Quadrantes dos
Quadrinhos, 11/08/05
10 notícias com texto final de Marko Ajdarić a partir do
material publicado pelo Neorama dos Quadrinhos
A autora do
povo é Yolanda Vargas Dulché
Com
esta frase, o crítico de artes Freddy Gudinni inicia uma belíssima
crônica publicada hoje no
La Crónica, sobre os
50 anos do início da carreira da mais importante quadrinhista da história
mexicana, a criadora de Memín Pinguín. O texto traz também uma
notícia muito auspiciosa quanto à unidade dos artistas mexicanos: em novembro,
um grande tributo vai reunir escritores e artistas do traço para marcar o
cinquentenário. Pelo que conhecemos do merecido orgulho que os mexicanos
têm por sua independência cultural, o recente episódio da 'notícia' plantada por
poderes americanos sobre os selos de Memín Pinguín vai acabar sendo um
impulso muito grande para que a homenagem tenha ainda mais vigor. A crônica conclui 'Yolanda Vargas Dulché, de cuna humilde
como sus personajes y, que saliera del hambre para conquistar esferas sociales
altas, riquezas y el amor de todos nosotros...' . Este é o
lado da história que vai ficar para sempre.
Elvis Presley em HQ
Agora em agosto, as
gibiterias americanas estão recebendo The King, um álbum de 208 páginas
assinado por Rich Koslowski, em duas versões (encadernado e capa dura), com
o selo da Top Shelf, que foi lançado na San Diego Comic Con. Rich Koslowski, que
trabalha em quadrinhos e animação há 12 anos, já tinha auto-publicado
'3 Geeks', uma sátira sobre fanáticos por quadrinhos em que ele
escreveu roteiros ilustrados por vários desenhistas e que ganhou um indicação ao
prêmio Eisner e teve lançada, pela mesma Top Shelf, em 2002, Three
Fingers, que ganhou o prêmio Ignatz de melhor graphic novel do ano, dentro da
indústria dos quadrinhos, ele é profissional responsável pela ilustração
de vários títulos da Archie Comics, como Jughead e Sonic, o porco espinho. Em
The King, Koslowski apresenta um personagem que se faz passar por Elvis Presley
e que se esconde atrás de um capacete. A trama tem como condutor
básico um jornalista que pretende descobrir a verdadeira identidade deste
'The King'. Na Verdade, o jornalista é uma extensão da vontade de Koslowski em
saber o que ocorreu (ou não) com um dos maiores ídolos da juventude do
século XX. Chris Staros, o editor-chefe da Top Shelf, foi o principal
incentivador da obra, que acaba desenhando, ao final, um perfil muito humano de
Elvis Presley, que foi objeto de uma longa pesquisa de
Koslowski. A versão
encadernada tem preço anunciado de 20 dólares.

936 páginas de Alex
Robinson
Outra obra com o selo
da Top Shelf - que ainda está terminando de ser editada - é 'Tricked',
de Alex Robinson, um dos maiores expoentes do cenário independente nos EUA,
e um verdadeiro ás em adaptar a vida real para a Nona Arte, principalmente pela
série 'Box Office Poison',
vencedora de um prêmio Eisner e do prêmio no Festival de Angoulême de melhor
obra estrangeira (com o título de De Mal en Pis), este ano, e que foi
considerada a melhor obra independente de todos os tempos pela revista Wizard.
Box Office, por sinal, está ganhando uma reedição integral, em 608
páginas, pela Top Shelf. Na nova graphic novel, Robinson tece tramas de 6
personagens ao longo de 328 páginas**, criados e
desenvolvidos ao longo de 4 anos, e que abordam inúmeras facetas do
comportamento humano. Em comum com Box Office Poison, apenas uma personagem,
Candice. Na verdade, Tricked é quase um roteiro de cinema, uma ampliação
importante para a estrutura dos quadrinhos, normalmente focada em apenas uma
estória. Apresentada na San Diego Comic Con, a obra já teve sinais
promissores do ponto de vista de volume de vendas, além de excelentes resenhas.
5 desenhos de 5
personagens podem ser conferidos aqui, no portal IGN. O álbum tem preço
anunciado de 20 dólares.
**Há uma variação sobre este dado, em várias
fontes.
Tucumán da
historieta, do mangá e da BD
A cidade de
Tucumán, no norte da Argentina já se orgulhava de ter um coletivo que
garante a continuidade dos tucumanos na cena argentina: a UNHIL, Unión
de Historietistas e Ilustradores de Tucumán, criada em 2001, cuja última
exposição coletiva se deu em julho. Agora em agosto, a cidade está mostrando que
seus produtores estão ativos e realizando atividades que não só congregam novas
pessoas como também, deixam sementes para o futuro. A Fundación Vicente Lucci sedia uma exposição -
elaborada pela UNHIL - de historietas que inclui
desenhos sobre os 60 anos do bombardeio atômico a Hiroshima e
Nagasaki, que contou com um missa ecumênica na abertura. Nos dias 5 e 6, o coletivo Tucumanga, que foi gestado dentro da
UNHIL, realizou o seu segundo encontro, o Tucumanga 2005, no mesmo local,
evento que reuniu não só mangás e animês como também
outros tipos de quadrinhos e RPGs. Por fim,
na Aliança Francesa, até o dia 20, está aberta ao público uma mostra de mestres
das bandes dessinées, que expõe, através de 20 cartazes, alguns autores
como Enki Bilal, René Goscinny, Uderzo e Zep. Embora a iniciativa não
seja local (trata-se de uma mostra que percorre várias unidades da Aliança
Francesa no país, acabou se encaixando perfeitamente para que a onda dos
quadrinhos continue irrigando Tucumán. Ainda esperamos a confirmação do Tinta
Nakuy 2005, 5º Encuentro de Historietas, Humor Gráfico y Cine Animación del
Norte (a última edição se deu em novembro de 2004).

Um conto ashanti de Michael
Avon Oeming
No dia 24, chega
as gibiterias dos EUA 'Wings of Anansi,' HQ de 56 páginas Michael Avon
Oeming desenvolvida a partir de um conto do povo ashanti (que
constitui uma parte importante dos negros que foram obrigados a morar nas
Américas , por seu nível cultural mais elevado do que a média geral dos outros
povos) sobre Anansi, uma aranha que às vezes
andava como homem e que tem por hábito conseguir - sempre - o melhor de seus
inimigos. O próprio Oeming diz que a HQ - que é baseada numa riquíssima
construção de uma personagem feminina - traz uma
combinação de violência, sexo e grana, mas com algum fundo espiritual. O
comentário curto, mas certeiro, de Mark Millar sobre a obra não só revela que a
estória traz boas doses de humor como também, que está muito bem escrita, o que
acaba sendo mais uma prova de que, embora incansável, Oeming continua
surpreendendo pela qualidade das inúmeras HQs que vem
escrevendo. Os desenhos
são de Greg Titus (Star Wars) No próprio site de Oeming, podem se ver 5 páginas do
trabalho. O gibi é editado pela Image
Comics, e tem preço anunciado de 7 dólares.

Anima
2006
Já está no ar o
site do Anima 2006, evento que vai reunir,
em Bruxelas, de 24 de fevereiro a 5 de março do ano que vem, milhares de
profissionais e estudiosos do cinema de animação. Além de ser uma vitrine para
os jovens produtores belgas, o evento concede o mais cobiçado prêmio do
setor, na Europa: o Cartoon d'Or. O prazo para envio de trabalhos é 31 de outubro. O festival conta com o apoio decidido da AWN, a principal
fonte de informação e aglutinação do arte da animação nos EUA, a começar pelo
fato de que a AWN sedia o portal do Anima 2006. Independentemente da premiação,
o festival vale pelo seu caráter democrático, onde a troca de experiências vai
ajudar - e muito - a estabelecer laços tanto comerciais como
profissionais para todo o restante do ano.
Para guardar
Promethea
A America's Best
Comics terminou de republicar em 5 volumes que compilam os gibis da
série Promethea em julho, dando a oportunidade aos apreciadores dos bons
quadrinhos de ter bem guardada a série roteirizada por Alan Moore e ilustrada
por J. H. Williams III e Mick Gray, 'um marco na
história dos quadrinhos americanos', como está muito bem definido neste
artigo de Érico Assis, publicado em março pelo portal Omelete. Também em
julho, a WildStorm, selo associado à DC
Comics e que publica quadrinhos mais elaborados, está lançando Promethea Covers
Book 0, uma publicação muito interessante, ao preço de 6 dólares, que não só
reúne um as 32 capas de Promethea como também um ensaio do próprio J. H.
Williams III que explica como as capas foram elaboradas. Como fonte para o
entendimento deste tipo de trabalho, um lançamento
imperdível.
Tokyo Mew Mew se
espalha
O início da
publicação, este mês, de Tokyo Mew Mew (série em 7 volumes) na Polônia
(confira capa) e, em especial, na
França, pela atentíssima e especialista Pika (que anuncia o primeiro volume para
setembro), confirmam
a segura escalada mundial do shoujo que já
teve iniciada a sua segunda fase nos EUA neste verão, com a publicação do 1º
volume de 'Tokyo Mew Mew à la Mode' (que se
completa em 2 volumes), pela Tokyopop. Na Alemanha, o primeiro Tokyo
Mew Mew a la Mode foi posto à venda em abril. Assim, o shoujo criado por Mia Ikumi e publicado pela Kodansha,
originalmente, para jovens de 10 a 14 anos em que 5 meninas têm seus DNAs
misturados com os de animais, bem ao gosto do mangá de fantasia japonês,
com estórias muito leves vem tendo aprovações de editores e leitores. Na
Espanha, a Norma Editorial é a responsável pela publicação do título, que chegou
ao seu 5º volume em julho. Isto, para falar só nos mangás, deixando de lado o
RPG e a versão em animê.
Doug Fraser,
quadrinhista
Uma das mais
importantes 'importações' dos quadrinhos nos EUA este ano se tornou
realidade ontem, com o lançamento de 'Mort Grim', a estréia do ilustrador
canadense Doug Fraser como autor de quadrinhos, pelo mais que recomendável selo
da Adhouse Books (que também lança este mês 'The Secret Voice', do premiado Zack
Soto). Apesar do tema ser interessante: um motoqueiro que viaja por estradas
norte-americanas acompanhado por uma sucessão de desastres, é o traço quem
comanda a unicidade da obra. Aliás, em boa medida, o desenho comanda o roteiro.
Usando basicamente amarelo, preto e branco, Fraser introduz um estilo muito
próprio para a ilustração de quadrinhos, ajudando a diversificar os estilos da
Nona Arte nos EUA. .
Mort Grim tem 32 páginas e custa 5
dólares. Confira uma galeria oficial de
ilustrações de Fraser.
Nona Arte na
Austrália
A imensa
predominância dos comics norte-americanos na cena australiana tem o
efeito de quase solapar a produção local. Esta semana, tivemos a oportunidade de
verificar que a maior loja virtual de gibis do país traz como último destaque de
uma publicação local à venda o quinto número da revista Ozcomics
Magazine, em preto e branco, com 26 páginas que além de trazer
notícias, resenhas e entrevistas, expõe alguns dos artistas aussies dos
anos 80 e 90. Já seria uma alento, não fosse o fato de que o número em apreço é
de 2004, sendo que o número 6 foi lançado em abril e ainda não consta no
catálogo... Quem está melhor estruturado no país são os cartunistas e
chargistas, fato revelador de um país que encontrou os caminhos próprios em
muito menos tempo do que as nações americanas. A Australian Cartoonists'
Association não só conta com o respeito dos próprios grandes (e bem
bons) jornais de circulação nacional como também está indo para a sua 21ª
convenção anual, onde serão entregues os prêmios The Stanley's, em novembro. A
forma mais clara de mostrar como os artista do humor de traço da Austrália estão
atentos ao mundo é a última edição (a 44ª) de seu informativo Inkspot, que desenvolve, com muita propriedade não só temas locais como traz boas
mostras da produção australiana atual (inclusive, um pouco sobe HQs) e
expõe com rara clareza a questão da censura do regime turco aos seus
colegas. Uma surpresa que o número traz, também, é um concurso nacional com
apoio do Rotary.