¡Cheo vive!
Em Porto Rico, onde a cena local de
quadrinhos em álbuns ou séries é praticamente inexistente, pois - desde jovens -
os autores locais só pensam em publicar nos Estados Unidos, a força da Nona Arte
é basicamente garantida pelos cartunistas ou pelos autores de tiras. No dia 24
de agosto, a UNESCO, a Asociación de Caricaturistas de Puerto Rico (presidida
por Arturo Yépez, que é chileno de nascimento) e a Associação de Jornalistas de
Porto Rico (ASPPRO), realizam um seminário na Universidad de Puerto Rico que,
além de dar início a uma exposição de cartuns e de ser o momento da entrega
de medalhas da UNESCO aos cartunistas Jorge Vargas e Gary Javier, será
o palco do lançamento do livro 'Un Retrato de Puerto Rico: Dibujos Originales de
una Inolvidable Época de Transición en Puerto Rico', que traz reproduções de
tiras de Cheo, personagem criado por Fernando Luis Conesa (falecido em 1984), que é defendido pelos porto-riquenhos como a tira mais antiga da América Latina. A
obra é assinada por Gilda Mirós, que além de ser enteada de Conesa, é das personalidades
mais importantes da cena hispana em Nova York, onde tem espaços na rádio e na TV
e que tem outra relação com os quadrinhos, tendo sido integrante do elenco
de uma adaptação para cinema de El Santo, um dos
principais personagens dos quadrinhos pulp mexicanos. Esperamos
que os espaços se abram para que se possa conhecer este resgate tão importante
paras as HQs das Américas. A participação da ASPPRO no seminário tem um significado muito
importante, pois ressalta o respeito dos jornalistas porto-riquenhas - de
posições muito firmes - por seus colegas que realizam a crônica através do
traço, integrando a atividade nas comemorações de 200 anos de imprensa em Porto
Rico.

Tramlabulle 2005: BD nos
Alpes
'Um encontro de
autores': desta forma, os organizadores do Tramlabulle, em Tramelan - um dos mais simpáticos festivais do calendário suíço - anunciam a programação de
sua 9ª edição (como todos os anos, o programa final só é divulgado no
início de agosto). Mais do que um evento para ocupar grandes espaços, o
festival - que ocorre de 17 a 19 de setembro - é um belo exemplo de determinação e continuidade de um grupo de
apreciadores de bandes dessinées, associada a uma belíssima região: Tramelan
et Franches-Montagnes, entre os Alpes suíços do Jura (ou, se
preferirem, os Alpes Jurássicos). Se levarmos em consideração que a cidade
contava com 4.241 habitantes no início do ano, pode-se prever que os 20 autores
belgas, suíços e franceses vão ter a receptividade quase que exclusiva da
população. Até por que, como em outras cidades da Europa, os cidadãos têm a
exata noção do quanto é importante um evento da Nona Arte para a divulgação do
nome da cidade. O cartaz deste ano, também revelado agora, é de autoria de
Christophe Chabouté, autor francês 8 álbuns publicados pelos selos da Vents
d'Ouest e da Paquet. Para ter uma idéia de como Tramelan sabe acolher e fazer a
festa dos quadrinhos, confira as imagens das edições
anteriores.

A boa Justice de Alex
Ross
Uma das séries mais
aguardadas da DC Comics neste período, Justice, para a qual o desenhista Alex Ross prometia a retomada de um perfil de super-heróis com a aura da Era de Prata, reunindo personagens de diferentes momentos da Liga da Justiça já tem suas primeiras resenhas para o gibi número 1 (a série deve ter 12 números). Pelo visto, Ross - que divide o roteiro com Jim Krueger e a arte com Doug Braithwaite - acertou a mão e as idéias. Com doses de bem estudadas - e
bem desenvolvidas - de embates entra a Liga e vilões como Black Manta e Lex
Luthor, Justice, que tem como pano de fundo um apocalipse que traga milhões de
vidas, consagra o prometido: uma retomada do sentido clássico do super-herói dos
comics, mas com um roteiro que não é nada linear: além de incluir
vários planos e estórias superpostos, põe um componente interessante: os
vilões estariam tentando ajudar a humanidade após o Apocalipse? Ross,
claro, afirma seu estilo quase fotográfico de desenhar, nesse projeto que
ele idealizou e abraça com toda a força.

20 anos de
Dragon Ball
Dragon Ball, a série de
animês e mangás criada por Akira Toriyama, completou 20 anos em dezembro de
2004, na versão mangá e estará completando 20 anos como animê em fevereiro de
2006. As festividades pela dupla data acabram se concentrando neste mês. Até 31
de agosto, o Aqua City de Tóquio está sediando uma mostra de cartazes,
mangás e - claro - brinquedos e videojogos derivados da série. As atividades
incluem ambientes decorados 'ao estilo' Dragon Ball e um pequeno 'museu' de
Dragon Ball. Para sentir um pouo mais de perto a homengaem, confira as imagens
da página
eletrônica oficial do evento.
Neil Gaiman em
MP3
Agora em setembro, as
muitas idéias do genial inglês Neil Gaiman ganham uma nova adaptação: um CD com
arquivos em MP3 vai trazer, na voz de Guidall George - um dos mais talentosos
narradores deste tipo de produção, que já gravou autores como Cervantes, Pearl
S. Buck, Stephen King e William Faulkner -, a interpretação de sua obra
'American Gods', com o selo da
HarperAudio, subsidiária do grupo editor HarperCollins, que também, enquanto
editora, responde por obras de Gaiman como a versão infantil de MirrorMask.
'American Gods', uma novela que mistura fantasia e ficção científica - com a
marca autoral de quem sabe revelar facetas dos mitos com uma
propriedade , se presta muito bem a este tipo de adaptação, e, pelo visto,
a produção está para lá de esmerada. O preço anunciado de 'American Gods
MP3 CD' é 35 dólares, e a ficha ISBN já tem número definido: 0060836253
Manfred Schmidt para os mais
jovens
Nós já tivemos
oportunidade de escrever sobre a iniciativa do jornal Frankfurter
Allgemeine e da revista Bild em publicar uma coleção com clássicos dos
quadrinhos de várias expressões da Nona Arte, chamada BILD-Comic-Bibliothek. Uma
contribuição acessória desta série, que vem sendo elogiada por vários tipos
de meios de comunicação alemães é a inclusão de um tomo - o 7º -
dedicado a Nick Knatterton, personagem criado por um dos mais originais
quadrinhistas alemães: Manfred Schmidt, falecido em 1999. Nascido em 1913,
Schmidt iniciou sua carreira aos 14 anos, mas só se afirmou como autor único a
partir da criação de Nick Knatterton, uma declarada tentativa de criar um
personagem marcadamente independente - e até certo ponto, uma paródia - dos
comics americanos. Um dos casos raros de quadrinhistas que conseguiram
ser bons críticos da Nona Arte, Schmidt não só escreveu vários livros sobre
o assunto como chegou a ocupar e muito bem, um programa de televisão de crítica
dos quadrinhos, no que foi praticamente um pioneiro, apesar de ser avesso aos
esquemas da chamada indústria cultural. Quem sabe, a contribuição da
BILD-Comic-Bibliothek seja um apoio para que surjam novos quadrinhistas e/ou
críticos, pois a Alemanha tem se revelado um campo muito fértil em boas
iniciativas, e conta com uma imprensa que dá tratamento exemplar aos assuntos
dos quadrinhos.

Bom humor da
Marvel
Brian
Michael Bendis, Mark Millar, Mark Waid, Ed Brubaker, Brian K.
Vaughan, e Stan Lee, num gibi para fazer rir. Esta é a apresentação que,
por si só, já revela uma revista que deve circular entre muitos leitores além
dos que a 'Casa das Idéias' já tem. Este gibi especial - 'Wha... Huh?'', que tem
arte e capa de Jim Mahfood, deveria ter sido lançado em dezembro de 2004,
juntamente com outros 6 números da série 'What If', que reúne HQs do mais
puro nonsense ou de pura gozação. Jim Mahfood, um artista com
origem na cena independente, tem assim, a oportunidade de protagonizar uma
revista ímpar, pois até então só compareceu em 3 trabalhos na Marvel.
Melhor ainda, o gibi acaba sendo um termômetro para uma nova série de
'What If', que deve repetir, no final do ano, interessantes HQs do tipo 'E se tal
herói não tivesse vencido tal vilão' . Aproveite e confira o site de Mahfood, para verificar
que tipo de contribuições ele está trazendo para o Universo Marvel. A introdução é de Brian Bendis, e o gibi deve
estar à venda no comecinho de setembro. Confira, neste
link, a capa em alta resolução.

O Petit Vampire
de Katsushiro Otomo
Os vampiros voltaram
a andar na agenda de bons autores. A Dark Horse está lançando, neste mês,
nos Estados Unidos, 'Hipira: The Little Vampire' originalmente 'Hipira Kun', um
livro ilustrado para crianças, que deveria ter sido colocado à venda em abril. A
estória se passa em Saruta, uma cidade onde o Sol nunca aparece, e na qual o
jovem Hipira-Kun se revela um vampirinho na melhor tradição dos livros que
subvertem as visões que se tem de alguns mitos, sendo altamente recomendável
para crianças de muitas idades. As ilustrações são de Shinji Kimura, diretor de
arte do filme 'Steamboy'. Vale lembrar que Otomo já ganhou 2 prêmios Eisner, em
2002, por 'Akira', sua obra-prima em quadrinhos, também publicado pela Dark
Horse.