
Capas das edições número 0 e 1
Recebemos, com muito agrado, a apresentação bastante cuidada da nova série italiana de quadrinhos no Brasil, Lazarus Ledd, que começa a ser publicado pela Tutatis Editora, sediada em Porto Alegre, que retocamos apenas em algumas passagens.
Divulgamos este comunicado não apenas desejando sorte ao novo editor mas também esperando que esta foramd e apresentar informações, que garantem a atenção do leitor constante dos quadrinhos, e não do eventual, possa ser copiado por outras editoras. Tentaremos, assim que nos for possível conhecer a edição nacional, a relevar os pontos que possam levar Lazarus Ledd para muitas estantes de brasileiros, reforçando o esforço de Júlio Schneider, o maior conhecedor de quadrinhos da Bonelli em terras brassilieiras, que divide seus conhecimentos conosco, nesta apresentação.
Boa sorte, por Tutatis e por Belenos! Marko Ajdarić, Neorama dos Quadrinhos, março de 2006 Lazarus Ledd (Tutatis Editora)A edição brasileira de Lazarus Ledd
será publicada em duas versões: uma “série normal “,
em papel jornal brite e capa couché, e uma “série
ouro”, esta última com uma tiragem menor, com papel de capa e
miolo de melhor qualidade. Ambas terão o mesmo tamanho e conteúdo,
diferenciando-se, além do tipo de papel, no preço e na cor do logotipo da capa.
Esta iniciativa visa atender desde aqueles que gostam apenas de ler, não se
importando com a “estética” do produto, até os mais exigentes, que fazem questão
de uma revista com melhor acabamento.
Neste mês de março será
lançado o número zero, com 44 páginas, duas histórias curtas e algumas
reportagens, a um preço promocional de R$ 1,50 (série
normal) e R$ 2,90 (série ouro).
A revista terá tiragem
reduzida e será distribuída pela Comix Book Shop (Al. Jaú, 1998 -
São Paulo
– SP, fone: (0xx11) 3088-9116, apenas em livrarias e lojas
especializadas.
O
começo
Julho de
Outubro de
Julho de 1993. Chega às bancas de quase toda a
península itálica o n° 1, Dupla
Identidade.
Nasceu assim, depois de dois anos de
projetos, aquela que se tornaria a série bonellide mais longeva do panorama dos
quadrinhos italianos.
Descrição
do personagem.
Ronald Gordon, trinta
anos, ex-homem de ação, ex-membro do Corpo Especial Cobra, ex-motorista de táxi
nova-iorquino, mudou de nome, de rosto e de vida. Atualmente trabalha como
jornalista free lance para um jornal
de Nova York, o City Herald. Lazarus Ledd (Larry para os amigos) está sempre em
busca da verdade e numa luta perene contra as injustiças. Em razão de origens
que se perdem na Idade Média e de suas capacidades de combatente, é contatado
por uma misteriosa organização clandestina, estreitamente ligada a
uma ordem monástica/guerreira ligda á figura de São Jorge, que
conduz uma luta particular contra o crime. Suas aventuras se desenrolam num
universo considerado futurista, mas que é contemporâneo ao
nosso.
Títulos das
primeiras edições nacionais:
0: Fim da Linha / A
Mulher da Chuva
1: Dupla
Identidade
2:
Hellraisers
3: Brilhos de Uma
Estrela
4:
Axis
5: Os Olhos do
Gato
6: A Lua do
Caçador
AS RAÍZES
DE LAZARUS
LEDD
por Ade Capone, criador de Lazarus
Ledd
Por
onde começo? Todo autor traz dentro de si, estratificadas como sedimentos
geológicos, todas as influências que sofreu desde pequeno vendo televisão, indo
ao cinema, lendo livros e gibis, ouvindo canções. A gente sempre continua um
pouco (ou bastante) o que se era em criança, e busca - mesmo inconscientemente -
recriar o que nos agradava na época. Isso também foi dito por (desculpe a
intimidade) David Bowie, a
propósito da música.
Um dos
primeiros personagens de quadrinhos por quem me apaixonei quando criança foi
Zagor: um herói sui generis, às vezes
ferozmente vingativo, que deixou para trás um passado trágico para tornar-se um
solitário (apesar da presença de Chico, que nunca foi um pard ao estilo Kit Carson), numa
floresta cheia de insídias, imaginária mas tão real, com histórias que (bem
antes de Ken Parker) abordavam problemas polêmicos como o genocídio dos
peles-vermelhas. Trinta anos depois, cá estou eu escrevendo Lazarus, também ele
herói particular e solitário, numa selva urbana que só existe na nossa fantasia
(a Nova York do imaginário coletivo) mas que nem por isso é menos crível e menos
densa de problemas “sociais”. Então Lazarus é um plágio de Zagor? Não, acho que
não é.
Quando o criei, eu não
fui à prancheta para promover uma elegante operação cosmética. Mas o Espírito da
Machadinha é seguramente uma das raízes inconscientes do personagem, como também
o é o Atlas, de Luigi Grecchi e Loredano Ugolini publicado
O Lazarus
que, na véspera de 25 de Dezembro, se sente só e reflete sobre seus problemas
(na aventura Presentes de Natal),
pode muito bem recordar Peter Parker/Homem-Aranha. Seu passado misterioso e seus
momentos de fúria selvagem quando se irritava o misterioso microchip lembram
Wolverine, e por aí vai. O fato é que somos todos filhos do nosso tempo, como
conteúdo e linguagem: filhos da linguagem em quadrinhos de Frank Miller, Alan
Moore, Tiziano Sclavi, Guido Nolitta**, das tramas em espiral de Chris
Claremont, do ritmo do cinema e do telefilme americanos (Miami Vice, O Silêncio dos Inocentes, Blade Runner), dos novos autores de
ficção científica (Greg Bear, Gregory Benford), da estética em claro-escuro do
próprio Miller, de Mike Mignola, de Kevin Nowlan ou, para ficar na Itália, de
Dino Battaglia, Corrado Roi, Claudio Villa, Magnus.
Todos
esses elementos estão presentes nas minhas histórias: às vezes emergem com
clareza, outras vezes escondidos ou inutilizados, mas não sei - e nem quero -
prescindir deles. E por que deveria? Como disse alguém, a arte também é
manipular, e o que conta é o produto final e
acabado.
Originalidade é um conceito muito equivocado. Inventar deriva do latim invenire, isto é, achar depois de ter
procurado naquilo que já existe. A energia criativa é como qualquer outro tipo
de energia: não pode nascer do nada.
Além de
gatos, meu estúdio é cheio de livros, discos, fitas de vídeo, gibis. A presença
deles me acalma, me faz companhia. Num trabalho feito de horas e horas passadas
em solidão, são como amigos fiéis e discretos, a quem se pede instintivamente
(e, repito, quase sempre inconscientemente) conselho. As citações são, no fundo,
um modo de agradecer a eles, além de estabelecer com o leitor um contato feito
de paixões comuns. Mas que fique claro que tudo isso não significa copiar mais
ou menos de forma sub-reptícia.
O importante é usar
certos elementos que existem há muito tempo (desde os tempos de Aristóteles e da
sua Poética) como terreno no qual
fazer nascer uma planta com perfume novo, diferente e, se possível, fascinante.
Alguns dos
primeiros Autores
ADE
CAPONE (criador
e roteirista de LAZARUS LEDD)
Estreou no mundo dos
quadrinhos em 1980, escrevendo para várias editoras italianas, para depois
começar a colaborar com a Sergio Bonelli Editore, com histórias de Mister No,
Martin Mystère e Zagor e, em seguida, atuando como relações públicas do Dylan
Dog Horror Fest, grandiosa manifestação periódica do Investigador do
Pesadelo. Em 1990 escreveu Kor-One, aventura futurista ambientada na
Austrália, para os desenhos de Roberto de Angelis, além das minisséries
Requiem e Atlas. Em julho de 1991, por encomenda da editora
italiana Star Comics, abraçou totalmente um projeto ambicioso que, aos poucos,
ganhou nome, rosto e ambientação: Lazarus Ledd, que chegou às bancas da Velha
Bota na primavera européia de 1993. Ade nasceu em Piacenza, Itália, em
26/12/1958, e mora na região de Parma, com a família e muitos gatos, ladeado por
centenas de discos, filmes e livros, e milhares de gibis de todo tipo. Seus
escritores preferidos são Alan Moore (traduzido na Itália por ele próprio), Neil
Gaiman, Larry Hama, John Byrne, Frank Miller, Danny O’Neill, Guido Nolitta**,
Giancarlo Berardi, Tiziano Sclavi, Alfredo Castelli e Maurizio Colombo. Entre os
desenhistas, gosta muito de Mark Silvestri, Jim Lee, Dale Keown, Tom Grummet,
David Mazzucchelli, Alan Davis, Sal Velluto, Claudio Castellini, Roberto de
Angelis e Claudio Villa.
MARCELLO
TONINELLI
(roteirista)
Autor com grande experiência no
campo dos quadrinhos, tanto como desenhista quanto como roteirista e até como
editor. Depois de estrear em 1969, com histórias em tiras - ainda hoje
publicadas em revistas de renome - passou a colaborar com várias editoras
italianas, entre elas a Dardo (com Gordon Link, de Gianfranco Mágico
Vento Manfredi) e a Sergio Bonelli (com Zagor, Dylan Dog, Nick Raider).
Também criou personagens e publicou revistas, como editor completo. Passou a
escrever roteiros de LAZARUS LEDD a convite de Ade Capone. Marcello nasceu em
Siena, Itália, em 25/06/1950 e vive

SAL
VELLUTO
(desenhista)
Salvatore Velluto, o desenhista de
Fim da Linha (LAZARUS ZERO), é um dos mais ecléticos representantes da
“leva do final do Século XX” dos autores de comics americanos.
Nascido em Taranto, Itália, em 1956, estudou na Academia de Belas Artes de Bari
e estreou fazendo desenhos animados na Europa e depois nos Estados Unidos.
Estabelecido na América, trabalhou nos cartoons Turbo Team e Dragon
Slayer e, como desenhista da Marvel, fez em

Prancha de Giancarlo Olivares
GIANCARLO
OLIVARES
(desenhista)
Depois de ter feito um
curso de ilustração e quadrinhos ministrado pelo argentino Ruben Sosa, começou a
trabalhar como ilustrador num estúdio publicitário, onde atuou por três anos,
até que decidiu se dedicar inteiramente aos quadrinhos. Co-criador da série de
terror Full Moon Project, na qual atuou como ora desenhista, ora como
arti-finalista e depois em roteiros, efetuou também algumas histórias curtas
para a editora Intrépido, até que foi convidado por Ade Capone para desenhar
LAZARUS LEDD. O desenhista, nascido na cidade italiana de Brescia em 31/05/1967,
foi o criador gráfico do personagem, de quem fez as duas primeiras histórias e
as primeiras onze capas. Em 1996 começou a desenhar também para a Sergio Bonelli
(Nathan Never, Legs Weaver e Jonathan Steele). Aficionado por quadrinhos e
desenhos animados americanos e japoneses, lista como seus desenhistas preferidos
John Romita Jr., Mike Mignola, Jim Lee, Mark Silvestri, Masamune Shirow,
Giampiero Casertano e Corrado Roi e, entre os roteiristas, Frank Miller, Alan
Moore, Tiziano Sclavi, Giancarlo Berardi e Antonio
Serra.

STEFANO
RAFFAELE
(desenhista)
Depois do diploma obtido na Escola
de Quadrinhos de Milão, passou alguns meses
PAOLO
BISI
(desenhista)
Nascido em Piacenza,
Itália, em 27/09/1964, em 1981 venceu o concurso para jovens autores de HQ na
cidade de Prato* . Trabalhou por vários anos com publicidade, fazendo
principalmente storyboards e ilustrações para comerciais de TV, e
ilustrando capas de romances juvenis. Sua primeira HQ foi publicada em 1992, com
roteiro de Marcello Toninelli. Com Ade Capone fez a minissérie Requiem, e
foi depois convidado para integrar o time de LAZARUS LEDD, cujo talento o fez
receber convite da Sergio Bonelli Editore para compor a equipe de Mister No, em
1996. Em 2005 passou a desenhar Zagor, e sua primeira história foi publicada
recentemente. Seu ídolo maior é Moebius, seguido de perto por grandes como
Milazzo, Buscema, Sienkiewicz, Zaffino, Battaglia, Breccia, Pratt,
Kubert.
ALESSANDRO
BOCCI
(desenhista)
Nasceu em Siena, em 30/08/1965, e
tornou-se desenhista de forma autodidata. Seu primeiro trabalho profissional foi
justamente com LAZARUS LEDD e, em 1997, foi premiado como melhor desenhista
italiano e também realizou uma estória de Conan. A confiança que lhe foi
depositada por Capone mostrou-se acertada, tanto que, graças ao seu talento, em
2001 passou a integrar o time de desenhistas de Dampyr, da editora Bonelli. No
início de seu trabalho, espelhava-se bastante
FABIO
BARTOLINI
(desenhista)
Aficcionado por
super-heróis e desenhista autodidata, Fabio nasceu em Florença, em 27/02/1967.
Seu estilo - de traços limpos -lembra o de Kevin McGuire (Capitão
América). Em 1993, foi classificado em primeiro lugar no concurso de desenhistas
estreantes da cidade de Prato* e, ato contínuo, foi convidado a compor o time de
LL. É o desenhista da história curta A Mulher da Chuva, de LAZARUS ZERO.
Admirador confesso de Sergio Toppi, também aprecia os trabalhos de Milo
Manara, Serpieri, Castellini, Bruno Brindisi, Neal Adams. Outro da equipe de LL
que, visto seu bom trabalho, passou a colaborar também com a Bonelli, desenhando
Dampyr a partir de 2002.
MARIO ROSSI
(Majo)
(desenhista)
Apaixonado por rock, Majo é
bresciano como Giancarlo Olivares e, assim como ele, chegou a LAZARUS LEDD vindo
da equipe de Full Moon Project. Nascido em 31/01/1963, Majo trabalhou
bastante com publicidade, e, no mesmo ano em que fez sua primeira história de
LL, também desenhou o nº 1 da HQ Hammer. Em 1996 passou a fazer
Zona X, da Bonelli e, em 1998, levou seu estilo pictórico para as páginas
de Dampyr, também da SBE, de quem teve o privilégio de inaugurar a série,
fazendo os nº 1 e 2.
Ade Capone,
amante de felinos, gibis e aventuras
por Júlio
Schneider
Ade Capone nasceu em 26/12/1958 em Piacenza, Itália, e, desde tenra idade, dividia suas paixões pelo futebol (era goleiro), pólo aquático (artilheiro!), gibis (colecionador precoce) e livros (tentou escrever um romance antes de completar 10 anos - “tentou” porque depois da página 20 não soube como concluir a história). Começou a escrever roteiros para HQ na universidade, quando cursava Geologia (“porque havia menos provas, senão teria feito Física ou Matemática”), e, num período de cinco anos a partir de 1980, teve cerca de duzentas histórias publicadas em conhecidas revistas italianas como Boy Music, Intrepido e Skorpio. Trabalhando temporariamente num hotel da região de Parma (Itália), apresentou-se a um hóspede ilustre que, muito gentilmente, o convidou para uns drinques e um agradável bate-papo. Meses depois enviou ao dito hóspede algumas idéias de roteiros que, com os devidos ajustes, tornaram-se o primeiro trabalho de Ade Capone para a Sergio Bonelli Editore - sim, o hóspede era o próprio Sergio Bonelli - uma história de Mister No, em 1986, à qual se seguiram roteiros para Zagor (até hoje Capone escreve aventuras do Senhor de Darkwood) e Martin Mystère. A influência de mestres norte-americanos (Capone traduz comics para o mercado italiano, com grande predileção por Alan Moore), unida a um grande senso de dinamismo, fazem de suas histórias verdadeiros filmes em quadrinhos, como visto em 1991 na sua série de ficção científica Kor One, feita para a revista Eternauta, com desenhos do bonelliano Roberto De Angelis (por encomenda do produtor Brad Krevoy, da MPCA-Motion Picture Corporation of America, de Los Angeles, Capone está escrevendo o roteiro para a versão cinematográfica de Kor One). No mesmo ano começou a trabalhar no seu maior personagem, Lazarus Ledd, para a editora Star Comics (de quem depois tornou-se diretor editorial), série bonellide de grande sucesso que perdura até hoje - a palavra bonellide é usada na Itália para identificar séries cujas aventuras têm estilo bonelliano, autores que também escrevem e desenham para personagens bonellianos, formato bonelliano, mas não são publicadas pela SBE. Em pouco tempo Lazarus Ledd tornou-se o único concorrente de verdade ao gigantesco domínio da Sergio Bonelli Editore, levando aos quadrinhos italianos uma lufada de novos ventos, com aventuras que vão do suspense ao policial e à ficção, numa grande variedade de temáticas - e uma predisposição natural à ação e ao mistério. Deve-se registrar que, quando a Star Comics havia pedido a Capone para criar uma série, Sergio Bonelli não vetou a colaboração do roteirista com um concorrente - ao contrário, deu todo o apoio, tanto que Capone continuou trabalhando com a SBE e até passou a ser o assessor de imprensa do Dylan Dog Horror Fest, prestigioso evento dos anos 90. O sucesso de LL levou Capone a criar uma própria editora, a Liberty, para publicação de gibis independentes - e alguns títulos, distribuídos por venda direta, alcançaram recordes na Velha Bota - ao mesmo tempo em que, a convite da Marvel, escreveu uma história de Conan, o Bárbaro. Detentor de vários prêmios de melhor roteirista concedidos por publicações especializadas, aficionado por livros, cinema e música, trabalhou com autores como Andrea Pinketts (nome de destaque nos romances policiais italianos) e Valerio Evangelisti (popular autor italiano de ficção científica), escreveu antologias, freqüentou seminários cinematográficos organizados por Sergio Leone e Bob Mc Gee, além de colaborar com uma agência de desenvolvimento de produtos de multimídia. Divide seu reino caseiro com uma dezena de gatos (“que me seguem como cachorrinhos”) e uma enorme coleção de gibis. E está louco para vir ao Brasil, quem sabe para o lançamento de alguma edição especial de Lazarus Ledd. Quem sabe?
