
Montevideo
Comics
Nos dias 6 e 7 de
agosto, acontece mais uma edição do Montevideo Comics, evento que deve aglutinar
inúmeras tribos uruguaias e é considerado o principal do calendário dos
quadrinhos naquele país. A ampla pluralidade começa pelas conferências, onde
além da alemã Isabel Kreitz, com apoio do Goethe, sobre a qual já falamos no
Quadrantes dos Quadrinhos), se fará presente Carlos Trillo, em mais uma das
muitas participações do artista argentino na cena internacional, juntamente com
exposições da Sociedad Tolkien local, e de um grupo de HQs uruguaias de terror,
entre outros. Na mostra de cinema, 'Immortel', de Enki Bilal, 'Appleseed'
(baseado no mangá de Masamune Shirow) e 'Steamboy', de Katsuhiro Otomo estarão
junto de fan-filmes, filmes de zumbis e até de kung-fu. No que os organizadores
chamam de outras atividades, se incluem uma mostra dos vencedores do concurso
anual de quadrinhos e ilustração do Montevideo Comics, oficinas para criação de
fanzines com o iconoclasta e muito ativo grupo uruguaio Guacho, junto com
tatuadores, cosplayers e muitos outros. Outro setor que terá muito destaque são
os RPGs. Só fica difícil saber se uma diversidade tão larga acaba tendo algum
saldo para os quadrinhos.

Um toscano na
Vertigo
Uma notícia saída da
San Diego Comic Con que mexeu com os sonhos dos jovens
quadrinhistas europeus foi o anúncio feito pelo selo Vertigo, a linha
de quadrinhos adulta da DC Comics, de que Riccardo Burchielli irá
ilustrar algumas páginas e as capas da nova série com roteiro de Brian
Wood, chamada DMZ, que tem alguns componentes que lembram a
série de maior impacto de Wood: Clean Act. DMZ acontece numa Nova York
de um futuro próximo em meio a uma guerra civil. Uma parte do trabalho já
foi iniciada pelo próprio Wood. Riccardo Burchielli, egresso do
fanzinato italiano e dono assumido
de uma personalidade italianíssima, ganhou respeitabilidade a partir da
série John Doe, iniciada em 2003, em que sequer desenha sozinho. Assim, a
Vertigo mostra que está atenta ao que acontece pelo mundo afora ajudando a
reciclar e levar novos valores para o cenário americano. Para conferir a arte
de Burchielli, visite sua página
oficial.

60 Looney Tunes
em 4 DVDs
No dia 25
de outubro, as lojas dos Estados Unidos começarão a vender 'The Looney
Tunes Golden Collection, Vol. 3', uma caixa de 4 DVDs com 60 filmes de
Pernalonga, Patolino, Gaguinho e amigos realizados entre 1938 e 1961. Tão
importantes quanto a quantidade e abrangência são os cuidados com os
extras. Na lista de profissionais que comparecem com comentários sonoros, temos
Bill Melendez, cineasta responsável por animações da Warner, de Garfield e
da turma de Charlie Brown, Jerry Beck, um dos maiores estudiosos da área no
mundo, o crítico Michael Barrier, e Paul Dini,
o nome mais conhecido dos apreciadores de quadrinhos, por roteirizar e
adaptar para televisão personagens como Batman. A caixa ainda traz um documentário sobre Frank
Tashlin, que começou sua vida como quadrinhista de tiras e depois foi um dos
principais animadores de Looney Tunes e Merrie Melodies, com
passagens pela MGM e Disney. Preço de referência: 65 dólares.

Botchan
em inglês
Outra bela
notícia do consórcio das editoras Ponent Mon (Espanha) / Fanfare (Grã-Bretanha).
Já neste mês de julho está sendo lançado o 1º volume de Botchan ('Botchan No
Jidai'), com roteiros de Natsuo Sekigawa e desenhos de Jirô Taniguchi que é considerada
uma obra-prima em mangás históricos, sendo um fino e prolongado retrato do Japão
da segunda metade do século XIX e de suas relações crescentes com o Mundo
Ocidental 'The Times of Botcham', o primeiro álbum, de
144 páginas, em preto e branco está sendo vendido por 18
dólares. Em
língua portuguesa - por enquanto - só o Correio da Manhã já acenou que vai
brindar seus leitores com um pouco desta obra, incluída na programação da
coleção Clássicos da BD, e que deve ser publicada em 30 de outubro pelo jornal
de Lisboa.

A mordida de
Tatanka
Tatanka é o
intrigante nome de uma série que começou a ser publicada na França pela Delcourt
em junho e que ocupou rapidamente um lugar de respeitabilidade
na BD. O primeiro volume de Tatanka, com o titulo de Morsure ('Mordida'),
apresenta um grupo de ativistas contra a vivissecção de animais, cujo nome é
Tatanka (nome que os sioux dão ao bisonte), e que se dedica a soltar
animais que estão ameaçados por esta prática. O grupo desperta a
curiosidade de um jornalista, numa trama que acaba se desdobrando em mais de um
personagem central e que inclui um vírus criado em laboratório. O roteiro
é assinado por Joël Callède, cuja maior qualidade é exatamente tirar
proveito dos mínimos detalhes que distinguem os seres humanos uns dos outros, e
que constrói uma estória bem-fechada neste que é seu oitavo álbum.
Tatanka marca, principalmente, a confirmação
de Gaël Séjourné, que na verdade, começou a carreira (ou tentou começar) como
desenhista de quadrinhos de humor. Uma boa
oportunidade para conhecer o traço de Séjourné foi disponibilizada pelos colegas
de BD Paradisio. Neste
link, é possível ver as primeiras 7 pranchas do
álbum.