entidade só publicou um comunicado oficial em julho, que só agora foi 'pescado' pelos colegas do portal Krinein, que, normalmente, é mais dado a ótimas e alentadas resenhas de quadrinhos e mesmo de livros. 

 
ARQUIVO do Quadrantes dos Quadrinhos